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segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

A manhã de um paulistano da gema

Enquanto você está acrodando eu já me levantei há tempos, meditei, tomei dois banhos, enfrentei ônibus, trem e  metro lotado. Já me exercitei, mais de 40 séries de exercícios para aguentar a poluição. Já tive dois cafés da manhã, falei três idiomas, e dei bom dia para o pessoal do trabalho. Pois é, enquanto você está acordando eu já estou vivendo o dia de hoje, porque se São Paulo não para, por que eu pararia?

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

O último beijo

Os dois entraram naquela varanda depois de tantos meses sem se ver e depois de tantos anos sem ter um momento assim, a sós. Tinham passado por uns minutos na fila da Pinacoteca do Estado já que o ingresso no dia não era pago e parecia que São Paulo tinha combinado de ir ver Ron Mueck. A fila da volta no museu que dava pra ver da varanda que ficava aos fundos da pinacoteca.
O engraçado porém, era que o pessoal parecia só visitar o primeiro andar, e esqueciam de prestigiar a exposição permanente do segundo andar. Era ali que os dois jovens estavam.
Um vestido um pouco mais descolado e outro bem vestido, sendo que o segundo parecia tomar as rédeas do que acontecia e até da conversa e o outro parecia permitir ou não os acontecimentos.
Em um ambiente como aquele seria complicado qualquer tipo de aproximação, o fato é que o coração do Venturi batia forte, poxa, batia forte e os pés indicados para o outro jovem, não mentia o interesse sincero de quem já tinha sofrido um pouco. Entretanto o passado naquele momento pouco importava e do nada o nosso aventureiro, com o coração na mão, virou e disse "Deixa eu fazer uma coisa" e aproximou-se repentinamente, envolver a cabeça do outro em suas mãos e aproximando as bocas. Por um segundo, Venturi jurava que o outro iria esquivar, mas na realidade o beijo aconteceu.
Foi um beijo doce, um beijo perfeito, digno que cena de filme e páginas de delírio em um livro.
Venturi se entregou e do nada parou de se entregar. É como se o diretor da cena pedisse para parar por mais que o beijo continuasse. De alguma maneira a energia pareceu ser interrompida e foi aí que o beijo que parecia recíproco, tornou-se oco do outro lado. E pareceu, por aquele instante, que os quatro anos de história só valeram pro Venturi, e que a ideia fixa de um louco apaixonado, fixou-se tanto na cabeça do outro que só restou a atração e o tesão básico de alguém que nunca teve fogo nem pra um olhar sincero.
Venturi viu-se liberto, porém como escravo dono de si, doou-se mais sem desistir de ter o que ele nunca conseguiu encontrar em quem de certa forma, um tanto quanto platônica, amava, o coração.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Quando irmãos deixam de ser irmãos

Um irmão respondão e um tanto quanto sanguessuga e egoista. Eis-me aqui.
Uma irmã um tanto quanto estressada, preconceituosa e dramática. Ei-la no outro quarto.
Uma mãe um tanto quanto mãe. No meio da guerra. Ei-la na varanda a fumar.

As mesmas palavras, os mesmos conselhos e o pior do tom de voz, que naturalmente alta, afastam a todos e toda a calma. O irmão, acho é o mais frio, o mais distante, talvez pelo seu egoísmo. Quieto dá respostas usuais em brigas de irmãos, aqueles palavrões clichês, mas quando ardiloso é tal como atirador de elite que sabe onde acertar.
A irmão no discurso exaustivo de sempre, só sabe terminar em prantos qualquer discussão que inicia e põe a culpa no mais novo. No mesmo discurso, nas mesmas palavras, na mesma... Que dá até preguiça de escrever.
A mãe só sabe tentar apartar e começar a megalomania para apaziguar o coração de ambos, mas não deixa o drama de lado.
O irmão decide por calar a boca e contato, a irmã insiste em algo que nem existe. E nenhum nem outro querem mais saber do outro nem do mesmo eu que era antes na época infantil de escola do mais novo. Sentem falta, mas o que mais falta (e a única solução) é o dinheiro que em sonho irmão e mãe apostam na loteria e a irmã no trabalho.
Ele ainda vai se fuder, mas vai conseguir status e da irmã distância. Ela ainda vai conseguir pagar as contas e fazer mais e se fuder um pouco mais. A mãe vai ver o filho formar-se na faculdade e depois que longe mais uma vez de casa e com toda a burocracia resolvida, vai deixar-se morrer, pois pra ela a única relação, o único valor, que ainda teve alguma importância, era a relação familiar, que hoje fez os persoangens mudarem de irmão, irmã e mãe em homem, mulher e velha.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Já morreu

Já não era a primeira vez que atravessava a rua sem olhar para os lados. Já não era a primeira vez que tomava duas doses do remédio para dormir. Andava de avião e lembrava de "Lost". Dava risadas. Já não era a primeira vez que ficava com alguém só por ficar.
Já pouco se importava, mas dava ênfase à boêmia, aos dias saudáveis e noites interminavelmente loucas e sem limites.
Já pouco dava atenção para quem lhe fazia drama, e muito menos para quem lhe queria como se quer um amor. Ele era mais esperto que isso, fugia do "gostar" de alguém.
Entrar em um metrô a espera de um ataque terrorista, ou de um ônibus a espera de um acidente, ou mesmo daqueles segundos a mais submerso na piscina, eram atitudes corriqueiras que o faziam personagem tão louco de enredo tão francês.
E dormia para não acordar, mas caso acordasse todos veriam como aquele dia foi bom e cheio de sorrisos e felicidade (sem base). Era um tristonho, vazio e incompleto. Até eu mesmo tinha (ou tenho) nojo dele quando não dó.
Mas fiquei sabendo que ele odeia quem tem piedade dele. Ele gosta mesmo é do drama e dos sonhos, sim, é isso que o mantém vivo. Fora isso, já morreu. Há tempos.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Uma faceta do amor

Hoje pela manhã eu tinha que ir para uma palestra cujo professor viera da França. Era do ramo de filosofia, então logo cedo, durante o banho, tentei ativar o cérebro para pensar ue refletir nas horas seguintes. Ao sair de meu apartamento em direção à universidade, que é só questão de uma rua, deparei com ruas vazias, apenas carros estacionados e ninguém mais. Ao atravessar a rua para a universidade um celta cinza descia a rua e parou quase que na minha frente, ao passo que um táxi subia a rua, contrário a esse celta. Dentro do Celta duas pessoas, sendo uma menina, no táxi, um menino meio louro e com óculos.
Qual não foi minha surpresa quando o menino põe a cabeça pra fora e grita as seguintes palavras "Eu te amo, eu sempre vou te amar, entende isso!". A menina que estava no celta saiu, encostou-se na porta do carro e chorava rios de lágrimas. Nesse momento eu passava quase rente ao carro a deixaria para trás em questão de segundos. Não vi quem a acompanhava, se menino ou menina, mas certamente ele ou ela fora dar-lhe o ombro e muitos lenços para limpar aquelas lágrima ou apenas lhes deixar escorrer.
Eis uma faceta do amor... Aquela que mais expõe e mais faz amadurecer alguém. Não sei quem era a menina, sua amiga (o) ou tampouco o rapaz que a deixava para trás. Era o fim ali, numa manhã de feriado, era o fim para aquela história.
Em português "dor" e "amor" formam uma rima pobre, porém rimam e é aí que eu percebo que para se amar, a dor é apenas consequência. Ambos são como um casal que não se separa jamais.
Criei mil histórias sobre aquele casal, mas qualquer que fosse não fará sentido e nem poderá emocionar a outrem senão a mim.
É... O popular é o mais correto nessas horas, é exposto a profundidade da água que se aprende a nadar. É exposto à dor que se aprende o que é amar.


domingo, 17 de fevereiro de 2013

A menina com tatuagens

A imaginação prevalecia e a menina em plena adolescência escrevia poemas no chão. Cheia de tatuagens no corpo, tatuava-se sempre que dividia sua história em épocas, a desgraça eram as tatuagens n'alma. Cabelo descolorido, gritando a todo instante em mudeza "fuck the world" mais um poema saiu de seu "fucking world" ao passo que o tapete felpudo amaciava seus pés. O mundo podia cair lá fora que o silêncio reinaria sua mente que era mais barulhenta que turbina de avião. E os limites do tempo ela controlava, quando acordou pra vida, era a mais preparada, não por poemas escritos, mas por ter vivido todas as histórias que sua mente lhe houvera proporcionado. 

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

O beijo atrás da porta

- Quer que eu coloque pra vocês? - O menino perguntou ao amigo e a amiga se eles queriam mais um copo de Vodka com refrigerante. Mas a roda era formada de mais dois outros meninos, só que com copos ainda cheios. A resposta foi positiva e dessa vez a dose do destilado foi maior.
Os sorrisos já penetravam as conversas que depois nem seriam lembradas por nenhum deles, restariam contatos novos na internet e no celular, e é claro mais risadas altas.
O menino que servira as doses também pegara pra si um copo, o assunto na roda dominara plenamente e seu léxico fora bem gasto, atraindo pra si todo e qualquer olhar, interesse e até mesmo inveja. É raro encontrar bonitos de corpo, rosto e alma.
Mas ele não estava pra atrair naquele dia. Nem havia se preparado para isso, barba por fazer, uma touca de lã mesmo frio não estando, camisa sem estampa e calça jeans com seu All star que já conhecia a cidade por inteira.
Estava ali pra esquecer do mundo depois dos portões. Seu sofrimento guardara para si e seu sorriso era seu escudo, mas não dava pra não ser charmoso, atraente, estava em seu sangue...
Não fazia distinções de beijos e nem ligava pros toques indevidos. Naquela sala, outrora, já havia beijado metade dos que ali estavam, e até se apaixonado por um que nada queria, o que não sabia é que naquela noite, pouco depois do quarto copo de Vodka, ao sair do banheiro, seria beijado sem tempo de reação.
Não reconhecera o beijo ao primeiro toque, mas logo o gosto que se misturou ao cheiro ele lembrou de todos os bons momentos que ali passou em outra festa. Não precisou abrir os olhos para reconhecer. Entregou-se uma vez mais e só por aquela noite, pois sabia que beijos não são promessas e não precisam de significado pra existir.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

A ilha da chave de chocolate

Anjos caídos sem motivo em chão de capela
Adormecidos a espera de um milagre em vão.
Anjos pintados à tinta e ao óleo em tela
Fingindo ser o que nunca mais serão.

Era de manhã quando um menino de olhos confiáveis acordou em sua pequena cidade no interior do Paraná. Pela janela ele percebia a claridade e ao mesmo tempo a preguiça preenchia o resto do espaço que sua cama deixava.
Mas não! Não era um quarto! Era um calabouço! Na Janela, Grades e o céu claro dizia aos marinheiros que era bom o vento pra se navegar. Naquela ilha somente a chave de chocolate presa numa máquina congelante poderia ser sua salvação. O castelo era pequeno e cada barulho poderia ser motivo de despertar os guardiões, que não perceberam que o menino de olhos confiáveis emagrecera o suficiente para passar pelas grades de seu portão e chegar à máquina congelante.
Os guardiões dormiam, sempre estavam dormindo. E foi nas pontas dos pés que o menino levantou e tomou a atitude de passar pelos portões. Logo na segunda porta ele viu, a máquina branca e retangular que guardava a chave de sua liberdade!
Sem barulho fazer, ele abriu e entre tantas coisas a chave de chocolate estava lá, esperando ser tocada. Só não imaginava que ao sentir-se tocando tal preciosidade...
- AI QUE SUSTO, Vinícius! Quer matar sua mãe do coração? Quer toddynho é só pegar, ou você imaginou que ele ia sair voando por aí? Nunca mais faça isso. Deus me livre!
O menino de olhos confiáveis sorriu pra mãe, travesso como era, voltou pra calmaria de seu quarto naquele domingo de manhã com seu toddynho chave de chocolate e sorriu pra si mesmo. Sua vida era mais interessante dentro de sua cabeça do que ali fora, e isso o fazia mais feliz que qualquer outro guri que só acordaria por um chocolate, ele não! Ele acordava por uma aventura a mais, ele acordava por uma chave de chocolate!

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Um outro amanhã

Um outro amanhã era o objetivo do menino de olhos cuja retina refletia toda sua vida. Não que isso seja possível, sério e literal como era, no máximo diria que olhos não refletem nada a não ser a imagem vista em determinado momento.
Sua noção de tempo era considerada louca, todavia nenhum filósofo chegou a discordar de seu ponto de vista, apenas questioná-lo e sua resposta era um sorriso. O menino criado na cidade grande aprendera ao longo de sua trajetória que as melhores respostas têm um sorriso acompanhado de um silêncio e um olhar que nada diz, ele viu que isso confundia as pessoas e elas nunca saberiam o que estaria passando em sua cabeça naquele momento.
Vamos nomeá-lo Leon. Leon Era magro, esbelto, médio, estudante de medicina, muito dedicado em seus estudos. Falava muito pouco, não tinha rede social e nem muitos amigos. Na realidade não lembro de nenhum agora. O que me fez escrever sobre ele? O jeito dele sempre sério no canto da sala, o jeito que ele esperava a aula acabar pra correr atrás dos professores pra tirar a dúvida que na sala não tirara. Não, ele não tinha vergonha, mas preferia não ser inconveniente.
Naquele dia em especial, Leon se arrumou e decidiu servir a humanidade da maneira mais inusitada.
Pegou a arma de seu pai escondida, anotou algumas palavras em um papel e colocou no bolso da camiseta. Ligou para o IML e depois deu um tiro na boca, a morte foi instantânea e sem dor. Os técnicos ao chegarem ao local encontram dois papéis em seu bolso, um indicando como se matou pra evitar investigações frustadas e preservar o corpo. No outro, seu último pedido.

"Sonhei com um outro amanhã, onde encontraria um amor. Não nasci pra ajudar ninguém, nasci pra ser ajudado, mas ninguém percebeu isso e agora é tarde demais. Que nesse outro amanhã dissequem meu corpo e com ele aprendam a salvar vidas, mas sinto informar-lhes que danifiquei meu cérebro e a psicologia ainda terá que pesquisar muito como salvar mentes como a minha, que sofrem caladas por amores impossíveis e se haverá tratamento pra isso em sua ciência." Leon F.

O corpo foi levado pro IML e cremado no outro dia pela família, como Leon não queria. Apesar da dor o consideraram louco, sorte que ele não morreu em mim e hoje posso lhes contar sobre o menino que amou e que chegou a considerar a possibilidade de um outro amanhã, onde as pessoas não se dariam razões para amar, apenas amariam sem razões.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Na cama

Era domingo de manhã e chuva caía lá fora como caíra ontem e anteontem. O dia cinzento, porém quente, fazia jus ao apelido que a cidade recebia. A cidade engolia as pessoas, o metrô andava com velocidade reduzida, mas as distâncias eram sempre as mesmas.
O despertador tocou as 11h e o zumbi, vulgo ser humano com preguiça em cima da cama depois de uma noite acordado, acordou bem devagar. Nem escovar os dentes queria, estava com fome, mas a fome que esperasse pela vontade dos pés de ir até a geladeira.
Em cima da cama e olhando o teto acima, seu cachorro aos seus pés, as imagens da noite anterior não lhe saíam da cabeça.
Como pode às 11h da manhã de um dia estranho um turbilhão de sentimentos e confusões se resumirem a um guri em cima de uma cama sem pensar muito, apenas analisando as imagens que vira no dia anterior, a dança com o amigo, o beijo de quem pensara estar sempre ali, o olhar perdido de alguém que não sabia se amava, a bebida sendo posta, a música dançada, o celular despedaçando-se no chão, a espera pelo transporte de volta pra casa...
Era muita confusão pra um menino que só queria fugir, mudar de nome, endereço, vida, porém que sabia que no fundo ele só queria poder ter o poder resolver questões e achar respostas concretas para suas angústias. Ele só ainda não havia descoberto que tinha esse poder e todas as respostas já foram dadas.
A fome apertava e ele lá, deitado. Até que resolveu não pensar muito, levantou, comeu algo e saiu pra mais um domingo de compromissos mil.

Perfume Antigo

Tirar vantagens da dor! Poucos conseguem fazer isso; E sabe, não dói, não corrói. Já fez tudo o que tinha que fazer. Agora é reconstruir com calma, passo a passo pra que fique firme. E não serei eu o único a pôr a mão na massa.
O fato é que o observo nos mínimos detalhes, do momento de tirar foto da chuva, da dança, do jeito de escrever, os simples toques que o acado põe em obrigação e o cheiro que é o bendito perfume que me tomou a alma bem antes de conhecê-lo.
Que seja o que tiver de ser, mas que saiba que o mundo é feito de ações e não intenções, e há lá fora pessoas tao competentes que sabem disso mais do que ninguém.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

O final... que não aconteceu


"Eu preciso falar com alguém, com alguém não, com você! Estou onde você sempre quis me encontrar. Vem!"
Eu estava lá 30 minutos depois. Desci na estação, chuva apertada e o céu escuro e fechado em pleno dia de verão.
As pessoas corriam pra se esconder da chuva e os guarda-chuvas eram a única cor que coloriam a avenida onde carros passavam devagar com os para-brisas ligados. Eu com minha camiseta social rosa desabotoada em três botões, calça jeans preta e sapato social depois de um dia de trabalho que eu não queria voltar pra casa.
Sem guarda-chuva eu andei sem olhar para os lados, atravessei duas ruas e virei à direita, prédios cercavam aquela praça de pedra com algum verde pra disfarçar a rigidez que o lugar trazia em si.
No segundo banco de pedra, no mesmo onde se dera o primeiro beijo, o primeiro contato, o primeiro oi... Ali ele estava sentado, também todo molhado da chuva, com sua camiseta moletom, sua jeans e seu tênis. Cabeça baixa e sem ligar para o banho de chuva que estava tomando.
Parei para admirar o menino, mas foi o tempo dele levantar o queixo e vir em minha direção sem sorrir, sem chorar, apenas com o foco da minha boca que refletia em seus olhos.
O toque do lábio que eu esperava ateou fogo na chuva e fez do dia escuro, luz. E da chuva, ácido que corroía o passado que já não tinha mais valor. 
“Vamos combinar uma coisa no pé do ouvido, um segredo nosso, só nós dois? Vamos ser felizes daqui pra frente e esquecer que o mundo existe?"
Não respondi com voz, respondi com o olhar e o olhar dado foi o mesmo que anos antes se deixou mergulhar em beijos, promessas e futuros que poderiam não existir.
Entendi então o significado de “morrer” que tanto li em poemas. Não era parar de respirar, era apenas querer que aquele momento não acabasse e se acabasse que eu morresse por saber que não mais viveria momentos com tal intensidade e importância depois daquele.
E o romance que tanto escrevi ali teve seu fim e seu inicio, mas isso é outro livro que o tempo se encarregará de escrever.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Um comentário - Um sentimento

Até onde você iria por amor? Até qual ponto aceitaria que seus pontos fracos fossem descobertos e quem você desafiaria se seu amor fosse ameaçado? Você teria coragem de mudar sua vida e seu passado por causa de alguém?
E caso seu passado não fosse dos melhores? Até onde você iria para mostrar que é seguro confiar em você? Como você daria segurança para alguém?
Já pensou que cada merda que você faz ou fez deixa o outro ao seu lado mais frágil? E se a tentação aparecesse? O que faria?

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Entregou-se tão intensamente e tão inteiramente que quando caiu nada sentiu. Não teve dor no momento, mas quando a mesma apareceu foi mais intensa que o amor que dera. Arrependeu-se de dar o seu melhor e seu pior para alguém que não se arriscaria. Cada dia acordava com uma lembrança na memória. Os dias, os meses e os anos passaram e ele envelhecia, vivia suas experiências, mas ainda assim sua história estava presa a quem nunca por ele batalhara. Ele iria pro céu e pro inferno pelo mesmo, mas a recíproca nunca fora a mesma. Ele aprendeu a conviver e distribuir sorrisos e carinhos amigáveis, e o amor ele o trancou na solitária e ali ele o esqueceu, até que um dia de vez, com ele, o amor morreu.

sábado, 10 de novembro de 2012

Ele

Ele tinha 20 anos, já era formado e pós-graduado, trabalhava num cargo médio na empresa e folga finais de semana e feriado, possuía apartamento próprio quitado e mobiliado na Barra da Tijuca e o carro do ano 0Km na garagem, tinha morado três anos fora, falava seis idiomas e era ótimo com artes, lindo e educado sabia lidar com as palavras. Ele não existia. Literalmente, ele não existia.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Amor demais, amor de menos

Ela não sabia se acendia outro cigarro ou não. Seus atos lhe preocupavam, mas não achava que estava ao todo errada. Tinha tido uma criação difícil e aprendeu que certas coisas não se faziam. Esperava a morte como quem espera um ônibus sem destino certo. Tinha medo. Era frágil e dependente por mais que os sorrisos conseguissem atuar tal segurança.
Amava aos filhos mais do que tudo, talvez seu maior erro e maior virtude. Amor incompreensível que só o bem deseja, mas dentro dos seus limites. Tinha medo de ver o filho partir, mas sabia que o momento chegaria e não queria estar ali pra sentir a dor da perda. Amava, amava muito quem criou e de seu ventre saiu, amava tanto que pra si não restou amor.

quarta-feira, 28 de março de 2012

O Louco Da Palavra

Podia-se dizer que era um louco. Falava sozinho na rua quando andava à noite. Nem sempre eram conversas consigo mesmo, na realidade a maioria das vezes conversava consigo só para amedrontar as pessoas na rua e assim afugentar possíveis ladrões da grande metrópole. Não era um ser engraçado, mas seu sarcasmo fazia rir, era por vezes até meio inconveniente, mas o leitor aqui deve conhecer aqueles que nos fazem rir por serem tão secos, secos como frutas secas.
Era um rapaz de gênio forte, mas tão educado que muitas vezes guardava para si as opiniões que divergiam da sua, sem tentar convencer ninguém do seu ponto de vista. Nossa pequena história começa num daqueles dias onde ele saía sozinho. Amigos ele tinha. Não tinha era companhia para seus gostos. Amava a arte, sobretudo o teatro. Nunca tentou decorar uma fala, nem as mais famosas de Shakespeare, mas quando numa platéia não perdia um segundo da atuação daqueles seres que ali, em cima do palco, recitavam as frases que ele por si mesmo não foi capaz de decorar.
Lia textos e textos e aos 15 (o que já considerava tarde) começou a estudar história da arte e do teatro e mergulhou em teatro realista, naturalista, clássico, épico e por aí vai. Era um bom entendedor, por mais que nunca admitisse saber tanto. Quando o assunto batia em história do teatro, os outros calavam para escutá-lo, e aquele ar de sarcasmo sumia e só re-aparecia no assunto posterior que quase sempre, como em todas as conversas, era sobre sexo, sacanagem e bebedeiras em grupo numa rua de botecos ou na casa de alguém do grupo.
Dê o nome que quiser para o sujeito. Ele era muito mais um estilo personagem que se lembra pela aparência e pelo jeito do que pelo próprio nome. O que interessa é que nesse dia, uma sexta-feira do mês de março, logo no inicio do outono, ele saiu para mais uma peça de teatro. Era um musical que estava em cartaz já havia um mês num dos maiores teatros da cidade.
Apesar de o espetáculo começar Às 21h, o rapaz já estava preparado às 17h. Além de ir de transporte público, ele era dotado de uma pontualidade suíça, eu diria até melhor do que a mesma, pois sempre estava mais cedo do que o combinado em um local.
Vestia uma camisa branca, aquelas que não valem mais do que um lanche de esquina na hora da fome. A camisa, porém não o mostrava humilde, afinal camisas brancas quando novas não tem marca por mais caras que realmente sejam. Uma calça jeans e uma bota preta completavam a sua caracterização. Gostava de usar creme para pentear o cabelo que era curto, mas possível de se pentear. O rosto e o corpo não me são necessário caracterizar, contento-me com a imaginação de quem lê.
Trancou a porta e deu tchau para o seu vira-lata. Pegou um ônibus e depois outro. No trem sentou-se na janela, olhando os prédios lá fora. “Se ao menos pudesse morar em um” pensava. E era aí que começava a criar suas verdadeiras histórias. Um dia era um bibliotecário trabalhando em alguma fundação na zona oeste da cidade, no outro tinha virado ator de novela e teatro e já teria que comprar um carro para fugir dos autógrafos.  Pensou em prestar arqueologia no nordeste do país e estar explorando a história antiga de sua nação. Uma vez passou em frente a um laboratório e já se imaginou lá dentro dando laudos periciais técnicos. Enfim, sua mente era mais divertida do que a realidade que vivia. Odiava o transporte público, sempre tão ineficaz, mas nunca tinha parado para pensar que toda sua força e criatividade vinham daqueles momentos (horas) ociosos dentro de trens e ônibus atravessando a cidade mostro em que morava.
Sentado ali, naquele mesmo banco diversas vezes, lembrava-se das provas que teria na semana na escola e os compromissos que havia assumido jovem demais para quem sabe um dia ter a possibilidade de realizar o sonho de ter uma qualidade de vida um pouco melhor, “com mais humanidade” como ele dizia.
O trajeto era longo e o gajo já nem tinha mais tanta pressa de chegar. Por vezes até curtia o trajeto, gostava de observar as pessoas ao redor e ver que não estava sozinho na cidade. Isto é, sozinho entre aspas, afinal as cidades estavam cada vez mais reclamando da solidão. Até achava engraçado, já que começara a entender um pouco da teoria do teatro, lembrava-se sempre do conceito que leu “No teatro se está sozinho em público” e gostava de relacionar a frase mencionada com sua realidade. Via as pessoas dentro do trem sozinhas em meio ao público que nem a via ali. Estavam todos sozinhos em públicos. Talvez tenha percebido a diferença para o teatro. Ali tem ao menos alguém observando o ator, que em concentração julga-se sozinho.
Chegou cedo ao local e antes de entrar no teatro decidiu parar uns dez minutos e ler um conto de Franz Kafka na praça em frente ao local. Chamava-se O veredicto a tal novela. Para ser sincero, nesse dia o jovem carecia de concentração e passou os olhos no livro sem entender nada. “Algo deve ter ficado no subconsciente, isso salvou a leitura talvez”. Foi então que foi comprar o ingresso.
– Desculpe senhor, mas estão esgotados – outro rapaz, mais ou menos da mesma idade o dizia.
– Impossível, eu liguei ontem e vocês ainda tinham dezenas – Realmente ele tinha ligado e optou por não fazer a reserva, queria ver se conseguia um pouco mais de dinheiro para pegar um lugar melhor na platéia.
– Sinto muito senhor, mas para fim de marketing cultural a empresa patrocinadora recebeu os últimos ingressos de hoje para disponibilizar para funcionários e clientes. Por isso não temos mais essas dezenas de ingressos que o senhor se refere.
– Rapaz eu venho de longe, não tem jeito mesmo?
– Infelizmente não, posso reservar para amanhã.
– Não, não. Esquece – O jovem respondeu sem remorso. Já havia acontecido algo parecido algumas vezes antes, mas o que ele não entendia era o porquê disso acontecer ali, num teatro gigante. “Depois as pessoas falam que não tem dinheiro” sussurrava. Ele havia economizado bastante para poder assistir ao grande espetáculo. Mas como mencionei era raro bater de frente com alguém e foi sentar na praça falando sozinho. Dessa vez sem o intuito de afugentar ninguém:
– Sabe Deus – ele gostava de conversar com Deus, mesmo que às vezes duvidasse de sua existência, e assim não era tido como um tanto louco. – Eu faço tanta coisa ao mesmo tempo, que às vezes perco o foco. Eu gosto do que estudo, eu estou me preparando para o bendito vestibular, começo a entender alguma coisa de teatro, nado duas vezes na semana e já ganhei até medalha, sem contar o trabalho voluntário na escola e as organizações de sala da qual faço parte. Porra, eu só queria assistir a uma peça e me divertir um pouco. Faz tempo que não vou a um musical, em uma boa peça. Porra Deus, isso me entretém!
Parecia que brigava com Deus, mas no fundo brigava consigo mesmo, por ter sido trouxa de não ter feito uma reserva. Mas já que estava ali não queria voltar para casa. Na realidade nem ia voltar depois do musical, ia com o povo da escola para uma bebedeira. Era só isso que eles sabiam fazer. Mas ia demorar muito. E o rapazinho decidiu andar na rua à noite na grande metrópole. Olhar as pessoas e os recintos. No máximo parar em um bar e pedir um refrigerante para passar um pouco do tempo.
Era inicio de outono e em países tropicais é uma maldição dar nomes às estações, pois elas nunca cumprem o combinado. Havia chovido de manhã, feito sol à tarde e agora o tempo apesar de consideravelmente agradável, ventava muito.
Lembrou-se qualquer passagem sobre a Rússia que era mencionada na novela de Kafka que leu. Lá devia ventar o mesmo o ano todo. Fazer frio o ano todo e os 10ºC feito no verão serem motivo de comemoração. Foi aí que começou a inventar mais uma vida dentro da sua cabeça. Agora ele era Russo, nascido e criado em São Petersburgo. Tinha estudado música na mesma cidade, mais especificamente Piano clássico e ao final da faculdade foi convidado para uma pós-graduação, ora vejam, no Brasil. País tropical, para ali então foi e se estabeleceu na cidade de São Paulo. Propostas de trabalho não lhe faltaram, aprendeu o português rápido com um sotaque charmoso que atraía as garotas e por ali decidiu ficar por mais tempo e agora aquele vento noturno o lembrava a terra natal.
Os olhos viajavam entre as pequenas casas da rua, a maioria em forma de sobrado, unidas, sem garagem, os carros parados à frente das casas embaixo das árvores que se confundiam com os fios de energia elétrica. “Se essas casas tivessem uma pintura mais bonita seriam talvez mais atrativas durante o dia, À noite eu prefiro assim”. Referia-se às pinturas antigas mal-cuidadas dos sobrados. Um desses sobrados tinha uma plaquinha fora onde se lia: “Bar do Macário”. Sorriu. Lembrou-se da horripilante escrita do Poeta Paulistano Álvares de Azevedo, onde Macário era um jovem de vinte anos que conseguiu conversar com o Diabo. Decidiu entrar, afinal há pouco tinha conversado com Deus, que custaria conversar uns minutinhos com o capeta também?
O lugar era iluminado às luzes incandescentes, uma delas falhava a cada cinco minutos e uma nem funcionava. Em suma, era mal iluminado. “Ao menos o dono daqui tem jogo de marketing para atrair os literários” concluiu. As cadeiras eram de madeira e tudo respeitava o século XIX. As prateleiras confundiriam qualquer bêbado fã de tequilas, vodkas, pingas, cachaças, licores e tudo o que diz respeito a álcool. Até álcool de cozinha tinha no lugar. O gajo não sabia se para a venda, o que era absurdo, mas visto a condição de muitos pobres da cidade é o que lhes restava. Encontrou um humor naquela desgraça.
O bar estava praticamente vazio. Era um bar um pouco fundo, mas estreito devido a casa onde era acomodado. Um velho barbudo e aos trapos bebia dois shots de vodka pura à sua esquerda. Na realidade não bebia, olhava estático para eles. Parecia em transe. Outro senhor, bem melhor vestido a duas mesas após o barbudo lia um jornal, que o nosso personagem viu como sendo de duas semanas atrás. No balcão três rapazes aparentando seus trinta e poucos anos bebiam cerveja de marca cara e riam falando talvez de mulheres ou futebol. Uma mesa era ocupada por duas mulheres e dois homens, que comiam algo que o jovem não pode distinguir. Ele preferiu sentar no balcão duas cadeiras antes dos três jovens.
Quem o atendeu foi uma jovem bem bonita do outro lado do balcão. Possivelmente mais velha que nosso menino, e possivelmente bem mais mulher do que qualquer mocinha de sua idade. Era loirinha a guria. Olhos escuros e não vestia avental, a roupa era comum.
– Eu quero uma cerveja – Em tal ambiente, o menino, que apesar de nem talvez fosse maior de idade, preferia mil vezes um álcool ao refrigerante. O bar era convidativo a tal, sem contar que com a grana que sobrou do espetáculo podia pagar por isso.
– Qual marca, temos todas que quiser.
– A mais forte. – E assim se sucedeu, pediu cerveja que veio em Longneck. Pros leigos, aquelas garrafas pequenas em que se pode tomar diretamente (não que em uma de um litro não se possa).
Não passou vinte minutos e ele pediu a segunda, que já tinha feito algum efeito sobre seu nível de consciência. Os três rapazes pararam e olharam o menino e aproveitaram (isto é, não posso dizer aproveitaram, mas talvez a expressão “Se enturmou” caiba melhor aqui, pois também já estavam alcançando a ebriedade). Um dos jovens quando percebeu a solidão do menininho virou para os amigos e disse algo. O mesmo virou e disse:
– Ô mocinha, é... Você – Chamando o rapaz -. “Mal” de chamar você assim, mas sair para beber sozinho é fossa. Aproxima-se aí rapaz. O que faz você beber só, hein?
Nosso menino, que tinha esquecido que seria melhor ter comprado uma vodka, já que tinha inventado a história de ser russo, se tocou que era com ele e deu uma risada sem som e se aproximou.
– Hoje não foi o melhor dia da minha vida, mas não estou tão na fossa quanto parece. Só perdi o musical aqui do lado, lotou.
– Lotou? Eu fui assistir ontem e nem curti tanto quanto pensei que ia curtir – Quem falava então era o ruivo cheio de anéis no outro canto. – Estou cheio desses musicais.
– Preconceito seu, seu dramático, eu “pago um pau” para todo mundo lá, o povo deve ter tido um trabalho imenso para cantar, dançar e atuar ao mesmo tempo – O que fez o convite replicou e uma pequena discussão começou enquanto o jovem se admirava, o povo falava de teatro como se falasse de futebol ou mulher e ainda davam risadas das conclusões que o outro dava.
– Podem dizer o que quiser, mas ator melhor do que o Zacarias aqui não tem não.
– Lá vai você de novo fazer o velho passar o mico. Mas pior que o velho é bom demais. Até eu queria ver essa. – O ruivo que disse isso já tinha cinco garrafas à sua frente e não falava embolado ainda, ao passo que o menino que tinha ido assistir ao musical e acabou num bar bebia a quarta Longneck.
– Seu Zaca, Seu Zaca, tem como o senhor fazer aquele discurso pro nosso novo amiguinho aqui. Ele ainda não viu.
– Porra Paulo, você gosta de empacar, não é verdade? – Era a loira do balcão. – Deixa o velho do Zaca em paz, depois eu sou obrigada a dar bebida para ele para acalmar o discurso. – A menina parecia repreender o ruivo, mas foi até ludibriante a mudança de aspecto da garota. – Mas o pior é que ele bom mesmo. Até eu já estou com saudades dos discursos.
– Posso falar? – O que agora era conhecido como “o novo amiguinho” tomou a palavra. – Eu preciso falar algo sério. Eu acabei dentro de um bar e não estou entendo nada. – E sorriu.
Zacarias, ou melhor, Zaca, era o velho que olhava estaticamente para dois copos de vodka. Sorriu e mostrou os dentes ainda inteiros. O que era incoerente com todo o resto do conjunto.
– Não estou a fim de discurso hoje, e vocês seus panacas não sabem diferenciar a beleza de um monólogo de um discurso. Eu lá sou político de dar discurso?
– Poxa seu Zaca, deixa de ser egoísta e divide conosco seu talento – O ruivo insistiu
– Vou ver se devo. Deixa-me tomar coragem. – E tomou a primeira dose de Vodka. A essa altura o amiguinho já estava a todo ouvido ao velho Zaca que parecia se preparar para entrar em cena. Perdeu um espetáculo para mil e quinhentos talvez, mas ganhou com exclusividade uma apresentação intimista à moda da casa.
A bebida pode ser infernal e ao mesmo tempo divina. Homens bêbados não mentem e quando o fazem o fazem mal. A bebida deixa os homens sinceros, que nem mulheres puras. Os sentimentos do nosso “amiguinho” era puros e com a bebida eram muito sinceros e com o êxtase da embriaguez era capaz de ouvir histórias e conversar ao mesmo tempo no qual também criava mil realidades em sua mente e com os olhos enxergava a realidade externa que achava melhor. Assim o fez quando o velho levantou e subiu na cadeira. Zaca suspirou como depois de um grito surdo e não era mais Zaca, era um velho qualquer que estava em cima de um palco e o palco era sua cadeira.
O velho Zaca pareceu morrer ao passo que outro homem, talvez não tão velho quanto ele parecesse nos olhos do homem que de trapos pareceu usar roupas de homem robusto e educado em colégios e universidades.

“Nunca repito um feito, não sou sobrenatural, mas considere-me como raio que nunca cai no mesmo lugar ou como um floco de neve que nunca é o mesmo onde quer que caia. Posso até ser uma folha qualquer de qualquer árvore por aí na Amazônia Brasileira ou Florestas Russas, que é única e se perder no meio de milhões, bilhões doutras. – Esse foi o início – Será que devo ser fiel de onde vim ou mentir a vocês as origens de minhas palavras? Seja como for vou conter-lhes somente minha versão da história, que é o que me vem em mente. Fazer jus ao local que me dispus a contar meu caminho seria interessante.  É em Macário que se diz que é no lodo do oceano que se encontram as pérolas e é aqui num bar que eu lhes entrego o tesouro que possuo, o único tesouro que possuo: minha história. Para a dor um copo de vinho e para a comédia da vida, uma cerveja bem barata. Que eu me lembre foi Confúcio que mencionou como  é importante não viver reclamando do que lhe é imposto em vida. Eu o desminto, pois vou fazer aqui uma reclamação: Não tenho mais um puto. Nem um puto para pagar uma puta tenho e devo isso a minha bestialidade infantil.
“Veja só. Percorri a Rússia toda – ‘Zaca mencionou a Rússia’ murmurou para si nosso jovem – A percorri no inverno em trens e fingi ser entre todos, o mais rico. Só para poder vingar-me do infeliz burguês que me matou em vida. Era um russo dos mais cultos de Moscou, casou-se e teve filhos e nem isso era o suficiente para querer tomar dos homens suas mulheres. Talvez eu minta aqui, ele não tomava ninguém, as vadias eram que se entregavam e abriam as pernas para o burguês. A minha amada era pura, eu era puro, e ela caiu em sua lábia e tornou-se uma vadia também. Diferente das outras que também eram atrizes perante os maridos, a bela não soube mentir e eu... Sabem que o amor tem como filho a dor? Ela sofreu um pouco na hora que a primeira facada entrou e depois foi só amor. As últimas palavras foram de arrependimento e amor, morreu perdoada e eu me matei em vida, sumi da cidade, não queria vergonha e aí me enfiei nos bares do interior, parei em Kiev, mas não demorou muito para eu perceber que seria um idiota se morresse ali, cresci e por meus meios consegui o que queria.  Hoje estou como antes, mais acabado, mais sem alma, o outro: de patrão foi a empregado, não aguentou e me poupou do trabalho que mais me instigava, e se matou. Covarde. Hoje eu vim parar aqui, e dessa vez nada mais quero. Só quero um pouco poder viver meu inferno e se alguém que nem você meu jovem amiguinho – apontou o nosso jovem personagem que perdeu o musical e ganhou um monólogo Russo – quiser saber o que vivo ou vivi, pode perguntar. Não sou mas idiota de negar experiências, cabe você acreditar ou não”. O silêncio no bar foi quebrado por aplausos dos poucos presentes e quando pensaram que a conversa voltaria ao habitual o ambiente continuou com magia do “se fosse real” O jovenzinho, agora movido a base cerveja “forte”, se levantou e começou a falar:

“Não vim aqui para saber o inferno de ninguém, mas talvez para poder também viver o meu. Matei-me sim, e também me considerei idiota. Amei sim, mas chame amor ao calor de contato corporal e lábios em chamas. Era burguês, mas qual o problema? não pedi para nascer endinheirado, nem tive culpa que meu pai enriquecesse. Não tive culpa de ser bem afeiçoado e dominar a literatura, de decorar poemas e discursos inteiros que conquistavam além dos meus trabalhadores, também as suas mulheres. Casei com a mais bela das solteiras e filha de aristocrata. Em festas era tido como atração e nunca destratei um amigo, mas sou homem e se uma puta se oferece para mim talvez eu não resistisse. A carne é fraca, mesmo com minha força e sua mulher – Ele apontou com força para o velho Russo no corpo de Zaca...” foi interrompido
“Não mencione minha mulher” – Não se sabia quem falou era Zaca ou o Russo.
“Eu a conquistei e dei a ela o que você não deu – A palavra voltou ao jovem – eu a dei sentimento, que nem à minha família tive, não dava mais nem valor ao meu dinheiro e você mente seu ignorante. Ela não te contou nada, você, obstinado a seguiu e a matou logo em seguida. Covarde sumiu e eu, sozinho de novo me fiz duro e frio, Viajei também, mas os seis meses no litoral me fez levantar e depois de anos veio a crise e compraram a minha fábrica.”
“Eu comprei a sua fábrica” – Zaca e o jovem estavam em pleno jogo dramático nesse ínterim.
“Sim, e eu de patrão virei empregado e você apareceu, mas sabe o que me dá mais prazer? Saber que eu tive ganas de me jogar no Volga e sumir para onde você nunca me faria um submisso. E agora eu estou aqui para te humilhar como você nunca imaginou. E que tenhas uma boa morte nesse ou em outro bar, esse sim é seu inferno. Eu já vivo o meu também, bem mais vingado que você.” – O jovenzinho pegou o outro copo de vodka que sobrara na mesa de Zaca e num gole só o tomou. Dessa vez não houve palmas, mas todos estavam atônitos, até o homem do jornal de duas semanas atrás parou para olhar. O silêncio constrangedor foi logo censurado com uma risada profunda de Zaca que disse rindo:
– Eu quero um brinde e aplausos pro jovem ator aqui. E vocês seus três mosqueteiros falidos, façam o favor de pagar a conta do moleque. É o mínimo que podem fazer pelo show que lhes foi dado. – E voltando-se para o “amiguinho do bar” disse – E como eu posso chamar o ator a minha frente?
E com um sorriso sarcástico, profundo e olhar ébrio o menino respondeu:
– Dê o nome que quiser, sou um cara qualquer que se embebeda por aí, às vezes sem motivos, para fazer histórias efêmeras, que talvez nem vão ser lembradas depois, quem dirá então que lembrarão meu nome?  Louco talvez seja o suficiente. Dê o nome que quiser. – E com mais um sorriso sarcástico saiu na rua para sentir o vento no rosto e ir encontrar os amigos para mais uma bebedeira por aí.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Na Igreja

No Sino da Igrejinha já se marcava três horas da tarde. Alguns costumam dizer que é a hora sagrada do dia. A igreja construída há 100 anos era bem destacada em meio aos prédios e a bagunça que a cidade ao seu redor inspirava. Era de tijolinhos de barro, um bem unido ao outro.
Foi nessa hora exata que um jovem, a passos curtos com cabeça baixa e olhos vidrados no chão entrou no salão e sentou-se no último banco. Uniu as mãos e continuou com a cabeça baixa.
Um grupo de senhoras estava em um grupo de oração. Acharam estranho nem o sinal da cruz o rapaz fazer ao entrar em uma igreja católica. Mas continuaram o que tinham para fazer apesar de algumas estarem mais prestando atenção ao menino do que na palestrante.
Uma mão do garoto cobriu os olhos enquanto a outra segurava seu casaco. Não era um rapaz pobre pelas vestes não, lembrava até alguns desses rapazes que você encontra no Shopping depois de uma sessão de cinema. De sua mão que cobria o rosto veio água que embebedou o casaco que estava na outra mão, o que se podia observar era o movimento continuo de seus lábios e um respiração curta.
O que ninguém sabe é o que ele estava pensando ou dizendo, mas era sincero em cada momento ali. Depois de um tempo que eu não sei responder qual era, o garoto levantou o rosto e limpou os olhos. Com o casaco nas mãos deixou o local e por ali nunca mais passou. O grupo de oração continuou ali.

domingo, 20 de março de 2011

Culpa - Nêmesis

Atualmente, o termo nêmesis é usado para descrever o pior inimigo de uma pessoa, normalmente alguém ou algo que é exatamente o oposto de si mas que é, também, de algum modo muito semelhante a si.

Como chegara ali não tinha noção. Só se lembrava do segundo shot de lícor que bebera em casa naquela noite, sozinho.
Quando abriu os olhos não quis mais dormir, enxergava toda a brancura de hospital e sues pesadelos daquelas noite faziam-no prefeir a morte. Não era alcóolatra, mas preferia perder os sentidos na bebida do que lembra-se do que ocorreu há um mês atrás quando, inconsequente, bebeu lícor e com sua irmã, pegou na direção do carro. Como nesse dia, acordou no hospital, contudo sua irmã não mais acordou. Erick não queria recuperação, só queria beber mais uma garrafa e pegar no carro. A culpa de sua imprudência deixara-o desconcertado.
Olhou para o lado e viu uma tesoura esquecida por algum enfermeiro. Dada as circunstâncias, fez da tesoura seu licor e de sua mão, seu carro. Doeu, porém teve alívio ao ver sua consciência esvaziar-se... Sem nunca mais pensar
.

sábado, 15 de janeiro de 2011

O Legado de Apolo

 Dionísio, o que você quer ser no futuro?  foi a pergunta da professora de religião, mas Dionísio não estava prestando atenção na aula e muito menos pensando em futuro.

 Não sei professora.  o garoto rico e rejeitado do colégio respondeu frustado. Ultimamente até seus professores mais chegados estavam se afastando daquele silêncio e pessimismo que estavam estampados na cara dele.

Dionísio tinha 14 anos e não pensava em nada que não estivesse relacionado às pessoas que ele invejava. Ele poderia ter tudo, mas não tinha amigos e não se preocupava com o futuro. Pra que preocupar-se com o futuro? Ele já está escrito, terminar a escola e fazer o curso de matemática na Universidade de Humboldt em Berlim na Alemanha, mas ele nunca falava sobre isso e quando perguntavam sobre seu futuro ele respondia que não sabia o que queria. Como eu disse, ele apenas se preocupava em invejar aquilo que não tinha.

 E você Pamela, o que ser na vida?  a professora perguntou para a garota mais inteligente da sala.

 Serei médica. Quero ser Pediatra. Adoro crianças!  Dionísio invejava a inteligência de Pamela.

A professora continuou a fazer as perguntas até que o sinal tocasse avisando que a aula ia terminar e os alunos poderiam ir para suas casas aproveitar a tarde da maneira que quisessem.

Depois de entrar no seu Meriva, com motorista particular, Dionísio refletiu sobre si, será que ele era mesmo um garoto estúpido e metido com todos e por isso não tinha amigos no colégio e quando, eventualmente, aparecia um, esse não durava uma semana.

 Gustavo?  este era o motorista de Dionísio, um pacato homem do campo que tinha uma longa experiência de vida e dava conselhos para Dionísio quando este pedia.

 Sim, senhor. No que posso ajudar?

 Eu sou um garoto metido?

 Senhor, por que está perguntando isso?

 É que não entendo a felicidade dos outros e eu acho que não sou feliz porque sou metido.

 A felicidade está em todas as pessoas, mas é preciso descobri-la.

 Não sei, às vezes você é feliz agora e amanhã já está com depressão, mas, às vezes você é infeliz pra sempre.

 Menino, não fale isso! Já estamos chegando, vai querer o que para o almoço?

 Nada, mas mande algo para o Teseu, ele deve estar com fome.

Teseu era o cachorro de Dionísio, um buldogue inglês que recebia todas as mordomias que um ser humano de alta qualidade de vida recebia.

Os porquês estavam enchendo a cabeça de Dionísio cada vez mais, ele pensava no Porquê de Pamela ser tão inteligente e ele não, pensava no porquê de Tales ser popular e bonito e ele não. O que ele poderia fazer para as pessoas também olharem para ele?

Sua casa num condomínio fechado possuía cinco quartos e três salas. Sua mãe morreu quando ele tinha três anos e seu pai sempre viaja e fica muito tempo fora, ou na Suíça ou na Alemanha por causa das negociações com sua empresa multinacional.

Seu quarto era ornamentado por vasos caros e antigos de seus avós e bisavós, Tinha uma coleção de DVD de filmes de diversos gêneros e ainda possuía um dos melhores computadores do mercado. Mas hoje ele não estava com cabeça para nada.

Ao entrar no seu quarto deixou a mochila de lado e foi direto para a sacada. Ele precisava respirar direito. Precisava pensar tudo o que nunca pensou, rever sua conduta até ali e mudar. Na frente de sua casa duas crianças brincavam felizes de pega-pega, ele nunca brincou disso.

Por dentro Dionísio gritava tão alto que sua pele branca começou a corar, seu sangue começou a latejar em suas veias e a raiva subia à sua cabeça na mesma velocidade que seu coração acelerava.

Ele correu para o quarto e começou a destruir tudo que via na sua frente, seu computador, seu espelho, seu travesseiro. Dionísio gritava e gritava de raiva, sem pensar atirou no chão, sem dó nem piedade um de seus vasos da família, mas qual não foi a surpresa de Dionísio quando de dentro do vaso uma corrente surgiu.

Dionísio esqueceu que estava com raiva e pegou aquilo que para ele era um tipo de amuleto nas mãos.

 É lindo!  exclamou.

A corrente com um símbolo de prata ao meio e um cordão emborrachado ao redor chamaria a atenção de qualquer um. O símbolo redondo era feito de prata, provavelmente pura.

 O que aconteceu por aqui?  era Gustavo na porta, mas Dionísio nem deu a mínima para ele.  Ah não, Dio! Você quebrou tudo. Vou chamar a empregada para arrumar essa bagunça, agora vê se dá uma saída pelo condomínio para deixar ela trabalhar em paz.

Dionísio não perdeu tempo para esconder aquela corrente e sair pelo condomínio para achar um lugar onde pudesse examinar melhor aquele objeto. Não demorou muito para encontrar uma árvore qualquer e observar cuidadosamente o círculo de prata.

 Isso deve ter sido de um de meus avós.  observou.  Deve ter sido importante para ele ter escondido. Vou usar, não sei o motivo, mas isso me deixa tranqüilo.

Mal sabia Dionísio o que aquele amuleto podia fazer.

O dia seguinte amanheceu escuro, com nuvens cinzas por todo o céu. Não chovia, mas estava frio. Dionísio não iria para a escola se não fosse a prova de Ciências que teria. Ele já amanheceu reclamando da vida e principalmente que seria impossível colar de Pamela ou Róger, já que sentariam ao lado do professor.

Quando chegou no colégio viu Luísa, a garota mais bela e mais cobiçada do Fundamental. Dionísio tinha uma queda imensa por ela. Ele estava com uma cara de chateado, a única coisa que o animava era a tal da corrente que ele levava no bolso transparente da mochila.

 Ei, o que é isso?  Tales perguntou para Dionísio apontando a corrente na mochila. Dionísio ficou surpreso, por que Tales queria saber aquilo? Ainda mais porque ele nunca falou com Tales. A resposta de Dio não foi das mais educadas.

 Não é da sua conta!  depois disso se virou e saiu. Tales o segurou pela mochila e pegou o amuleto no bolso da mochila.

 Ei, devolve isso.  Dionísio virou tão rápido e tomou o amuleto da mão de Tales que todos que estavam em volta pararam para olhar. Antes que Tales brigasse pelo objeto, Dio o colocou no pescoço. Qual não foi sua surpresa quando olhou dentro dos olhos de Tales e tudo pareceu parar.

Dionísio pensou ter mergulhado na imensidão dos negros olhos do garoto que ele invejava. Viu Tales num avião sobre a Torre de Belém, em Portugal. Viu Tales com uma linda mulher e duas crianças de olhos negros e viu Tales escrevendo algo que parecia ser um livro.

Da mesma forma que tudo isso surgiu, rapidamente, também desapareceu, e lá estava ele, Tales e todos os espectadores daquela cena que poderia tornar-se uma briga.

Tales ainda levantou a mão para Dio, mas de repente ficou pálido, virou-se e saiu. Mais pálido ainda, só Dionísio que saiu dali às pressas e ninguém entendeu o que aconteceu.



Dionísio sentou embaixo da primeira árvore que encontrou, apesar de não ter entendido muito do que aconteceu, gostou disso. Ele examinava com muito mais cuidado aquele objeto de prata em suas mãos e sabia que era algo diferente.

Sim! Era algo diferente, ele viu o futuro.

Dionísio não usou a corrente por uma semana, não por não ter gostado do que aconteceu, pois ele gostou, mas por medo de Tales suspeitar do que tinha acontecido, afinal de contas, Tales também ficou assustado com tudo. Mas, às vezes, o desejo de sentir prazer é mais forte do que o medo do perigo e ele levou o amuleto de volta para a escola, mas precisava de uma cobaia para testar o objeto. Seria Pamela. Mas como chegar perto de Pamela e falar diretamente com ela? Só havia uma maneira, usar do estudo para isso.

 Agora peguem seus livros de matemática e façam os exercícios 13 e 14 da página 121.  O professor falou.

 Pamela, eu poderia sentar com você? Eu esqueci meu livro em casa.  Dionísio pediu, não havia como Pamela dizer não.

Dionísio se abaixou pegou seu caderno e aproveitou para discretamente colocar a corrente que escondeu por baixo do uniforme. Sem um contato direto ele falou:

 Então você quer ser Arquiteta, não é mesmo?

 Não, mas vamos fazer a lição, não estou aqui para falar do meu futuro.  foi a resposta “amiga” de Pam.

 Não precisa ser ignorante.  Dio falou num tom de provocação.

 Eu não estou sendo ignorante!  Pamela falou num tom mais alto. Foi neste momento que Dio olhou diretamente nos olhos dela e aí você já sabe, ele se sentiu mergulhando naqueles olhos. Bom, Pamela seria mesmo uma médica, mas nunca casaria. Teria muitos amigos e colegas, mas nunca encontraria a felicidade que desejava.

Não precisa nem dizer que ele amou o amuleto cada vez mais e se acostumou a usá-lo. Sempre que podia via o futuro das pessoas. Helena seria mulher do Governador, Ricardo seria ator, Luísa seria bióloga e Rose seria garota de programa. Dionísio se divertia, mas toda vez que ele via o futuro de uma pessoa, mais ficava curioso com o seu e se perguntava porque ele não estava no futuro dos outros.

“Será que eu morri?” Era o que ele se perguntava. Dionísio temia que isso fosse verdade. Essa curiosidade foi crescendo cada vez mais, porém ele não sabia como poder ver seu próprio futuro com aquele objeto de seus descendentes. Até que teve uma idéia: o espelho.

Dionísio nunca parou para ter medo de seu futuro, mas daquela vez estava. Com seu cordão de prata no pescoço e apenas um shorts de praia ele parou de frente do espelho e olhou para seus próprios olhos. Aconteceu que quando ele “mergulhou” nos seus próprios olhos ele viu um homem diferente ali. Não era ele, pelo contrário era um homem alto, forte e belo, este estava com uma harpa na mão. Pela primeira vez Dio conseguiu falar durante suas visões e ele conversou com aquele homem.

 Q... Quem é você?  gaguejou Dionísio.

 Apolo e você?  o homem falou.

 Me chamo Dionísio.  Dio se beliscou para ver se era um sonho. Não era.

 E por que você procura saber o futuro?

 Como você sabe disso?  Dio perguntou.

 Nem sempre o futuro é bom, você quer saber o seu?  Dio estremeceu, será que iria morrer jovem mesmo ou aquilo era uma loucura ou um sonho.

 Me deixe em paz.  e foi assim que Dio voltou a si. Ele estava com muito medo de tudo e a primeira coisa que fez foi jogar o “maldito” amuleto pela janela do quarto. Quando se virou o amuleto estava em cima de sua cama. Isso parecia ser uma praga agora que Dio não estava mais gostando a idéia de futuro.

Algumas semanas passaram e Dio voltou a pensar em usar o amuleto. Ele falou para si: “Será a última vez”. Na escola, mais precisamente no pátio ele colocou a corrente e foi falar com Luísa. Ele estava com o coração batendo forte.

 Oi Dio, por que você faltou ontem?  algumas pessoas já estavam falando um pouco com Dio, umas delas era Luísa. Dio nem respondeu a pergunta e olhou diretamente nos olhos de Luísa, antes do tal “mergulho” alguém tocou no seu ombro, mas Dio já estava vendo uma cena. Luísa trabalhando num zoológico e sendo picada por um cobra, e ele viu o velório dela.

A pessoa que tocou Dio era Tales, Quando Dio olhou pra Tales viu ele levando um tiro na cabeça e caindo morto no chão. Dio estava amedrontado e aquilo não parava e agora não era mais necessário olhar dentro dos olhos de ninguém para ver ser futuro. Todos ali morriam, uns com facadas, outros com tiros, alguns tomando veneno outros sendo sufocados, tudo isso por um mesmo homem, o mesmo que soltou a jararaca que picou Luísa e deu o tiro em Tales e esfaqueou Pamela. Esse homem era Dionísio.

 NÃO!  exclamou Dio e saiu correndo e chorando para o banheiro que estava vazio. Olhou para o espelho e disse:  Me deixa em paz, eu só queria ser feliz, eu queria amigos, não vítimas de assassinatos que eu vou cometer, me livra disso.

Dio voltou a ver o homem com a harpa. Ele olhou para Dio e falou:

 Agora você pode ver o futuro Dio, você já sabe como vê-lo. Enterre isso e esqueça de tudo, você estará bem.

No mesmo dia Dionísio pediu para Gustavo levá-lo cemitério de sua mãe. Ali ele enterrou aquele amuleto e disse olhando para o túmulo de sua mãe:

 Mãe, talvez eu não tenha sido o filho que a senhora gostaria que eu fosse, mas agora eu serei o filho que você quer que eu seja, onde quer que você esteja, te amo.

Dionísio cresceu forte e maduro, fez amizades que durariam para o sempre, como Tales, Pamela e Luísa, com quem infelizmente nunca namorou, Dionísio viu que não há lado ruim na vida, nós é quem fazemos o lado bom parecer triste, pois só nós somos os responsáveis pelo nosso caráter que constrói a vida. E é claro que tudo que Dio viu com aquela corrente foi ilusão.

Dionísio aprendeu muito com tudo que aconteceu, o futuro não se constrói com memórias que ainda não vivemos, pois não há futuro, há somente o agora.













*Apolo é o deus grego do sol e da música, é o mais belo dos deuses e pode prever o futuro.


segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Em busca do amor

Ele não era triste e sabia disso, ele era alegre e possuía qualidades e habilidades adiquiridas que eram invejáveis. Podia não ter tudo da maneira que quisesse, sua anciedade podia matá-lo, mas ele aprenderia que tudo tem seu tempo.
Ele olhava pela janela e não via ninguém, só folhas levadas pelo vento e nada mais. Ele começou a reparar que seus amgios e amigas viam algo a mais do que ele, na realidade, ele começou a ver que eles viam uma epssoa em especial, que eles estavam sendo amados e amando bastante, mas ele não. O amor ele tinha, só não tinha quem amar, às vezes passava alguém pela sua janela, olhava e às vezes se aproveitava do amor do jovem, mas logo iam e com eles levavam algo do menino, até que um dia ele se cansou e fechou a janela, e foi aí que olhou no espelho e era ele quem ele devia mais amar, sorriu e olhou pelo vidro da janela. Aquelas pessoas que o roubaram estavam lá, e a chuva começou a cair, ele deitou na cama, ligou a tv e percebeu que assim era completo, na sua casinha com vista para rua e para uma arvore em seu quarto com chão de madeira.