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terça-feira, 16 de abril de 2019

A preparação do ator

No SENAC - SP, os alunos passam mais de 1 ano e meio estudando matérias pertinentes a àrea de interpretação. Sendo que o "método" abordado é do Russo Konstantin Stanislawsky. Ele escreveu alguns livros sobre seu sistema que é famoso em todo o mundo, e Inclui-se o livro "A preparação do ator". Abaixo há um resumo por capítulos do livro com algumas citações tiradas da obra ou paráfrases e conclusões sobre alguns temas tratados.
Não queremos colocar o sistema que estudamos como regra, o próprio Constantin dita isso, mas para refrescarmos a memória é sempre bom ter algo em mãos. Bom proveito.

A Preparação do Ator
Constantin Stanislavsky

“Ele [o sistema] só tem utilidade quando se transforma numa segunda natureza do ator, quando este deixa de se preocupar com ele e quando seus efeitos começam a aparecer naturalmente em seu trabalho”.


Diretor Tórtsov junto ao seu assistente, Rakhmanov, dá aulas de arte dramática para Gricha Govorkov, Sônia Valiminova, Vânia Viuntsov, Paulo Chustov, Leão Puchcin, Maria Maloletkova, Nicolau Umnovik, Dacha Damcova e o narrador da história Kóstia Nazvanov

Capítulo 1 – A primeira prova

“É difícil despertar a vontade criadora; matá-la é facílimo”.
“O ator deve ser como um soldado e submeter-se a uma disciplina férrea”.

Dicas:
Evitar ansiedade
Ter objetivo em palco quando atuar
Evitar a mecanização de ações
Evitar a o início da criação pelo que é externo e não interno
Evitar Estrelismo
Olhar e escutar o outro em cena

Capítulo 2 – Quando atuar é uma arte

“A melhor coisa que pode acontecer é o ator deixar-se levar pela peça inteiramente”.
“A nossa arte nos ensina, antes de qualquer coisa, a criar conscientemente e certo, pois esse é o melhor meio de abrir caminho para o florescimento do inconsciente, que é a inspiração”.
“Representar verdadeiramente significa estar certo, ser lógico, coerente, pensar, lutar, sentir e agir em uníssono com o papel!”
“Infelizmente, no mundo, o mau gosto é muito mais comum do que o bom gosto”.
“Nunca se permita representar exteriormente algo que você não tenha experimentado intimamente e que nem ao menos lhe interessa”

O capítulo trata do “atuar consciente”, de como é importante a preparação física do ator e como é perigoso a simples imitação ou fixação de movimentos pra definir sentimentos, os carimbos os clichês e estereótipos que se tornam base do trabalho de alguns atores. O capítulo também cita a importância de viver o papel a cada instante que o representamos e em todas as vezes. Tortsóv deixa bem claro como o estrelismo tem que ser banido da vida de um ator.

A ser considerado para estudo de Circunstâncias Dadas podemos citar:

o   Época
o   Tempo
o   País
o   Condições de vida
o   Antecedentes
o   Literatura
o   Psicologia
o   Alma
o   Sistema de vida
o   Posição social
o   Aspectos exteriores
o   Caráter
o   Costumes
o   Modos
o   Movimentos
o   Voz
o   Dicção
o   Entonação

Capítulo 3 – Ação

“A imobilidade exterior de uma pessoa sentada em cena não implica passividade”.
“Muitas vezes a imobilidade física é resultado direto da intensidade interior e são essas atividades íntimas que tem muito mais importância artisticamente”.
“Não atuem de um modo geral, pela ação simplesmente, atuem sempre um objetivo”.
“Todo aquele que deveras é um artista, deseja criar em seu íntimo outra vida, mais profunda, mais interessante do que aquela que realmente o cerca”.
“No início esqueçam seus sentimentos. Quando as condições interiores estiverem preparadas e certas, os sentimentos virão à tona espontaneamente”.
O “se” que cria a possibilidade do mágico, impulsiona a imaginação e estimula o subconsciente.
Nós como atores devemos aprender saber os momentos ideais para dar risada e do que. Termos foco no trabalho é essencial e saber separar o que é o profissional do pessoal é essencial.

Capítulo 4 – Imaginação

A imaginação é essencial para os atores
“[o ator] terá de desenvolver a imaginação, ou então desistir do teatro”.
A minha imaginação tem iniciativa? Será questionável? Desenvolver-se-á espontaneamente? A imaginação tem que ser ativa além de passiva.
O Subtexto: Entender e acreditar no histórico da personagem, imaginando-a.
É necessário fazer-se perguntas a todo instante, criando imagens com a criatividade.
“Até mesmo um tema passivo pode produzir um estímulo interior e incitar-nos à ação”.
“Nossa arte requer que a natureza inteira do ator esteja envolvida, que ele se entregue ao papel, tanto de corpo como de espírito”.
“Se pronunciarem alguma fala ou fizerem alguma coisa mecanicamente, sem compreender plenamente quem são, de onde vieram, por quê, o que querem, para onde vão e que farão quando chegarem lá, estarão representando sem a imaginação”.

Capítulo 5 – Concentração da atenção

“Para fugir do auditório você tem de ficar, interessados em alguma coisa no palco”.
“O ator deve ter um ponto de atenção e esse ponto não deve estar no auditório”.
“Nada de perguntas desnecessárias, o ator deve ser bom de cálculo”.
“Nunca, por um segundo sequer, fiquem sem fazer nada”.
“O talento sem o trabalho nada mais é do que matéria-prima sem acabamento, no estado bruto”.
“O ator deve ser observador não só em cena, mas também na vida real”.
“Sou um artista, preciso de material capaz de tocas minhas emoções”.
Temas como “Solidão em público”, “Círculos de atenção”, “Atenção exterior e interior” e o “Recordar” (que é um trabalho prolongado e sistemático) são levados em conta nesse capítulo.

Capítulo 6 – Descontração dos Músculos

A rigidez muscular interfere com a experiência emocional interior. Nas pessoas nervosas de nossa geração essa tensão muscular é inevitável.
“Nos trechos de grande tensão é ‘particularmente necessário conseguir um libertação muscular total’”.
Esse hábito de relaxamento e descontração muscular deve ser feito dia-a-dia. Estudar ossos e partes do corpo seria interessante para a preparação do ator.
“O ator como a criancinha, tem de aprender tudo desde o começo, a olhar, a andar, a falar, etc. Nós todos sabemos fazer essas coisas na vida comum. Mas infelizmente em nossa grande maioria, fazemo-las mal. Um motivo é que qualquer defeito surge muito mais perceptível sob a plana luz da ribalta e outro é que o palco exerce uma influência no estado geral do ator”.

Capítulo 7 -  Unidades e Objetivos

“É tão impossível reduzir a uma só bocada um peru inteiro, quanto uma peça de cinco atos”.
“Quanto mais seco ficar o papel, mais ‘molho’ será necessário”.
“Lembrem-se que a divisão é provisória, nem o papel e nem peça podem ficar em pedaços”.
“Não decomponham uma peça mais do que o necessário, não usem detalhes como guia. Criem um canal delineado com divisões amplas, que tenham sido minuciosamente elaboradas e preenchidas até o último detalhe.”
Só na preparação do papel que usamos essas tais divisões de unidades.
Sempre repassar os pontos principais e se perguntar o que é essencial na peça?
 “O erro cometido pela maioria dos atores é o fato de pensar nos resultados, em vez de apenas na ação que deve preparar”.


Objetivos devem ser:

o   Dirigidos aos atores e não espectadores

o   Pessoais e Análogos aos da personagem

o   Artístico, verdadeiro, real, vivo e Humano.

o   Ser atraente, comovente e claro.

Às unidades é importante darmos nomes, esses com emprego de verbo de ação (querer, por exemplo)

Capítulo 8 – Fé e Sentimento de Verdade

“Há a verdade cênica, que é verdadeira, mas que tem a origem no plano de ficção imaginativa e artística”.
O sentimento é importante. Verdade no teatro é verdade cênica: “A verdade em cena é tudo aquilo em que podemos crer com sinceridade, tanto em nós mesmos como em nossos colegas”.
O processo de buscar começar pelo interior é chamado: “justificativa do papel”.
"Precisamos de verdade no teatro, até o ponto que podemos acreditar nela”.
“Procurem a falsidade ‘apenas até o ponto em que isto os ajude a encontrar a verdade’”.
“Os jovens, tão impacientes, procuram agarrar de uma vez toda a verdade interior de uma peça ou de um papel e acreditar nela”.
“A linha lógica de ações físicas não deve ser interrompida nem em cena, nem nos bastidores.”
“Cheguem à parte trágica do papel sem estremeções dos nervos, sem sufocações, nem violências e, sobretudo, não o façam de repente. Encaminhem-se para o que é gradual e lógico”,

Capítulo 9 – Memória das emoções

“Embora os nossos sentidos do olfato, paladar e tato, sejam úteis, e até mesmo importantes algumas vezes, o seu papel em nossa arte é simplesmente auxiliar, e tem por objetivos influenciar nossa memória das emoções”.
“O tempo é um esplêndido filtro para os nossos sentimentos evocados Além disso, é um grande artista. Ele não só purifica, mas também tresmuda em poesia até mesmo as lembranças dolorosamente realistas.”
“Dirija seus esforços no sentido de criar uma inspiração nova e fresca para o dia de hoje.”
Temos a semente de todos os sentimentos em nós.
O ambiente exerce grande influencia em nossos sentimentos.
O cenário tem a função de atrair a atenção do ator para o palco, fazê-lo mais concentrado e evocar e facilitar o despertar dos sentimentos do ator em cena.

Importante para que o ator construa uma personagem:

o   Criar condições para uso correto dos sentimentos

o   Unidades

o   Círculos de Atenção

o   Crença na ação física

o   Subtexto

o   Condições impostas (teatro, iluminação, etc.)


Capítulo 10 – Comunhão

“se os atores deveram querem prender a atenção de uma plateia, devem fazer todo o esforço possível, para manter, uns com os outros, uma incessante troca de sentimentos, pensamentos e ações”.
“O ator não deve ser mutilado, deve ter todos os seus órgãos”.
A energia do ator se expande e é compartilhada em forma de raios e irradiação.

Capítulo 11 – Adaptação

“Vocês devem aprender a se adaptarem às circunstâncias”
O fator da imprevisibilidade: “O elemento surpresa é tão curioso e eficaz que a gente se persuade de que essa nova forma é única interpretação possível para aquele trecho”

Capítulo 12 – Forças Motivas interiores

O ator deve sempre estar apto a fazer novas suposições quando fatigado de alguma cena ou peça.
As três forças motivas interiores: A mente, Os sentimentos e a Vontade.

Capítulo 13 – A linha contínua

O papel deve ter uma linha contínua
Quando dado o papel o ator deve sondar a alma do papel
“A atenção do ator está constantemente passando de um objetivo para outro. È essa constante mudança de focos que constitui a linha contínua, se um ator se apegasse a um objeto só, durante todo um ator ou uma peça, ele seria espiritualmente desequilibrado, vitima de uma ideia fixa”.

Capítulo 14 – O Estado interior de criação

O trabalho teatro em público sugere a verdade artística (desejável), mas geralmente vem da evitável artificialidade teatral.
A maioria dos atores lembra-se apenas da caracterização externa da personagem antes de subir aos palcos, por que não podem também preparar o interior antes das apresentações tal como fazem com o corpo?
Antes de subir em cena vale a pena perguntar-se sobre a segurança em determinados trechos, se sente ou não sentimento em determinadas ações, se é necessária alguma adaptação de algum detalhe imaginativo.

Salvini disse: “O ator vive, chora e ri em cena e, o tempo todo, está vigiando suas próprias lágrimas e sorrisos. É esta dupla função, este equilíbrio entre a vida  e a atuação que faz sua arte”

Capítulo 15 – O Superobjetivo

O tema principal deve estar firmemente plantado no cérebro do ator durante toda a representação. “Logo, os pequenos objetivos, as unidades, e a trama em si, deve-se encaminhar para esse superobjetivo”.

Capítulo 16 – No Limiar do Subconsciente

O capítulo trás muito sobre quando a atuação inconsciente, a inspiração, aparece no palco, e quando ela passa a ser de grande valia para o ator.
"O Objetivo principal da nossa psicotécnica é colocar-nos em um estado criador no qual o nosso subconsciente funcione naturalmente”
Em palco o ator vê-se alternando momentos de verossimilhança com de sinceridade, probabilidades com fé.
Os medos e dúvidas em relação à peça e ao autor atrapalham o trabalho do ator.
“O ator deve achar por si próprio o tema principal da peça [...], deve se colocar numa vida análoga à da personagem, caso precise, que faça suposições”.
“O que precisamos é de um superobjetivo que se harmonize com as intenções do autor e ao mesmo tempo desperte repercussão na alma dos atores. Isso significa que temos que procurá-lo não só na peça, mas, também, nos próprios atores”.
Algumas pessoas tem um Objetivo Supremo na Vida. Mas ninguém pode infringir as leis da Natureza.

sábado, 11 de agosto de 2012

Meu corpo todinho

Foram quatro meses resumidos em três dias. Quatro meses onde os nervos de todos, em maior ou menor grau, foram testados.
Inicialmente não era o texto que eu gostaria de trabalhar, mas com o tempo decidi me divertir apesar de todo o stress carregado por mim nesses meses, pressões de todos os lados e naquelas 12 horas semanais a tentativa de me desligar do mundo e apenas me concentrar naquele objetivo.
Pensam que ser ator é fácil, tem tanta coisa além do simples fato de decorar textos e representá-los de qualquer maneira.
Agora são as férias e logo menos, uma re-apresentação do espetáculo. Foi uma experiência marcante e tomo todas as coisas boas e ruins para aprendem com elas. Mesmo o cenário caindo no terceiro dia (risos extremos), tudo valeu a pena. Esses amigos que fiz tem um lado do meu peito guardado pra eles, e o teatro já tem meu corpo todinho!



terça-feira, 15 de novembro de 2011

5 passos para a construção da personagem

Em uma aula de retomada em interpretação nos foi proposta uma redação sobre cinco passos essenciais na construção da personagem. Gostei do que escrevi e tomo para mim esses cinco passos hoje na hora de pensar sobre criar um papel. Vou postar aqui com intuito de fixar o que escrevi no papel e consultar sempre que eu precisar. Quem o ler que aça bom proveito e lembre-se que o que escrevi não é regra, nem para mim, mas sim um mapa que pode me ajudar ainda muito na arte dos palcos. Bom proveito

A preparação do ator como ator e pessoa
Podemos perceber o quanto um ator almeja estar nos palcos e facilmente se deslumbra com sua própria atuação, deixa-se levar pelo público ou mesmo o extremo oposto. Em uma das primeiras discussões que tive no curso de teatro a questão sobre "o que é ser ator" foi posta em debate e nenhuma resposta fechada ou verdade absoluta foi acatada. Antes mesmo de uma construção de personagem, o ator como pessoa deve preparar-se para o inicio do estudo da arte dramática. Tomemos como exemplo uma plantação. É raro um terreno não cuidado ou sem preparo algum dar uma boa colheita. O mesmo serve para o ator sem preparo que confia plenamente na sua inspiração e seu subconsciente. Ao seu treino cotidiano de observação, treino físico, estudo em relação ao que o teatro representa e o seu peso em meio à sociedade, é que devemos colocar uma primeira atenção. Assim, com o terreno preparado é que um ator consegue dar inicio à pesquisa e criação de uma personagem.

O estudo consciente
Quem diz que ator não estuda, mente. Estudar um papel e tudo que envolva  tanto a personagem, peça e criação é de extrema importância. Esse período envolve muitas partes de um estudo consciente que só tem a ajudar e acrescentar ao desenvolvimento de uma atuação que tem uso do subconsciente também. Por isso é necessário um estudo profundo do texto (caso haja) e do sub-texto, do dramaturgo, do personagem, das circunstancias dadas, de cada unidade que o texto nos proporciona, assim como dos objetivos que cada cena ou cada ato pode ter levando sempre à algo maior, um super objetivo: O que eu quero dizer coim toda essa encenação? O que o autor quis dizer com essa peça? Aonde quero chegar? Esse processo de estudo é exigente, visto que quanto mais nos apropriamos do conhecimento geral e especifico de uma personagem, mais temos a liberdade de criar em cima dela sem cair em tantas armadilhas.

A crença no que pode ser real
A experimentação é fundamental e é claro que o ensaio (que aqui não chamo de repetição, já que o objetivo é que cada vez que re-feita uma experimentação, esta deve ser acrescentada) contribui plenamente para a construção. Buscamos sempre o sentimento da crença naquilo que atuamos, procuramos viver como o personagem, nos colocar no lugar dele e usamos de "ses" tidos como mágicos que tentam a todo momento deixar nossas ações e sentimentos análogos aos da personagem que atuamos. Por vezes acabamos racionalizando em demasia, mas esquecemos da lei da ação e reação que é muito presente na vida real e deveria ser no palco. A encenação é uma busca constante pela essência e pela alma, pelo que verossímil (consciente) e sincero (inconsciente). Buscamos a fé no interior, que é real.

A interação existe
Percebemos que esse processo de preparação e criação parece um tanto individual. Parece que o ator por si só pode buscar todas as ferramentas necessárias para uma criação completa, mas no teatro também há ferramentas necessárias para uma criação completa, mas no teatro também há interações. Mesmo em um monologo há uma plateia e mesmo havendo um espectador apenas, há torcas, tanto diretas quanto indiretas. Elas [as interações] são constantes. Já dizem por aí que os olhos são a janela da alma e atores quando em comunhão direta entre si e indireta com o público deixam isso transparecer a todo momento. Fazem adaptação sem necessidade de distanciarem-se do papel, tem uma comunicação efetiva e ainda permitem-se viver de fato o papel em cada ato e palavra e mesmo em silêncio. Essa comunhão também é individual e é perceptível tanto para quem atua como para quem vê.

Coerência
Tomo a liberdade de dizer agora uma opinião muito pessoal sobre o processo de construção da personagem. Eu sempre tomo a coerência como um parâmetro essencial a ser seguido em qualquer área da vida, mesmo no processo de criação e construção da personagem. Temos que buscar uma linha ininterrupta em relação à preparação e a criação. Como já mencionei é a lie da "ação e reação". Em uma personagem por exemplo, há uma passado e desejos de um futuro além do momento em que se vive e neles todos há uma coerência de fatos que se sucedem. Sem essa coerência há sempre quebras que atrapalham o ator e o processo,. A coerência só vem ajudar nossa criação, sempre.

Ser ator, criar, participar de um processo e viver em meio à arte é uma construção que não termina, é um caminho sem fim, temos que estar cientes disso e procurar através de nossos meios e pesquisar achando a melhor trilha a percorrer. Esse processo, esse sistema não é uma regra absoluta, isso já nos é deixado claro, a busca do perfeito é constante e eterna. Novas opções surgem, mas quando bem preparado e o ator sabendo seus objetivos opta pelo caminho mais seguro, dentro de suas pesquisas, estudos, vivencias e experimentações.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Uma apresentação pública

Inicialmente, parabéns atores pelo seu dia. Mais uma data que colocam no calendário, no fundo não há dia para se comemorar uma profissão. Mas hoje em especial eu comemoro.
Pela manhã houve nossa tão esperada aula aberta de interpretação dramática. Foram apresentações de cenas trabalhadas em aula. As cenas do "Cala a Boca já morreu" de Luís Alberto de Abreu e também cenas que nós mesmo criamos.
Após um aquecimento de corpo e voz e "entrarmos" em nossas personagens iniciamos a aula com cenas. Quase todas as cenas tiveram erro de texto, mas poucas delas perceptíveis. Bom, minha cena é uma gravação de um filme, onde uma mulher tenta se jogar do viaduto do chá e é impedida pelo caipira que confunde tudo. Meu personagem é o radialista que cobre o "suicídio". Foi bem preparada e o erro foi bem pequeno, mas deu certo e  fomos elogiados. Acho que acabei subindo muito para os agudos, sem um controle de ar. Isso foi inevitável, mas a presença em palco não era de todo ruim.
Foram cinco cenas: A do barco e mãe judia, a da Carolzona, a do metrô, a do jardim  e por fim a da balada. Não participei em nenhuma mais.
Fiquei um pouco triste por isso, mas mesmo assim quantidade não é qualidade, visto que estudei stand in em sala de aula, né?
Agora partimos para uma segunda fase de nosso aprendizado, uma segunda parte que vai exigir o dobro de dedicação. Estamos quase acabando as aulas de corpo, mais da metade de história do teatro já foi e iniciaremos a segunda parte de voz. Virá maquiagem e nossa preparação de cenas de final de módulo. Ao que me parece eu e a Natália encenaremos juntos uma cena de "O despertar da primavera". O cabelo também o fará com a Natália, seremos o mesmo personagem, mas em cena diferentes. Domingo está aí e estudaremos o texto e o autor. Estou bem animado com o projeto e vou dar meu melhor.

domingo, 14 de agosto de 2011

O que eu não pude escrever em resumo

Aulas e mais aulas. Tantas responsabilidades e compromissos assumidos em tão pouco tempo. Digamos que eu tenha até que parado de escrever mais detalhadamente sobre as aulas de teatro. Isso era previsível, o que eu não posso e não não farei é cessar os acontecimentos nesse meio tempo.
Academicamente falando estudo hoje o primeiro módulo do curso Técnico em arte Dramática do Senac-SP, até aí, ótimo. Nesse bloco formado por cinco matérias estou eu andamento em quatro.
Expressão corporal, Expressão vocal, História do Teatro e Interpretação.
Voltamos de férias de Expressão corporal e improvisamos algo que não foi muito bem aceito nas aulas de interpretação, onde mentimos na rua para provocar ou observar as reações de outras pessoas. Vou exemplificar com um dos exercícios que deram certo ao meu ponto de vista e onde eu estava presente.
Em um ponto de ônibus estavam vários de nós. Eu recebi uma ligação imaginária como se minha tia tivesse acabado de ser internada e a Maria vendo minha situação me ajudou, porém começou a chorar como se o pai dela tivesse morrido com a mesma doença que minha tia imaginária. Em paralelo, a Helô acabava com o Cabelo em uma briga meio sem sentido, mas com efeito. Fora do ponto ele retornou a ligação e ela ameaçou o trair, saindo do ponto acompanhada pelo Janjão. Depois, apenas o Fernando e o Rodrigo ficaram no ponto colhendo os resultados das cenas que era o comentário do pessoal que ali estava.
A aula recebeu críticas duras e com certo sentido, porém teve resultados interessantes, como a descontração e volta de energia que por alguns parecia perdida.
Estamos agora experimentando um pouco mais nosso sentidos em seminários por nós preparados. Passamos por paladar e audição e amanhã será olfato e tato (participo do grupo Olfato). Então voltarei a comentar sobre os exercícios.

Em voz, estamos de férias por esse mês. Não acho necessário postar detalhes de cada aula passada, até porque das sete eu faltei duas e meia, o que não pode acontecer e sinto-me profundamente envergonhado por tal atitude. Mas o que posso assegurar é que estamos buscando aperfeiçoar e conhecer nossa voz. Usamos a palavra RESSOAR como base, que envolve respiração, Ressonância, Articulação, Projeção e etc. Através de exercícios contínuos e diários estamos buscando melhores apoios para colocar nossa voz e conhecê-la melhor.
Em paralelo, comecei a estudar canto com a Maria que ao meu ver é uma ótima profissional na área, além d e uma amiga e pessoa a quem eu admiro muito. Por isso um post chamou-se "voz Branca" por que ela está tentando me ajudar a moldá-la assim como a Cristina, professora de voz e fonoaudióloga do Senac.

Em História, temos passado por diversos seminários, mas não cabe a mim discuti-los agora, pois além de ser muita coisa estou tentando entendê-los aos poucos. Amei, por exemplo, Shakespeare e comprei sua obra completa para estudar mais a fundo. Numa primeira leitura é impossível, mas aos poucos compreenderei mais sobre esse mundo assim como os outros movimentos teatrais nesse mundo e nesse país que é o Brasil.

A Construção da Personagem

Tomei a liberdade de começar a ler a construção da personagem. Nem sei se vamos estudar o livro já que o tempo é pequeno no curso. Digo, na teoria, pois na prática temos feito tal sistema nas aulas de expressão corporal, vocal e interpretação. Mas é como se a cada 12 horas na semana déssemos uma pequena pincelada nos temas. Teatro é mais para ser vivido do que estudado. Digo isso, pois estamos na aula e temos um direcionamento, mas caso eu parasse para observar são poucos ou nenhum que enquanto respiram param para serem um pouco mais conscientes de sua técnica corporal e vocal por exemplo.
(from my Facebook)

Minha família sempre foi da opinião que teatro é uma coisa de ricos para ricos. Até certo ponto isso é verdade, pois caso quisesse dedicar-me 200% na arte dramática teria de sustentar-me com vento. Além de tentar promover uma saúde completa, dormindo bem, comendo e bebendo bem, teria de ter uma boa academia e alongamentos para tentar chegar no corpo ideal.
(1) Veja bem que disse corpo ideal e não perfeito. Uma coisa é diferente da outra. Muito inclusive. (2) Alguns atores tendem a se exibir em palco, gostam mais dele no papel do que o papel nele, o que é um erro gravíssimo.
Aulas de dança, tanto clássica como contemporânea teriam de estar no currículo, são aula que podem deixar o movimento plástico caso não haja objetivo e alma naquilo que se produz.
Tanto o canto como a retórica seriam de extrema importância. Saber impostar a voz e escolher seus meios de ressonância são demandas de um ator. A retórica entraria como convencimento, mas eu prefiro sua parte que trata de articulações e etc. É como se eu quisesse misturar o canto com a fala. Ao invés de cantar como eu falo eu estivesse em busca de falar como eu canto. É claro que depois de um canto bem treinado e não totalmente amador. Há que reconhecermos nossas estruturas e sabermos conscientemente dominá-las.O que é muito difícil.
Uma prova que o teatro é uma busca contínua é o trecho obtido do livro "A construção da personagem" no Capítulo 8. "As aulas de canto que damos a vocês, alunos, não são meros exercícios para colocar a voz durante aquela determinada hora. Em aula vocês tem de aprender as coisas que deverão ser praticadas, primeiros sob o controle de um treinador experiente e depois independentemente, em casa e em toda parte onde forem durante o dia." Isso serve a tudo, e como!
Bom, era isso que eu pretendia dizer por aqui em relação ao avanço de meus estudos no Senac. Isso não me foi pedido, essa pesquisa, essa busca, mas como disse Stanislavski:


Se você estiver em busca de alguma coisa, não vá sentar-se na praia à espera de que ela venha encontrá-lo. Você tem de procurar, procurar, procurar, com toda a sua obstinação! - Stanislavski

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A construção da personagem

O livro tem as mesmas caracteristicas de "A preparação do ator", mas é bem mais explicativo e voltado a tecnicas, o que nao diz não ter a ALMA como base e principio de qualquer ação voltada para essa técnica. Vou dar os tópicos abordados em cada capítulo que eu li até o momento.

Capítulo I - Para uma Caracterização Física
Há uma necessidade da forma exterior sim desde que haja alma e o exterior seja um complemento do interior. Isso adquire-se por vários meios como o da observação

Capítulo II - Vestir a personagem
É necessário haver consciência no que se faz, na atuação.

Capítulo III - Personagens e tipos
Ame o seu papel em você e não você no seu papel. Quando se tem medo de mudar sua personalidade completamente, alguns atores têm medo da caracterização.

"Assim, a caracterização é a máscara que esconde o individuo ator. Protegido por ela pode despir a a alma até o ultimo, o mais intimo detalhe. Esse é um importante atributo a traço da transformação"

Capítulo IV - Tornar Expressivo o corpo
Devemos procurar um corpo ideal para o teatro. Robusto e proporcional, nem muito forte ou muito fraco. E gestos não devem ser feitos pelo simples fato de serem gestos (O geste pelo gesto)


Capítulo V - Plasticidade do Movimento
O andar ideal. (já mencionado nesse blog) e a linha interior que desprende os movimentos deixando-os fluentes em cena.

Capítulo VI - Contenção e controle
Uso excessivo de gestos e gasto de energia neles acarreta em erros. Um exemplo interessante é um ator que pode passar expressividade pelo rosto pode ser bem prejudicado chamando sua atenção para gestos em demasia em uma cena.

Capítulo VII - A dicção e o canto
Muito necessário ao ator é um voz. ela pode alcançar muitas coisas quando bem desenvolvida, e o desenvolvimento nesse caso dá-se pelo seu domínio, domínio de sua extensão, articulação, impostação e etc. Faz-se muitas referencias a aula de canto que podem ajudar o ator em sua caminhada como atrapalhá-lo.

Capítulo VIII - Entonações e Pausas
Capítulo IX - Acentuação: A palavra Expressiva
Capítulo X - A perspectiva na Construção da Personagem
Capítulo XI - Tempo-Ritmos no movimento
Capítulo XII - O tempo-Ritmo no falar
Capítulo XIII - O Encanto Cênico
Capítulo XIV - Para uma Ética do Teatro
Capítulo XV - Padrões de Realização
Capítulo XVI - Algumas Conclusões sobre a Representação

Hoje entendi

Hoje entendi o que é atuar com alma

Hoje entendi que idealizei

sábado, 2 de julho de 2011

Não é que eu parei de postar...

É que o tempo e a cabeça estão TÃO abitolados que é difícil mesmo apra parar e respirar tranquilamente. Simplesmente assim, o importante é que nisso há mais lados bons do que ruim para serem levados em conta.
Nas aulas de interpretação venho estudando um personagem da cena 4 da peça "Cala a boca já morreu", é o radialista. a construção é praticamente total, visto que não há informações sobre ele. Eu me coloquei como um jovem chamado Antônio de 22 anos que visa ir para Brasília ou ao menos não perder o emprego. O figurino foi bem aceito por todos e o que viso agora é focar em memorização de fala e intenções, afinal o que está dentro está bem construído, falta o FORA. Mas isso é com tempo.
Em história infelizmente não tenho tido o tempo de escrever sobre as aulas. Acho apenas que a carga horária devia ser maior. Sim, maior, afinal a cada nova aula uma escola literária a ser estudada e superficialmente, sendo que a história teatral é tão rica e bonita. As aulas chegaram a ser consideradas meio parada por alguns, de minha parte não era a aula de corpo, mas eram ótimas aulas, o que empaca um pouco às vezes é o teoria que é considerada por alguns desnecessária. A meu ver, ela é imprescindível.
Passamos por Comédia Dell'Arte, Teatro Elisabetano e Shakespeare, Classicismo francês e Molière e vamos para Goethe e o teatro romântico. Enfim, o seminário do grupo em que estou é sobre diversos temas (Expressionismo, Simbolismo, Realismo e Naturalismo) os "ismos" que temos aí. A pesquisa está em andamento, mas está ficando boa ao todo. Veremos o que se passa depois. 
Nas aulas de expressão vocal, estamos dando ênfase a uma boa gesticulação, leitura correta, ênfases, enfim, todas essas questões. Sobre elas eu comentarei mais tarde um pouco.

domingo, 5 de junho de 2011

E... voz

"Deus separou o claro do escuro, separou o mar da terra, separou o macho da fêmea, separou o bem do mal. E se Deus já começou separando, quem sou eu pra falar de união? Mas eu digo que o homem é bicho que nasceu pra ficar tudo junto. Da vida eu digo que é longa demais para dizer que é curta e é curta demais para dizer que é longa. Do mar eu digo que é grande demais para minha canoa e, do rio, eu digo que é o que me corre nas veias. Da grande cidade eu digo que já me debrucei nas suas varandas e que o mosaico de suas calçadas já viram o carimbo de meu pé. Sei de seus tumultos e barulhos e digo que nenhum deles deve ser o som da esperança. Porque os sinos da esperança não tocam nessas catedrais de pedra, nas ruas de pedra, no peito de pedra desses homens que andam por tantas calçadas que não vão dar em lugar nenhum. Do violão digo que é meu melhor amigo por ser o único que não me dá conselhos e, do sertão, digo que é minha casa. Do desejo digo que é bicho que não morre, do tempo digo que é inimigo dos homens e, do amor, digo que é inimigo do tempo."

"CORDEL DO AMOR SEM FIM", De Cláudia Barral

Com esse texto treinamos nossa leitura em voz alta com a percepção de algumas características nesse tipo de leitura:

  • Respiração
  • Ênfase
  • Respiração
  • Articulação
  • Modulação - variação entre graves/agudos
  • Tom - grave/agudo
  • Projeção
  • Intensidade entre Forte e fraco
  • Pronúncia
  • Velocidade

A mim foi pedido que eu desse mais ênfase em palavras importantes do texto, mostrando mais alegria e dando vida ao texto. Não deixando-o triste. E controlar a velocidade também.

Seminários de corpo

Na nossa última aula de corpo antes do "Break" foram divididos quatro seminários sobre os sentidos.

Audição
Júnior
Fernando
Larissa
Thaís
Emerson

Olfato
Jeff
Diego
Ariadna
Tatiana
Poliana

Paladar
Natália
Bárbara
Nildo
Gustavo

Tato
Maria
Helô
Rodrigo
Janjão
Jojô

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Farsa de Inês Pereira



Hoje foi a primeira vez que cheguei atrasado no meu curso de Teatro. ele se inicia as 9h da manhã e eu cheguei às 10h30, as menos fui. Estava sob uma situação grande de ansiedade e estresse e precisava dormir um pouco mais. Expliquei-me ao professor que entendeu a situação.
O que perdi foi apenas uma explicação sobre o carnaval e também um debate sobre o filme "Um crime de Paixão" que assistimos semana passada.
Comentamos então sobre a farsa de Inês Pereira e uma visão geral dos Teatros Grego, Romano e Medieval.
Aqui, hoje, devo falar um pouquinho mais sobre essa Peça de Gil Vicente: "A Farsa de Inês Pereira".
Gil Vicente a escreveu como um desafio, visto que era acusado de plágio, deram-lhe um provérbio "Mais vale um asno que me carregue do que um cavalo que me derrube".
A peça pode ser dividida em quadros, tais como:
  1. Inês Pereira Solteira;
  2. Chegada e conselhos de Lianor Vaz para que se case;
  3. Apresentação e rejeição de Pero Marques
  4. Chegada e aceitação do escudeiro;
  5. Vida de Inês casada com o Escudeiro;
  6. Inês viúva;
  7. Vida de Inês casada com Pero Marques.


Essa rejeição inicial a Pero Marques ocorre pois, Inês sonhadora, quer um homem com características palacianas, que seja "discreto" saiba cantar, jogar bola, tocar violão. O que Pero Marques não tem e o escudeiro tem. Porém ao ficar com o Escudeiro, este a proíbe de cantar, conversar e a põe em clausura. Indo para a Guerra, o escudeiro morre, fugindo como um covarde, mostrando a contradição entre o macho dentro de casa e covarde em batalha.
Inês fica feliz com a morte do marido, e já amadurecida com o destino que lhe coube casa-se com Pero Marques, já pensando em trair-lhe com um ermitão que lhe aparece pedindo esmola, homem que era apaixonado por Inês no Passado.
Assim, Gil Vicente soube usar da dramaturgia para ilustrar o tal provérbio, o escudeiro referindo-se ao cavalo e Pero Marques ao Asno.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Teatro medieval e contexto Histórico

Abaixo segue o contexto histórico medieval, tanto como uma visão geral do teatro na época medieval e de transição

REINOS GERMÂNCIOS NA EUROPA OCIDENTAL

Os Germanos
Dentre todos considerados bárbaros, destacavam-se os germanos que compreendem vários povos.
Os germânicos não tinham um governo centralizado, mas havia muita semelhança cultural entre eles, como a religião e a língua.
Cada grupo germânico tinha um chefe militar. Por volta de III a.C. a maioria dos germânicos abandonou o nomadismo, o que exigia terras férteis, assim as terras conquistadas era dividida entre os membros dos grupos.
Eles eram politeístas, mas muitos se tronaram cristãos com o continuo contato com Romanos cristãos.
Invasões Bárbaras no Império romano
A partir do século IV, os grupos germânicos começaram a ser atacados pelos hunos. Assim, eles começaram a adentrar os territórios romanos, tornando-se uma ameaça. Eles invadiram a ilha romana que hoje pé a Inglaterra e dominaram Roma. Então o Império romano foi divido em instáveis reinos bárbaros.

O Reino Franco
A palavra “Franco” caracterizava diversos grupos dispersos que foram unificados por Clóvis. Esses povos tiveram várias conquistas sob o comando de Clóvis, que acabaram se estabelecendo na região da França.
Clóvis formou a dinastia Merovíngia, em 496 ele aceitou o catolicismo e foi batizado, assim alianças políticas importantes forma feitas, principalmente com a Igreja.
Vale lembrar que a Igreja Católica Continuou sua influência sobre a Europa, mesmo depois da queda do Império Romano, pois a mesmo fez alianças com os bpárbaros.
Com a morte de Clóvis houve disputas pelo poder, enfraquecendo a dinastia merovíngia e dava autoridade para a nobreza e o clero.
Após a morte de um rei merovíngio a autoridade política passou a ser exercida por administradores do palácio real, que foram chamados de prefeitos do palácio.
Um desses, Carlos Martel, adquiriu grande poder ao vencer os árabes na batalha de Poitiers.
O contexto de vitórias de Carlos Martel contribuiu para o início da dinastia carolíngia iniciado com Pepino, o breve.
Este fez alianças com a Igreja, cedendo terra da Itália. Isso foi de grande valia para a Igreja se expandir. Assim a Igreja era tida como um “poder espiritual” e os governantes carolíngios, “um poder terreno”.

O Império Carolíngio
O sucessor de Pepino, o breve, foi Carlos Magno. Ele dobrou o território do seu império que passou a ser chamado Império Carolíngio. O território chegou às terras alemãs e italianas, Ele criou condados e marcas (postos militares) além de fiscalizar o reino e fazer valer os capitulares (decretos divididos em capítulos).
Carlos Magno recebeu o título de Imperador do Ocidente. Nos anos seguintes de s reinado ele dedicou-se ao progresso cultural de seu império impulsionando o que chamamos de Renascimento Carolíngio.
Depois de Carlos magno o reino foi transferido para Luís I, o piedoso. Depois da morte desse, o reino foi divido em três partes para seus três filhos a partir do tratado de Verdum. França Ocidental (para Carlos, o calvo), França Oriental (para Luís, o germânico) e França central (governada por Lotário). Após a morte do filho de Lotário, a França central foi divida para os outros dois irmãos de Lotário. Acabou que no final do século X, o feudalismo já era crescente em ambas as “franças”.

FEUDALISMO EUROPEU

O Feudalismo foi um processo lento que se estreitou no final do século X.

Influência Romana
Ao final do império Romano, a sociedade atravessava grandes crises, isso fez com que muitas pessoas, especialmente os mais ricos, se mudassem para o campo para propriedades rurais denominadas Villae.
Lá eles começaram a fazer contratos com os que o procuravam, ou seja, um contrato entre um proprietário de Terras e trabalhadores, chamado colonato.
Os trabalhadores trabalhavam nas terras dos proprietários e lá moravam, dando uma parte de sua produção ao proprietário.

Influência germânica
Eles receberam romanas influências como a do comitatus, onde os guerreiros prestavam serviços militares aos senhores da tribo em troca de terra. Depois da fusão de romanos e germânicos, o costume gerou as bases para a relação entre vassalagem (função militar exercida pelos nobres) e susserania (senhores feudais)

Economia e sociedade
A principal atividade era a agricultura, o comércio era exercido de forma irregular, já que, por exemplo, havia muito sal numa região e não em outra, assim havia trocas.
Assim como Deus era trino, assim devia ser a sociedade.
NOBREZA>> CLERO >> TRABALHADORES
O clero (oratores) dominava o sagrado. Os guerreiros (bellatores) guerreavam. Havia duas procedências, uma dos carolíngios, assim formando uma “nobreza” e outra de pessoas mais simples que se associavam a um senhor feudal, Eram os cavaleiros. Mas as diferenças forma acabando como o tempo, devido à casamentos entre ambos.
Os trabalhadores eram divididos em servos e vilãos. O vilão era um trabalhador livre que tinha o  direito de deixar a terra quando quisesse.
O servo era o principal trabalhador dos feudos. A origem da servidão, vem da escravidão.
Escravos viraram servos por um longo processo desde a época carolíngia onde se estabeleceu o colonato. Os servos possuíam algumas obrigações, tais como a corvéia (trabalhar três dias na terra do senhor feudal), a formariage (tributo que devia ser pago quando o servo se casasse), as banalidades (pagar para uso de instalações do senhor feudal), a talha (entre de uma parte da produção) e a mão-morta (imposto quando sucedia o pai).

Política
O feudalismo caracterizou-se pela descentralização do poder do rei, que era apenas simbólico.

MUDANÇAS NA EUROPA FEUDAL

A população crescia na Europa por diversos motivos, como a redução em invasões na Europa Ocidental e a melhoria dos hábitos de higiene, o que fazia aumentar as necessidades alimentares, moradias, etc.
As cruzadas
As cruzadas (oito ao todo) ocorreram entre os séculos XI e XIII com a justificativa de uma reconquista cristã do acesso à “Terra Santa”. Porém, de fato, objetivavam não somente recuperar o acesso comercial do Oriente pelo mediterrâneo, mas a recuperação das terras europeias sob o domínio árabe.
As quatro primeiras cruzadas foram as mais importantes, são elas:
Cruzadas dos nobres – conseguiram algumas conquistas que não duraram por muito tempo
Cruzada dos nobres alemãs e franceses – Que se desentenderam
Cruzada dos reis – Obteve algumas vitórias
Cruzadas dos comerciantes – Não venceram, mas se satisfizeram
Entre outras cruzadas destaca-se a das crianças.

Conseqüências
Relações comerciais foram estabelecidas e as existentes foram incrementadas. Terras foram tomadas e feudos foram estabelecidos. A reabertura do mar mediterrâneo acabou incentivando o Renascimento Comercial.

Renascimento Comercial
Aqueles que não se encontravam mais no espaço feudal passaram a uma nova atividade, a comercial, dando origem a burguesia.
Assim surgiram as feiras medievais, onde comerciantes se encontravam para realizar seus negócios, principalmente nas cidades de Flandres, Veneza e Gênova.
Havia os cambistas que de dedicavam a troca de dinheiro e proteção.
A Igreja condenava o lucro, sendo assim a maioria dos cambistas eram cristãos.
Os comerciantes se organizavam em associações, conhecidas como guildas, que visava a proteção dos interesses dos mesmos.

Renascimento Urbano
Os locais que os burgueses residiam passavam a ser chamados de burgos. Os burgos cresceram e viraram cidades, essas dependiam de um senhor feudal. Alguns burgueses compravam a liberdade da cidade, assinando a carta de franquia (cidades francas), outros tinham que usar a força (cidades comunas).
Em toda a cidade havia oficinas. A burguesia rica foi chamada de alta burguesia. Quase toda a cidade tinha um prefeito.
Vale lembrar que essas cidades cresciam rapidamente e de forma desordenada, o que gerou muitos problemas até alguém fazer algo.

Cultura Medieval Europeia
O clero era a classe sócia que conhecia e pratica a habilidade da leitura e da escrita.
No inicio a Igreja tinhas uma estrutura muito simples, porém com o crescimento dos adeptos as alianças com o Estado, houve uma hierarquia da Igreja.
Durante a Idade Média havia o clero regular (monges) e o clero secular (os que tinham contato com os adeptos). Os líderes religiosos eram tipos como “pai”, daí a denominação padre ou papa. Aqueles que mexiam com a administração eram chamados pontífices.
Os monges faziam votos de pobreza, obediência e de castidade. Dentre as ordens monásticas mais conhecidas estão os dominicanos e franciscanos.
Os monges dedicavam-se a leitura e cópia de livros, o que os caracterizava como grandes intelectuais.

Organização eclesiástica
A Igreja era dona de muitas terras no período feudal, sem contar a influencia política.
Houve, no entanto uma reforma que invocava o celibato clerical, o inicio do colégio dos cardeais (organização eleitoral religiosa) e proibição da investidura leiga (proibição de3 escolha de cargos clericais por não membros do clero).
O leigo imperador Henrique IV não aceitou essa decisão, mas depois de ser excomungado, voltou com a palavra para volta a comunhão.
Depois da morte do papa ele tentou uma investidura, mas foi em vão.
Não parou por aí, Filipe IV, o belo, impediu a Igreja de não pagar impostos e mudou a sede do papado para Avignon, na França. A Igreja elegeu outro para na Itália, Ficando assim um papa (Urbano IV) na Itália e outro (Clemente VII) na França.

Transformações culturais da Baixa Idade Média
Como o reino se fortaleceu, houve uma difusão do conhecimento destacaram-se as universidades. Nelas leigos prestavam artes (que compreendia gramática, matemática, musica e outras matérias) e depois escolhia entre Direito, Medicina e Teologia.
Na filosofia escolástica destaca-se São Tomás de Aquino, na arquitetura destacam-se dois estilos, o românico e o gótico.

FORMAÇÃO DAS MONARQUIAS NACIONAIS IBÉRICAS

Com as invasões bárbaras o local tornou-se o reino dos visigodos, este se enfraqueceu e formaram-se quatros outros reinos cristãos: Leão, Castela, Aragão e Navarra. Reinos tipicamente feudais.
Depois das invasões árabes eles planejaram uma retomada de território, conhecida como guerra de reconquista, os que se destacassem ganhariam terras.
Henrique de Borgonha (Um nobre francês) recebeu terras que receberam o nome de condado Portucalense.
Uma Terra cobiçada que acabou se tornando em 1139, o Reino de Portugal, com sua independência.
Assim iniciava-se a dinastia de Borgonha, que durou até 1383. Depois da morte do último representante da dinastia, a nobreza queria reunificar o reino a Leão, mas a burguesia não.
A burguesia apoiou D. João (mestre de Avis) e depois da revolução de Avis ele assumiu o poder, iniciando a dinastia de Avis.
Portugal foi pioneiro na centralização do poder.
O reino da Espanha deve-se ao casamento entre Fernando de Aragão e Isabel de Castela (casamentos dos reis católicos). Depois disso era só expulsar os muçulmanos de seu território, o que aconteceu em 1492.

TEATRO MEDIEVAL

O teatro medieval está intimamente ligado a Igreja Católica. Depois que o cristianismo dominou Roma e toda a Europa, o teatro foi vítima de preconceito, sendo perseguido e combatido durante séculos, acusado de obsceno e violente.
Uma vez no poder a Igreja excomunga os atores, suas mulheres e descendentes e só no século IV foi que o Concílio de Cartago considerou que tinha sido severa demais essa atitude.
Com exceção do trabalho anônimo nos mimos, o teatro só começou a ressurgir no século XII d. C., comente em representações dentro das Igrejas e mais tarde na porta das Igrejas, para que toda a multidão pudesse assistir. As “confrarias” eram grupos de pessoas que se encarregavam de práticas religiosas e de caridade que passaram a encenar, amadoristicamente, essas peças. Os enredos são tirados das histórias bíblicas e as representações eram feitas nos dias de festas religiosas.

Havia os “mistérios”, baseados em histórias bíblicas, peças que tratavam da Paixão de Jesus, mas também tinham como personagens Deus e o Diabo em luta pela alma dos homens, com intervenção dos anjos e santos.
Os “milagres” eram representações, baseadas na vida de santos, de mártires ou da mãe de Jesus, em que todas as peripécias eram resolvidas com milagres, através a interferência deles.
Nas representações dos mistérios havia a farsa que era originalmente um cômico, bem popularesco, caracterizado por um humor grosseiro de socos, tombos e pontapés. As farsas de caráter religioso criticavam pessoas e instituições consideradas fora das normas da Igreja da moralidade da época.
As moralidades tratavam como se fossem personagens, os vícios e virtudes dos homens, com intenções didáticas e moralizantes, pretendendo ensino o povo atrás das representações teatrais.

Teatro Medieval Profano
Os mimos sobreviveram de forma dispersa, mas, mesmo perseguidos, possibilitaram com seu trabalho a transição entre o tempo, as atelanas de Roma, aos jograis e farsa do teatro profano medieval. Depois, de mais de mil anos de perseguição, o teatro começou novamente a se manifestar sem a ligação com a Igreja, surgindo uma forma peculiar de teatro profano (não religioso). O palco era a praça da cidade ou qualquer lugar amplo (ao ar livre), e toda a população participava. Nas representações profanas usavam-se as “farsas”, os “arremedos burlescos” de pessoas ou casos; As representações “mímicas chamadas de chacotas”; e os “momos” com peripécias, disparates e duplo sentido, que tinham o objetivo de arrancar gargalhadas do público.





Gil Vicente e Fernando Rojas 
No período de transição entre a Idade Média e o Renascimento (começo do século XVI), surgiram na península Ibérica, dois grandes dramaturgos. Gil Vicente em Portugal e Fernando Rojas na Espanha. Usaram a técnica medieval, mas já tratavam de idéias novas, de cunho humanista e renascentista, já apontando para uma volta aos temas clássicos gregos.
Fernando Rojas escreveu “La celestina” que tem forma de um romance dialogado e influenciou os meios artísticos da época.
Gil Vicente é considerado o iniciador do teatro português. Inspirou-se nas representações medievais que eram realizadas nas ruas e praças das cidades. Escreveu peças com assuntos diversificados, algumas palacianas, outras litúrgicas e outras bem populares. Os tipos vicentinos descrevem a sociedade portuguesa da época: a imagem comovente do camponês explorado por fidalgos presunçosos e vãos, os clérigos de vida folgada, a moça da vila e o escudeiro ocioso.

Obras de Gil Vicente: Auto de Inês Pereira, Quem tem farelos, Auto da Barca do Inferno, Auto de Mofina Mendes, Auto da alma, Auto da Barca do Purgatório.

Como Gil Vicente é considerado um escritor de transição, vejamos o que há de sua obra de características medievais e renascentista.

Características Medievais
Características Renascentistas
Linguagem popular e arcaica
Sátira irreverente, mas moralizadora
Linguagem individualizada / própria de cada personagem que fala
Entusiasmo nacionalista
Desleixo sintático
Presença do mecenas
Versos de sete sílabas
Crítica à cobrança das indulgências e à conduta dos clérigos da Igreja
Valoriza o espírito de Cruzada
Compreensão dos problemas sociais
Linguagem que aparente pouca cultura
É contra a materialização da época
Ausência de problemas psicológicos e de interiorização
Referências mitológicas e clássicas dos gregos e romanos
Criação de tipo
Peças divididas em quadros
Ausência de indivíduos com caráter e personalidade bem delimitados
Presença de prólogo em algumas peças