quarta-feira, 30 de maio de 2012

O mês do cinema - MAIO

O título do artigo não confere com seu corpo. Digamos que eu fui apenas três vezes no cinema nesse mês e até gostaria de ter ido mais, mas não foi possível
amanhã ainda é o último dia do mês, mas duvido que produzirei alguma coisa até lá. E que se faça claro que quando falo "produzo", quero dizer "Estudo alguma coisa ou faço algo que pode ser levado como estudo".
Já tenho personagem definido na peça e esse será Gaspar, o gago que parece que só apanha na história toda, mas tem um enredo e trama ótimos envolvidos. Era minha segunda opção que virou minha primeira opção ao relermos os textos e muito me agrada fazê-lo na montagem. Vamos ver o que eu posso aprender com ele e contribuir também. As peças que eu li esse mês foram lidas e relidas e todas de Ariano Suassuna. Assim como o meu livro-bíblia do teatro, a preparação do ator. Parecendo que estava saturado do assunto comecei a ler os romances policiais de Sherlock Holmes e queria até amanhã acabar com a leitura do quarto e último romance. No cinema não assisti nem um filme sozinho, só com amigas ou amigos e foi bem divertido. Zac Efron arrasando como sempre em seus filmes, digo isso por "The Lucky one" foi que mais me agradou nesse mês.
Meu irmão veio pra SP, e juntos fomos ao teatro assistir um Stand Up, que "benza Deus". Por outro fui assistir uma montagem do Senac que é... bem... estava boa. Ruim ao todo não estava, mas podia ser melhor (como sempre no senac).
Esqueci de mencionar a bela exposição onde estive, mas isso pode-se ver no blog da turma, e para encerrar o mês, em sala de aula (hoje) foi assistido o filme de lisbela e o prisioneiro. Há muito eu não lembrava do mesmo e foi ótimo o ver novamente.
Continuo com meus problemas e soluções inviáveis, e já estou até enjoado disso, mas não há muito que eu possa fazer ainda. Esse mês tive uma boa briga com minha irmã e pensei até que não voltaria a falar com ela, senão fosse meu irmão, talvez eu não voltaria mesmo. Mas há certos assuntos que para mim morreram, e ai de quem ouse tocar neles!
Enfim, estou morrendo de sono e ainda não posso dormir, vou dar uma passada no cna, onde passei boa parte do mês cobrindo aulas de outros teachers.
Agora é ir pra frente e continuar produzindo sempre.

Peças
Torturas de um coração
A pena e a lei (2x)
O casamento suspeitoso (2x)
O santo e a porca

Teatros
Engloindo Sapo para um dia comer perereca
Rei Lear - SENAC

Livros
A preparação do Ator
S.H. - Um estudo em vermelho
S.H. - O vale do terror
S.H. - O signo dos quatro

Cinemas
Um homem de sorte
O corvo
Os vingadores

Filme
Lisbela e o prisioneiro

Exposição No Museu Afro

sábado, 26 de maio de 2012

Monotonia

"Minha mente rebela-se contra a estagnação. Faça-me problemas, trabalhos ou o criptograma mais intrigado, ou ainda a análise mais obscura, e estarei em meu meio. Mas tenho horror a tediosa rotina da vida. Necessito muitíssimo de exaltatação mental" - Sir Arthur Conan Doyle (Sherlock Holmes, o Signo dos quatro).

Inquieto-me com tantas possibilidades e ao mesmo tempo a estagnação.
Tudo parece tão longe de ser vivido. Os objetivos parecem não estarem alinhados e a falta de foco não permite que sejam vistos como deveriam ser vistos esses mesmo obejtivos.
Por um lado, o estudo contínuo de idiomas, mas de maneira talvez superficial, sabe aquele inglês "business" e nada mais? Talvez é o que aconteça aí.
Vemos também um curso de teatro, com direito a DRT, e sem indicação para um grupo de teatro ou televisão. Eu me mover para teatro e tv? Sim, eu quero, mas não tenho A MÍNIMA IDEIA por onde começar.
Um curso completo de comissário de bordo, uma possibilidade de carreira. Mas uma carreira sem faculdade, voltada a área de serviço e segurança. Atrativa.
Desejos por outras realidades, por poder viver uma experiência de faculdade em algum curso considerado por aí maluco, ou ao menos viver a experiência de uma faculdade.
Tudo isso sendo um professor de inglês.
Não quero que minha vida caia na monotonia, e quero sempre poder estudar e ser reconhecido pelos estudos que tive e o trabalho que presto. Estou realmente endurecendo algumas ideias e isso me assusta, já não ter aquela imaginação de futuro como quando eu era adolescente. Algumas coisa parecem só funcionar quando minha imaginação pensa no que poderia ter sido e não o que ainda pode ser. Isso assusta, parece-me estagnação. Odeio estagnação. 

domingo, 20 de maio de 2012

É de mármore

Particularmente eu até gosto de ver móveis de mármore, mas acho que não teria um em casa, prefiro a madeira. Mármore é muito pesado e não muda facilmente, é duro como pedra. E estou vendo como o mundo é feito de mármore.
Muda, mas muito pouco, quase nada e imperceptivelmente. Eu vivo tendo sonhos, incontáveis, bonitos, doidos e tals, acho meus objetivos bem de borracha, apesar de consistentes são meio moles. Mas o mundo é de mármore, e borracha não combina.
Invejo as pessoas de mármore, aquelas que establecem um parâmetro na vida e o seguem sem tantas dúvidas e questionamentos.
Eu venoro o "amor", tenho todos os defeitos do mundo, mas não praticaria nenhum caso usufruísse cem por cento do amor, mas o amor parece ser de mármore também.

domingo, 13 de maio de 2012

Life's like this

Sorry If I need to post this here in another language than not mine. I have a headache and so meny thongs to be finished yet, but no will to do them.
Some dreams I have seems almost fantasy now. Once I had the will of being famous, but today all I want is disappear. I no longer talk to my sister and it won't happen. My mother is not a freind of mine I can count on and my friends are always far away. I don't date. The one I loved is a dream now,The one I love hurt me hard and I've done enough to never have it again.
The one I admire today lives far away and wouldn't love me, never. I'm not open to see anyone and I've always thought too much for a guy to my age. I've taken too many responsabilities in life I wish I haven't. It will stop, Even if when I want to keep going with some projects I know part of them will never happen. I'm okay Now, putting some foccus in life, but they're hard to happen. Patience...
I'd like to have money and finish the goals I set for this year. So I'd go abroad, France, Germany maybe, don't know, but I'd spend sometime studying another language, working out, practicing sprts, going to a college abroad, things like these... What to do when it can't happen? If you know, share me your experience, I'm in pain for it

sexta-feira, 11 de maio de 2012

É o que tem pra hoje

Como já disse anteriormente FOCAR é a palavra ideal para por rumo aos objetivos que planejo pra minha vida e para 2012. Estou perdendo muito tempo com o uso de "ses" que não os do método Stanislavsky.
Sei que é bem pessoal isso, mas vou colcoar aqui mesmo, mesmo sendo público, pois é onde paro para me observar, afinal isso é um blog, ninguém é obrigado a ler (somente eu)

Planejamento de focos entre Maio e Julho

FOCO 1: Preparar Aulas do CNA e executar tarefas pertinentes à área.

FOCO 2: Preparar Aulas particulares para comissários e levantar alunos

FOCO 3: Estudar Apostilas de Comissariado de Bordo e Fazer prova da ANAC

FOCO 4: Estudar Frânces para prova DELF B2

FOCO 5: Estudo de Personagem e Montagem Teatral do SENAC

FOCO 6: Estudo de Alemão, Apostilas Deutsch Welle e Material Complementar

FOCO 7: Fazer um Curso Básico de Vinhos e Outro de Garçom

FOCO 8: Fazer um Curso de Primeiro Socorros na Escola de Bombeiros de SP


Planejamento de focos entre Agosto e Dezembro


FOCO 1: Fazer Ótimas Apresentações no SENAC

FOCO 2: Terminar o Curso no SENAC

FOCO 3: Enviar os Currículos de Comissário de Bordo

FOCO 4: Visitar o Rio de Janeiro

FOCO 5: Continuar estudando os idiomas.

FOCO 6: Empregar-me na área de meu interesse

FOCO 7: Babear a Laser, Óculos Novo e Celular Novo.


O interessante é que assim eu me sinto mais a vontade para dar algumas prioridades no meu caminho sendo bem racional. Eu geralmente penso nas possibilidades que "poderiam ter acontecido" e não indico essa linha de pensamento para ninguém, logo se eu conseguir priorizar algumas coisas e sair dessa maldita internet, as coisas se ageitarão. É necessária muita disciplina para esses sonhos e planos saírem do papel, mas não é impossível. Vou ter que sacrificar algumas coisas como até mesmo os barzinhos que eu gostaria de ir ou baladas (desde janeiro não saio), mas com o tempo isso será recompensador.
Então, mãos à obra.




quinta-feira, 10 de maio de 2012

Crise

O foco parece surgir em minha vida aos poucos. É como se eu enxergasse sem minhas lentes corretivas, ainda está tudo meio embaçado.
Estou numa crise financeira passageira. Graças a Deus não devo nada ao banco nem a ninguém. A não ser o notebook que eu devo pagar para minha irmã, mas até aí não vejo problema.
Esse ano ainda preciso tirar minha carta de motorista, fazer exames oftalmológicos e queira Deus que eu consiga pagar o tratamento a laser para não precisar sofrer fazendo barba todo dia. Aí já são gastos que não posso fazer nesse momento. Sem contar os cursos complementares que gostaria de fazer para rechear um pouco meu currículo ao enviá-lo para as empresas aéreas.
Tenho que ter um pouco mais de pé no chão, e hei de ter. Fazer mais e falar menos. Estudar bastante e preparar o que tenho que preparar para tudo dar certo. Agosto será um ótimo mês para por foco a minha vida. Terei umas semanas de férias nesse mês e gostaria muito poder viajar para o Rio de Janeiro ficando lá por uns 3 ou 4 dias.
Meus últimos gastos logo antes de acabar o curso do SENAC, que será um ótimo presente para mim, estarão relacionados com meu lazer: Show do Maroon 5 em São Paulo e alguma balada ou bar com o povo do SENAC para comemorar. Afinal de contas, as coisas estão começando a entrar nos eixos.

domingo, 6 de maio de 2012

Perfeitas Frustrações

Engana-se quem espera ler um artigo depressivo sobre frustrações que a vida carrega consigo, tampouco ficará feliz aquele que espera ler o melhor artigo de auto-ajuda que já se escreveu. O que se segue é uma análise sucinta sobre a percepção de uma possibilidade da realidade.
Sentado numa certa praça, um lugar que tem um significado profundo para mim, eu me pûs a falar e mais uma vez filosofar sobre o que me convém. Várias vezes entrei em contradição, mas acho que achei uma coisa que muitos de nós estamos sujeitos a passar.
Todos temos metas, por maiores ou menores que sejam. Todos os dias eu crio imagens na minha cabeça de objetivos que eu já tive e "não" alcancei. Por exemplo, eu poderia estar formado em hotelaria e cursando uma pós-graduação, mesmo sem ter 20 anos de idade. Ótimo, isso é um padrão perfeito, uma imagem bonita de se pensar. Contudo, isso não significa que o meu hoje esteja ruim, não significa que não posso ser feliz com o que alcancei e/ou me foi possível alcançar até os meus 19 anos.
Talvez nós não conseguimos alcançar uma determinada coisa que desejávamos muito, e nos frustramos por isso. Nos culpamos pela faculdade não feita, o idioma não aprendido, o lugar não visitado, etc. Mas, por vezes, estamos muito felizes com o que temos em mãos e o caminho que tomamos no passado. Então, por que se frustar perante uma possibilidade que existiu e que já é passado? Até porque se tudo não tivesse ocorrido como ocorreu, até aquele ônibus que você ficou bravinho por ter perdido, talvez você não estaria onde está e como está. Essas "frustrações" foram perfeitas para dar o resultado que hoje pode te trazer felicidade. Para encerrar, li no facebook de alguém uma frase que me agradou muito e gostaria de compartilhá-la aqui:

"Não existe caminho para a felicidade. A Felicidade é o próprio caminho"

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Eu Comissário


Já não lembro ao certo o porquê fui fazer um curso de comissário de bordo. O fato é que eu já havia pensado nessa possibilidade desde o momento que quase fiz faculdade de hotelaria no SENAC (e se bobear devia ter me formado lá).
Antes eu era um pouco receoso sobre a área, pelo fato das matérias que eu estudaria e por não ser um curso de graduação. Mas era ignorância minha. Ser comissário é uma grande vantagem sobre a aioria das profissões, incluse aquelas que você tem que fazer uma faculdade.
É lógico que se você quer ser médico e ama o que quer ser não há quem te impedirá de estudar quase ou mais de 8 anos até "iniciar" na carreira, mas para aqueles que gostam de desafios, segurança, hospitalidade, cordialidade, viagens e coisas relacionadas a carreira de comissário de bordo é uma grande vantagem sim.
Totalizando desde o inicio até eu passar na prova da ANAC (A prova farei em junho) foram 7 meses de estudo e em média 4 mil reais com cursos, exames médicos, provas, transporte e alimentação durante esse tempo.
Caso eu entre em uma empresa aérea (e hei de entrar), o salário é em média de 3 mil reais, sendo que há um limite de horas que se pode voar no mês. São, no mínimo, 8 folgas no mês, sem contar os períodos de descanso e sobreaviso. É uma profissão´extremamente séria apesar dos sorrisos distribuídos pelos comissários quando voamos, além de ser de risco, afinal são mais de 60 horas por mês a mais de 30 mil pés de altitude.
Para ser comissário é necessário ingressar em um curso específico que dura de 3 a 7 meses, passar em diversos exames médicos e passar na prova da ANAC. Aí então é que se pode enviar o currículo para as empresas e esperar alguma entrevista.
É interessante para a empresa contratar comissários que falem outros idiomas (Inglês é essencial e ter espanhol ou outro idioma é muito bom). Não ser nem tão baixo e nem tão alto pode contar, assim como o peso proporcial. Imagine um comissário muito alto num avião muito pequeno ou um comissário muito acima do peso se movimento numa passarela de 60 cm de largura, por isso é importante cuidar da saúde. Outros fatores que podem contar é se o comissário tem boa apresentação, educação... Todas aquelas coisas que vemos em comissários de voo.
Uma professora minha disse também ser legal saber nadar, afinal vai que... O mais importante é querer ser comissário e demonstrar isso na entrevista e durante o tempo de trabalho, afinal você está sendo pago para tratar diretamente com o cliente de determinada empresa aérea.
O curso teorico foi meio maçante de ser levado, afinal é muita informação em pouco tempo. Minha dica é prestar atenção na aula e fazer muitas questões de simulado. É o que lhe salva na hora das provas.
As matérias são diversas, divididas em quatro blocos:
I - Segurança, Emergência e Sobrevivência
II - Sistema de Aviação Civil e Direito
III - Primeiros Socorros e Medicina Aeroespacial
IV -Conhecimento Geral de Aeronaves, Teoria de Voo e Meteorologia
O povo geralmente não curte os blocos 2 e 4 (que são os que mais gosto, sou do contra sempre).
Eu posso afirmar uma coisa: A cada dia que passa me agrada mais a ideia de voar em uma empresa aérea nacional ao mesmo tempo que continuo a escrever e estudar teatro. Gosto das duas coisas e se a oportunidade surgir mostrarei minha competência para o que me contratar.
Qualquer dúvida ou dica que queiram deixem nos comentários que eu lhes respondo.
Abraços do Aeronauta "Jefferson Ribeiro" (Será esse o nome que usarei no meu crachá rsrs)

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Reformulando

Ainda acho que sou um amador escrevendo, mas tenho tomado algumas precauções na hora de produzir um texto. São mais de dois anos escrevendo nesse blog diversas coisas sobre minha vida privada. Coisas que, às vezes não conto nem para meus melhores amigos ou família. É claro que 90 por cento das vezes, escrevo de uma maneira subjetiva. Mas não deixo de escrever.


Considero minha escrita imatura e subjetiva, prova disso é quando a setorizo aqui em "Devaneios", "Poemas", "Pessoal" (...). Talvez a parte mais séria seja quando escrevo sobre teatro e somente sobre ele. Mudei o formato do Blog porque acho que o tempo passa e as coisas devem se adaptar aos novos ambientes. Continuo tentando ser minimalista em meus formatos.
Uma vez por mês estou colocando um resumo sobre minha produção cultural e estudantil e espero manter esse tipo de artigo ao menos por esse ano.
Estou escrevendo em mais três Blogs, sendo dois deles com data para finalização. L'Histoire d'Alphonse será um Blog-Livro com 80 capítulos, e o Teatro sem Aperreio é uma documentação da fase de montagem do curso profissional do SENAC. Na Conexão Y, assumi a coluna de Arte e Cultura e uma vez por semana dou alguma dica interessante por lá.
Estou feliz porque as coisas estão acontecendo. Não bem como imaginei, mas, pelo menos, de uma maneira agradável.
O diário do Francês surgiu por causa da vontade de escrever sobre a vontade de tomar um vinho, e hoje se tornou um espaço com o qual tenho estreita cumplicidade. Nesse tempo em que escrevo aqui se pode acompanhar minha indecisão sobre a faculdade, a vontade e a impossibilidade de estudar teatro, a faculdade de fonoaudiologia, os amores e paixões que tive, o trabalho no hotel, o professor de inglês que me tornei, o curso de teatro que tive a coragem de fazer, a segunda opção como comissário de bordo, os problemas com a família, o amor pela França e tantos outros assuntos assuntos que eu abordei.
Hoje, mais um dia qualquer na minha vida serve de renovação do formato desse diário virtual e por consequência, o início de uma nova fase do escritor que me tornei.


segunda-feira, 30 de abril de 2012

Abril - Renovação de pensamentos


O mês está em sua segunda parte de três e lá fora a chuva cai. Cada gota que desce do céu, renova meu espírito. É magnífico quando paro e vejo o que produzi, como disse Lima Duarte em uma entrevista, parece que tudo foi escrito por uma pessoa só e foi perfeito.

Andando nas ruas de SP à noite – ruas vazias que mais parecem cenários que o personagem que sou, anda – vi minha história em fragmentos. E agora a pouco quando cheguei em casa, vi como tenho vida dentro de mim. É lindo isso, muito lindo mesmo. Emocionante.

Esse mês não vai parecer nada em relação ao mês de março, por exemplo. Mas talvez tenha tido maior significado num todo. Era visível que eu ia diminuir um pouco minha produção, mas foi em prol da minha saúde mental que assim o fiz.

Em casa assisti três filmes, todos em francês e sem legendas: “L’auberge espagnole”, “Les poupées Russes”, “A fraternidade é vermelha (Rouge)”. Foi a primeira vez que pude compreender quase cem por cento de um filme na língua de Napoleão sem tantas dificuldades. E assim, nesse mês peguei meu ordenado e investi em uma inscrição para o DELF B2 de língua francesa. O engraçado é que após a inscrição parece que eu esqueci tudo o que eu sabia de francês, me sinto um aluno básico e tremo em pensar na prova que enfrentarei em Junho. Em casa, também assisti ao filme “Cazuza – O tempo não para”, Filma brasileiro sobre a vida do cantor. Ele era um mimado, mas tinha personalidade e isso deixou seu talento florescer, Impressionante a atuação dos atores no filme, realmente gostei. Para ajudar na minha pesquisa para o trabalho da peça de Suassuna no SENAC, assisti ao filme “O auto da compadecida” além de várias entrevistas do autor e de outras pessoas envolvidas com teatro. Como faltei a duas aulas de gestão em que foram passados filmes, eu assisti em casa: “Saneamento Básico”. Tentei alugar a “rede social”, mas aluguei o filme “O palhaço” de Selton Melo e depois assisti “VIPS”, assim como “A dama de Ferro” no último dia de Abril e entendi o porquê Meryl Streep ganhou o Oscar e o Globo de Ouro como melhor atriz.

Livro li apenas um, mas foi bem lido e me ajudou em algo, era sobre telenovelas: Telenovela – História e Produção.

                Li a peça “A vida é sonho” De Calderón de La Barca e agora sou um fã incondicional do texto, que é magnífico. O mesmo digo das Obras de Suassuna que li. “O Santo e a porca” e o "Casamento Suspeitoso".

Foi nesse mês que nossa sala optou por seguir a linha do nordestino e levar aos palcos, tão doce e forte cultura. Estou feliz com isso e farei o meu melhor.

                Rever amigos não tem preço e ver a Maryana, a Sara, o Igor, o Marcelo, a Ellen, entre outros, é tudo de bom. Sentar com eles seja para tomar um açaí ou pra dar risadas e falar do passado, presente e futuro, não tem preço mesmo. Isso que é amizade, um amor que não acaba, nem que o tempo passe a distância persista.

                Foi um alívio imenso ter terminado o CEAB e suas provas. A ANAC me espera em Junho, mas só de ter terminado o CEAB solto fogos de artifício de alegria em comemoração a esse fim. O curso foi um desafio e foi maçante comigo. Gosto muito e respeito muito à área, mas meu amor é o teatro e não dá pra voltar atrás. Aprendi muito e ganhei bons amigos nessa escola, mas por enquanto isso é tudo. Se serei comissário ou não, isso o tempo responderá, minha única certeza é que caso eu for, serei o melhor que puder, farei o melhor trabalho para a empresa que botar confiança em mim e por aí vai.

                Minha visão de mundo tem sido complementada a cada dia, e quando fui na estreia do Centro Cultural do Santo Eduardo aqui do Embu, minha mente se abriu um pouco mais. Moro num lugar bem humilde e acho que quase nunca tinha percebido isso. Mas agora eu vejo as discrepâncias de São Paulo mais claramente e meu papel na sociedade tem lá sua importância.

No outro dia fui à escola de Teatro “Globe” e a realidade é totalmente diferente. Falando mais sobre o Globe a escola ganhou meu respeito de vez. Não que não tivesse antes, só não tinha uma visão formada sobre a escola. Mas muito bom o bate-papo que tive com Ulysses Cruz e atores jovens da escola com renome na TV. Assisti apenas à uma peça esse mês, nesse dia no Globe, Romeu e Julieta, e emocionei-me. Valeu muito a pena prestigiar o trabalho deles. Lindo.

Quando eu entrei no teatro, entrei por causa do cinema, e vejo que realmente hoje preciso e quero os três meios para viver, o teatro a TV e o cinema. Vou correr atrás disso como um obstinado, e como sempre fui um workaholic, vou fazer disso meus parâmetros de vida, por mais que incomode muitos. Sei até onde posso ir, mas quero me surpreender e ver que posso ir mais além quando se trata de teatro. Tanto que esse mês, fui aceito pela agência Sagarana, a quem agradeço muito a oportunidade e farei melhor ainda, quando mais oportunidades surgirem.

                No cinema foi a vez de ver o documentário sobre a obra de Pina Bausch que é bem tocante ou “Jogos Vorazes” que era pra ser modinha, mas ninguém comenta sobre. Amei ambos os filmes e os indico para serem assistidos.

                Vi meu passado passar justamente do meu lado e invoquei as piores sensações para mim e ri. Já é passado, não faz mal, só me faz mal saber que estou andando solitário por aí. SO confuse. Ou quero ser frio que nem a Miranda “de o diabo veste Prada”, ou um super romântico como Álvares de Azevedo ou Romeu apaixonado. Não gosto de meios termos, nunca gostei. Sou de Libra.

Abril foi um mês louco pra mim. Renovei minha cabeça, estou sofrendo muito por isso e com isso. Já chorei no ônibus voltando pra casa pelas pedras que tenho pisado para alcançar os sonhos que sonho todos os dias. Mas como diria Campbell, “Primeiro o Sacrifício, depois o prazer”.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Três parafusos a mais

Hoje comparam minha mente como uma máquina. Não como uma que tem um parafuso a menos, mas uma que tem três parafusos a mais, e dos bem apertados. Nunca foram tão exatos em uma descrição.
Fico impressionado como o passado influência meus dias atuais de uma maneira ainda intensa. Vou ser franco, ao fim de 2010 quem vê o que escrevi aqui, vê o quanto eu estava sofrendo. O tempo passou e pareceu que eu estava melhor, e de fato estava. Eu me entreguei de corpo e alma e ainda por cima entreguei o melhor e o meu pior pra alguém.
Eu, com esses parafusos a mais, nunca devia ter feito o que fiz. Eu ainda vou superar, não sei como e quando, mas vou. Eu só tenho raiva de uma pessoa nessa história toda: Eu. Hoje não posso dizer sinto algo. Pois acho que não sinto. Mas o incomodo é grande. Eu moro aos poucos. Talvez eu sossegue quando eu ficar bem longe daqui, como em Lille e excluir o Jeff Venturi e retomar minha vida de Jefferson R.C. Até lá eu tenho que aprender a crescer.
Hoje depois do acontecido eu tomei banho de chuva e tomei vodka e liguei pra quem merece meu respeito. Eu fiquei feliz com isso, pois de uma coisa eu posso me orgulhar: Enquanto os outros dizem que amam chuva, eles sempre estão com o guarda-chuva aberto; Ao passo que eu... bem, eu tomei banho de chuva...

domingo, 22 de abril de 2012

You are, I am

You're all I tried
You're all I start crying if I look into
You're my reason to live now
To the others I'm a fool, a crazy man
Yeah, I'm all more than only  a fan
I'm there all the time
You just cannot see me
I'm in the line you speak
I'm not a simply weak
I'm more than only a fan
I'm a man, a boy, a girl, a bird, a line
Cuz' I'm there even when it's not so fine
I'm a letter you pretend to read
I'm a knife that will make you blead
You're my lover, and in the rooms we have a case
I'm the lover, you'll have after an end pre-made
I'm the eyes that looks for the others regards
Everywhere you are, I've been there before to make it not so hard
I'm Jefferson, or simply Jeff, you are the dramatic arts
You're my soul, you're the devil I sold what I had, my heart!

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Duas Coisas a considerar

Escutei uma frase muito sábia certa vez. O dinheiro pode não te trazer felicidade, mas te leva pra sofrer em Paris.Estou aqui querendo gastar dinheiro com estudo e não posso. Sou o pior classe média que existe, o que vive sem um tostão no bolso e até gasta mais do que tem para poder estudar.

Segunda coisa: Estou com uma vergonha alheia grande, mas tão grande que até me acho ridículo por isso. Se eu pudesse me apagar completamente da mente de algumas pessoas, eu o faria com todo o gosto. Tem gente que não merece ter me conhecido. Não é nem questão de modéstia, é questão de eu ter me envolvido com gente que hoje eu olho e digo: AFFFFF. Bom, a maioria que ler isso aqui vai entender, pois com certeza já devem ter passado pela mesma situação.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Um caminho ideal para seguir

Hoje fiz minha primeira prova final no curso de comissário de bordo. No geral a considerei fácil. Tomara Deus que tenha passado e na ANAC seja assim também. Estou com vontade de voar mesmo. Talvez terei de abandonar o teatro por um tempo, mas posso produzir a escrita nesse meio tempo. Não sei, isso ainda me confunde. Amo o teatro mais do que tudo, mas nem só de Shakespeare vive o homem. É complicado um garotinho como eu só viver de teatro caso não dê a sorte e tenha competência de entrar em uma grande emissora. Esse é o meu sonho acho, entrar em uma grande emissora.
O que estou precisando é sair de casa e conseguir me manter, não quero tempo ocioso, quero ver que estou trabalhando e ganhando por isso, mas em alguma área que estudei, acho digno isso de minha parte. Estudar algo e trabalhar naquilo que estudei, nada mais digno.
Talvez o primeiro passo seja passar na ANAC e cumprir com meu prometido no SENAC. Seria bem interessante fazer uns cursos a mais para complementar minha formação de comissário, mas não sei se serpa necessário num primeiro momento.
Talvez o curso de primeiro socorros e o de garçon possam valer a pena. Mas ao mesmo tempo como eu queria investir em cinema. Enfim. Está vendo onde minha cabeça começa a ficar com dor de cabeça?
Tipo, são dois caminhos totalmente diferentes. Mas que valem a pena.
Financeiramente falando ambos pagam bem, mas talvez seja mais facil para mim, que eu me embrenhe na aviação que eu também gosto muito.
E decidi que quero casar quando tiver a oportunidade. Sou novo, tudo bem. Mas quando surgir a oportunidade, caso. Amar é muito bom, e como eu sei que não nasci para bacanal, quero concentrar meu amor em apenas uma pessoa e o pior é que já estou me apaixonando. Agora que ver se eu começo a amar... Não tem pra ninguém. Esse sou eu, um complexado, mas que está achando o caminho ideal para seguir.

domingo, 15 de abril de 2012

Ego

De acordo com o dicionário "Egoismo" significa: Sentimento ou maneira de ser dos indivíduos que só se preocupam com o interesse próprio, com o que lhes diz respeito. Logo interessei-me para descobrir a diferença entre Egoísmo e Egocentrismo.

O egocentrismo caracteriza-se pela fantasia de imaginar que o mundo gira em torno de si, tomando o eu como referência para todas as relações e fatos.
Uma pessoa egoísta pode não ser egocêntrica, uma vez que luta para fazer com que os fatos se amoldem a seus interesses.

Ao meu ver, não é errado ser egoísta, sim egocêntrico. Tudo com limite, é claro. Eu me considero até certo ponto, um pouco egoísta, mas acho que nunca interferi na ida de ninguém para isso. E não de maneira que não considerasse as opiniões dos outros. Talvez num primeiro momento eu tente negociar opiniões, mas caso dê errado eu tento adaptar-me ao que é acordado entre as partes. Isso não é ao todo ruim. É claro que ninguém é de ferro, pois então devo algumas vezes ter estrapolado no meu egoísmo. Acontece que há pouco tive uma discussão com minha irmã que envolvia opiniões, visão sobre dinheiro e sonhos. Ela me acusou de Egoísta e eu a acusei de Orgulhosa.
Acho que esses são pontos que podem se acumular em uma pessoa, mas quando estão cada uma em um inidividuo, a relação pode não ser das melhores.
Parei há muito tempo de dizer que só eu estou certo ou mesmo de levantar a minha voz numa discussão por mais séria que ela seja. Mas quando minha irmã me disse isso há pouco (não que tenha sido a primeira vez), parei e comecei a pensar. Até que ponto eu sou egoísta? Será que sou tão egoísta assim? Essa é uma pergunta que vou deixar para comentar por aqui no futuro, já que acabei de formula-la e não é em dez minutos que vou poder respondê-la.
Mas deixo a mesma pergunta para quem lê esse post aqui: Será que seu egoísmo está virando egocentrismo? Será que seu egoismo é grande o suficiente para atrapalhar a vida de outras pessoas? Pense nisso.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Eu sou de Libra


Falam tanto sobre meu signo por aí. Na realidade falam muito sobre signos por aí. Sou de Libra, e estou até começando a acreditar em algumas coisas do que falam. Somos perfeccionistas sim, ao ponto de chegarmos a loucura ou ao TOC se não moderarmos. Tendemos a ser o mais honesto possível e qualquer coisa que saia do padrão nos incomoda, por mais simples que ela seja. Por mais que não tenhamos frescura (que é o meu caso, e não da maioria), vamos sempre ter uma "frescurinha" para sermos chato. Mudamos de opinião toda hora e não sabemos se preferimos isso ou aquilo. Não nos solte para fazer compras com muitas opções. Diga-nos a loja e o setor específico da compra que ainda assim vamos ficar na dúvida do que fazer. Essas são as características gerais de nós que nascemos entre setembro e outubro. Eternos complexados, cujo som é o amor. Enfim, somos tanto quanto podemos ser e mesmo assim não é o suficiente. Esse é talvez um libriano comum, talvez um pouco de mim.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

As pessoas têm o direito de sonhar

Que eu sonho alto e crio mil possibilidades dentro da minha cabeça, disso todo mundo sabe. Ultimamente tenho lido muito sobre como fazer minha faculdade na França, numa cidade do interior perto da Bélgica. Não é que é de interior que é necessariamente pequena. Há mais de um milhão vivendo na cidade. Eu escolhi esconder isso de algumas pessoas, mas principalmente da minha irmã. Visto que os planos ainda não se concretizaram. Perceba que tomo como concretização não a compra das passagens e reserva de acomodação, mas os pré-requisitos básicos assim como os primeiro tramites legais da coisa.
Minha irmã me ama, eu sei disso. E não sei se há outra pessoa que eu respeite mais no mundo, mas ela tende a ser muito orgulhosa e até mesmo ignorante ao falar. O tom de voz dela, quando uma opinião diverge da minha, muda completamente e eu sei que vai sair merda. Tudo tem que ser do jeito dela. Hoje, há pouco, estava eu sentado do lado dela e me senti à vontade como há muito não sentia e decidi contar meus planos, que ainda são planos e não foram tomadas atitudes definitivas para que ocorra.
A única coisa que eu queria era ouvir um sonoro e feliz "que legal! O que e como você pretende fazer?" Sabe? Sabe aquele entusiasmo de felicidade pelo seu amigo que te conta uma novidade bacana? Sabe essa sensação? Mas não, não tenho mais isso e desisto completamente de ter isso da minha irmã.
Foram tantas as brigas e hoje acho que nosso relacionamento de irmão não passa de uma obrigação para ela por mais que tenha me criado junto com minha mãe. Minhas opções a magoaram de uma maneira que não sei se devo mais contar com ela, emocionalmente falando. Nem financeiramente, e não quero. Minha mãe tem me dado uma grande força nessa parte financeira. Ando sem um real no bolso e já passei constrangimento por causa de grana.
Minha irmã caí matando já que minha mãe me ajuda com grana. Eu ligava mais, mas sabe? Hoje eu acho muito bom que minha mãe me ajude. Por diversos motivos. Minha família não sabe ter dinheiro, ninguém aqui sabe, se sobrasse algo minha mãe não faria porra nenhuma de útil, ao menos está investindo em mim.
O problema dela são os objetivos pelos quais ela faz esse ''investimento''. Ela pressupõe que eu ganharei rios de dinheiro, mas eu penso diferente. Sou um cara que gosta de estudar, sonhar, conhecer pessoas, trabalhar e viver. O dinheiro vem em segundo plano, mas é a primeira necessidade. Ao passo que ela fala "Você será um homem com dinheiro" eu respondo "Eu serei um homem com experiências". Sem contar que eu tento ser o mais honesto possível, tal como responsável e correto. O que nem sempre me é dado como exemplo. Em pequenas coisas é claro. Mas coisas absurdas para quem tenta ser incorruptível. Disso falo depois, se eu falar.
No final, eu acabo machucado, tentando reconquistar minha família mais uma e mais uma vez e quebro a cara Não quero desistir delas, mas se for o caso eu assim o farei. Vida é uma só, e se querem ser extremamente realistas, me desculpem. Eu procuro dosar o real e o imaginário para ter uma vida menos sofrida nessa merda de Terra que só nos quer puxar para baixo.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Piscina

Eu preciso nada, a única coisa que parece resolver todos meus problemas é a sensação de estar envolto com água. Os mergulhos. Estando lá embaixo parece que nada vai me atingir, que estou protegido. Os problemas em volta surgem, os financeiros mais ainda, mas não choro, não tenho tempo de chorar. Problemas sempre haverão, mas todas as consequências dependerão exclusivamente de como esses problemas forem encarados por mim.


Eu sei!
Que os sonhos são pra sempre
Eu sei!
Aqui no coração
Eu vou!
Ser mais do que eu sou
Pra cumprir
As promessas que eu fiz
Porque eu sei que é assim
Que os meus sonhos
Dependem de mim...

Eu vou tentar
Sempre!
E acreditar que sou capaz
De levantar uma vez mais
Eu vou seguir
Sempre!
Saber que ao menos eu tentei
E vou tentar mais uma vez
Eu vou seguir...

Eu vou seguir - Marina Elali

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Dilemas

O mês já começou bem (ironia), comecei com um dilema gigante na minha cabeça. Coisa grande a pensar. Separei os caminhos que eu posso trilhar dentro das minhas carreiras. Opções de vida a seguir. O fato é quero continuar no teatro de alguma maneira ou no máximo ir para a área de história e tal.
1 - Posso Terminar o curso de teatro e me embrenhar em testes e produções próprias
2 - Posso Tentar ser comissário de bordo de alguma empresa aérea nacional
3 - Posso Fazer uma faculdade na França caso eu persista (História)
4 - Posso Fazer uma faculdade por aqui de... (?)
5 - Posso mergulhar de cabeça na área de ensino de língua inglesa
Com todas essas opções fica difícil escolher. Não sei. Acho que tentar ser ator e fazer uma faculdade aqui que me ajude de alguma maneira na carreira seria ótimo, seguido de um intercâmbio na França e tals. Mas e aí? Será um trabalho duro, mas não impossível. Vamos ver onde esses dilemas acabam.

sexta-feira, 30 de março de 2012

O mês mais produtivo

15 peças lidas, 9 passeios ao teatro, 8 livros lidos, 4 filmes assistidos. Essa foi a produção cultural do mês de março. Mês onde as aulas do curso técnico de Arte dramática voltaram com aulas de Gestão empreendedora em arte e o inicio da escolha do texto para a montagem também. Aulas ininterruptas no CEAB com apenas uma falta minha aconteceram e o fim do martírio do curso está próximo. Dizem que quantidade não é qualidade e eu concordo plenamente com isso. Nem tudo mencionado abaixo foi curtido em 100%. Talvez o fiz para ver logo chegar ao fim meus objetivos culturais do ano que compreendem ler ao menos 12 livros e 12 peças, ir ao teatro e ao cinema 12 vezes. Participar de duas montagens teatrais e assistir 12 filmes em casa. Estou perto de chegar a conclusão sendo que uma montagem já foi feita em fevereiro e a outra do SENAC logo no inicio do próximo semestre. Restará então apenas ir mais umas nove vezes ao cinema, coisa que em um mês é facilmente resolvida quando se tem o dinheiro na mão.
Ocupei-me demais nesse mês tentando crescer na parte de cultura e ao sair com o Janjão a Natália e a Maria, a última citada me lembrou uma frase que eu costumava me repetir constantemente: “ninguém é obrigado a saber de tudo”. Eu pensava que tinha medo da solidão, e de fato como ser humano que sou, tenho. Mas esse é um medo comum a todos. Meu outro medo, que deve ser tratado de alguma maneira é centralizar minha vida. Como assim? Ser estável é algo que todos queremos: estabilidade financeira e psicológica. Mas eu tenho um pouco de receio, por exemplo, de me inserir em um grupo sem saída. Imaginemos um grupo de rockeiros, um de baladeiros, um de meninos de rua, um de religiosos, um de comissários de bordo, um de taxistas, e por aí vai. Parece que o mundo se fecha ao redor de cada tribo e as possibilidades de maior estudo e entrosamento com o todo diminui. Mas ao mesmo tempo é algo necessário.
Bom, não tenho muito mais o que dizer, abaixo há uma lista das coisas que fiz no mês de março em relação ao meu estilo de vida. Posso dizer que, por mais maçante que possa parece para alguns e até mesmo para mim um pouco, eu adorei ler Longa jornada noite adentro, é o estilo que me cai bem, tal como assistir às peças Brincando com fogo, Os sete gatinhos e Da carta ao pai. As que mais me agradaram nesse mês. Li bastante e até mesmo livros mais conceituais e de estudo, mas Cem anos de Solidão, quase incompreensível em sua complexidade me agradou muito. Sobre os filmes não tive um que me agradou cem por cento, mas cada um teve um papel importante para formar opiniões em mim. Arca Russa me introduziu a história Russa, Molière mostrou-me a dramaturgia de Poquelin, Menina de Ouro fez-me pensar sobre a polêmica e ver o que leva atores a ganhar o Oscar e o Voo 93 me deixou perplexo sobre a questão de voar. Caso assistir mais depois que escrever esse post (hoje ainda é dia 25/03) talvez não comente, mas estará abaixo um pouco da minha vida cultural para quem se interessar.
Provavelmente essa produção irá cair daqui pra frente, eu mesmo assim quero. Quero mesmo é concentrar-me um pouco no que acho que deva fazer agora em diante e aproveitar mais de mim.
Bom mês de Abril para todos nós.

Peças Lidas
1.      Longa jornada noite adentro
2.      A dança final
3.      A serpente
4.      Os sete gatinhos
5.      O beijo no asfalto
6.      Senhorita Julia (2x)
7.      A dama das camélias
8.      Quando despertarmos de entre os mortos
9.      Ubu rei
10.  Comédia do trabalho
11.  Medusa de ray-ban
12.  Vestido de Noiva
13.  Anjo Negro
14.  O Santo e a Porca
15.  O Sonho de uma noite de verão

Peças Assistidas
1.      Da carta ao pai
2.      Brincando com fogo
3.      Os sete gatinhos
4.      A visita da velha senhora
5.      O beijo no asfalto
6.      Silly cow
7.      Mistero Buffo
8.      Florilégio
9.      Medusa de ray-ban

Livros Lidos
1.      Cem anos de solidão
2.      Cultura – um conceito antropológico
3.      Introdução as ciências sociais
4.      Desvendando o segredo da linguagem corporal
5.      Como administrar o próprio dinheiro
6.      Uma temporada no inferno
7.      O veredicto/na colônia penal
8.      A metamorfose

Filmes assistidos em casa
1.      Menina de ouro
2.      Vôo 93
3.      As aventuras de Molière
4.      Arca Russa

quarta-feira, 28 de março de 2012

O Louco Da Palavra

Podia-se dizer que era um louco. Falava sozinho na rua quando andava à noite. Nem sempre eram conversas consigo mesmo, na realidade a maioria das vezes conversava consigo só para amedrontar as pessoas na rua e assim afugentar possíveis ladrões da grande metrópole. Não era um ser engraçado, mas seu sarcasmo fazia rir, era por vezes até meio inconveniente, mas o leitor aqui deve conhecer aqueles que nos fazem rir por serem tão secos, secos como frutas secas.
Era um rapaz de gênio forte, mas tão educado que muitas vezes guardava para si as opiniões que divergiam da sua, sem tentar convencer ninguém do seu ponto de vista. Nossa pequena história começa num daqueles dias onde ele saía sozinho. Amigos ele tinha. Não tinha era companhia para seus gostos. Amava a arte, sobretudo o teatro. Nunca tentou decorar uma fala, nem as mais famosas de Shakespeare, mas quando numa platéia não perdia um segundo da atuação daqueles seres que ali, em cima do palco, recitavam as frases que ele por si mesmo não foi capaz de decorar.
Lia textos e textos e aos 15 (o que já considerava tarde) começou a estudar história da arte e do teatro e mergulhou em teatro realista, naturalista, clássico, épico e por aí vai. Era um bom entendedor, por mais que nunca admitisse saber tanto. Quando o assunto batia em história do teatro, os outros calavam para escutá-lo, e aquele ar de sarcasmo sumia e só re-aparecia no assunto posterior que quase sempre, como em todas as conversas, era sobre sexo, sacanagem e bebedeiras em grupo numa rua de botecos ou na casa de alguém do grupo.
Dê o nome que quiser para o sujeito. Ele era muito mais um estilo personagem que se lembra pela aparência e pelo jeito do que pelo próprio nome. O que interessa é que nesse dia, uma sexta-feira do mês de março, logo no inicio do outono, ele saiu para mais uma peça de teatro. Era um musical que estava em cartaz já havia um mês num dos maiores teatros da cidade.
Apesar de o espetáculo começar Às 21h, o rapaz já estava preparado às 17h. Além de ir de transporte público, ele era dotado de uma pontualidade suíça, eu diria até melhor do que a mesma, pois sempre estava mais cedo do que o combinado em um local.
Vestia uma camisa branca, aquelas que não valem mais do que um lanche de esquina na hora da fome. A camisa, porém não o mostrava humilde, afinal camisas brancas quando novas não tem marca por mais caras que realmente sejam. Uma calça jeans e uma bota preta completavam a sua caracterização. Gostava de usar creme para pentear o cabelo que era curto, mas possível de se pentear. O rosto e o corpo não me são necessário caracterizar, contento-me com a imaginação de quem lê.
Trancou a porta e deu tchau para o seu vira-lata. Pegou um ônibus e depois outro. No trem sentou-se na janela, olhando os prédios lá fora. “Se ao menos pudesse morar em um” pensava. E era aí que começava a criar suas verdadeiras histórias. Um dia era um bibliotecário trabalhando em alguma fundação na zona oeste da cidade, no outro tinha virado ator de novela e teatro e já teria que comprar um carro para fugir dos autógrafos.  Pensou em prestar arqueologia no nordeste do país e estar explorando a história antiga de sua nação. Uma vez passou em frente a um laboratório e já se imaginou lá dentro dando laudos periciais técnicos. Enfim, sua mente era mais divertida do que a realidade que vivia. Odiava o transporte público, sempre tão ineficaz, mas nunca tinha parado para pensar que toda sua força e criatividade vinham daqueles momentos (horas) ociosos dentro de trens e ônibus atravessando a cidade mostro em que morava.
Sentado ali, naquele mesmo banco diversas vezes, lembrava-se das provas que teria na semana na escola e os compromissos que havia assumido jovem demais para quem sabe um dia ter a possibilidade de realizar o sonho de ter uma qualidade de vida um pouco melhor, “com mais humanidade” como ele dizia.
O trajeto era longo e o gajo já nem tinha mais tanta pressa de chegar. Por vezes até curtia o trajeto, gostava de observar as pessoas ao redor e ver que não estava sozinho na cidade. Isto é, sozinho entre aspas, afinal as cidades estavam cada vez mais reclamando da solidão. Até achava engraçado, já que começara a entender um pouco da teoria do teatro, lembrava-se sempre do conceito que leu “No teatro se está sozinho em público” e gostava de relacionar a frase mencionada com sua realidade. Via as pessoas dentro do trem sozinhas em meio ao público que nem a via ali. Estavam todos sozinhos em públicos. Talvez tenha percebido a diferença para o teatro. Ali tem ao menos alguém observando o ator, que em concentração julga-se sozinho.
Chegou cedo ao local e antes de entrar no teatro decidiu parar uns dez minutos e ler um conto de Franz Kafka na praça em frente ao local. Chamava-se O veredicto a tal novela. Para ser sincero, nesse dia o jovem carecia de concentração e passou os olhos no livro sem entender nada. “Algo deve ter ficado no subconsciente, isso salvou a leitura talvez”. Foi então que foi comprar o ingresso.
– Desculpe senhor, mas estão esgotados – outro rapaz, mais ou menos da mesma idade o dizia.
– Impossível, eu liguei ontem e vocês ainda tinham dezenas – Realmente ele tinha ligado e optou por não fazer a reserva, queria ver se conseguia um pouco mais de dinheiro para pegar um lugar melhor na platéia.
– Sinto muito senhor, mas para fim de marketing cultural a empresa patrocinadora recebeu os últimos ingressos de hoje para disponibilizar para funcionários e clientes. Por isso não temos mais essas dezenas de ingressos que o senhor se refere.
– Rapaz eu venho de longe, não tem jeito mesmo?
– Infelizmente não, posso reservar para amanhã.
– Não, não. Esquece – O jovem respondeu sem remorso. Já havia acontecido algo parecido algumas vezes antes, mas o que ele não entendia era o porquê disso acontecer ali, num teatro gigante. “Depois as pessoas falam que não tem dinheiro” sussurrava. Ele havia economizado bastante para poder assistir ao grande espetáculo. Mas como mencionei era raro bater de frente com alguém e foi sentar na praça falando sozinho. Dessa vez sem o intuito de afugentar ninguém:
– Sabe Deus – ele gostava de conversar com Deus, mesmo que às vezes duvidasse de sua existência, e assim não era tido como um tanto louco. – Eu faço tanta coisa ao mesmo tempo, que às vezes perco o foco. Eu gosto do que estudo, eu estou me preparando para o bendito vestibular, começo a entender alguma coisa de teatro, nado duas vezes na semana e já ganhei até medalha, sem contar o trabalho voluntário na escola e as organizações de sala da qual faço parte. Porra, eu só queria assistir a uma peça e me divertir um pouco. Faz tempo que não vou a um musical, em uma boa peça. Porra Deus, isso me entretém!
Parecia que brigava com Deus, mas no fundo brigava consigo mesmo, por ter sido trouxa de não ter feito uma reserva. Mas já que estava ali não queria voltar para casa. Na realidade nem ia voltar depois do musical, ia com o povo da escola para uma bebedeira. Era só isso que eles sabiam fazer. Mas ia demorar muito. E o rapazinho decidiu andar na rua à noite na grande metrópole. Olhar as pessoas e os recintos. No máximo parar em um bar e pedir um refrigerante para passar um pouco do tempo.
Era inicio de outono e em países tropicais é uma maldição dar nomes às estações, pois elas nunca cumprem o combinado. Havia chovido de manhã, feito sol à tarde e agora o tempo apesar de consideravelmente agradável, ventava muito.
Lembrou-se qualquer passagem sobre a Rússia que era mencionada na novela de Kafka que leu. Lá devia ventar o mesmo o ano todo. Fazer frio o ano todo e os 10ºC feito no verão serem motivo de comemoração. Foi aí que começou a inventar mais uma vida dentro da sua cabeça. Agora ele era Russo, nascido e criado em São Petersburgo. Tinha estudado música na mesma cidade, mais especificamente Piano clássico e ao final da faculdade foi convidado para uma pós-graduação, ora vejam, no Brasil. País tropical, para ali então foi e se estabeleceu na cidade de São Paulo. Propostas de trabalho não lhe faltaram, aprendeu o português rápido com um sotaque charmoso que atraía as garotas e por ali decidiu ficar por mais tempo e agora aquele vento noturno o lembrava a terra natal.
Os olhos viajavam entre as pequenas casas da rua, a maioria em forma de sobrado, unidas, sem garagem, os carros parados à frente das casas embaixo das árvores que se confundiam com os fios de energia elétrica. “Se essas casas tivessem uma pintura mais bonita seriam talvez mais atrativas durante o dia, À noite eu prefiro assim”. Referia-se às pinturas antigas mal-cuidadas dos sobrados. Um desses sobrados tinha uma plaquinha fora onde se lia: “Bar do Macário”. Sorriu. Lembrou-se da horripilante escrita do Poeta Paulistano Álvares de Azevedo, onde Macário era um jovem de vinte anos que conseguiu conversar com o Diabo. Decidiu entrar, afinal há pouco tinha conversado com Deus, que custaria conversar uns minutinhos com o capeta também?
O lugar era iluminado às luzes incandescentes, uma delas falhava a cada cinco minutos e uma nem funcionava. Em suma, era mal iluminado. “Ao menos o dono daqui tem jogo de marketing para atrair os literários” concluiu. As cadeiras eram de madeira e tudo respeitava o século XIX. As prateleiras confundiriam qualquer bêbado fã de tequilas, vodkas, pingas, cachaças, licores e tudo o que diz respeito a álcool. Até álcool de cozinha tinha no lugar. O gajo não sabia se para a venda, o que era absurdo, mas visto a condição de muitos pobres da cidade é o que lhes restava. Encontrou um humor naquela desgraça.
O bar estava praticamente vazio. Era um bar um pouco fundo, mas estreito devido a casa onde era acomodado. Um velho barbudo e aos trapos bebia dois shots de vodka pura à sua esquerda. Na realidade não bebia, olhava estático para eles. Parecia em transe. Outro senhor, bem melhor vestido a duas mesas após o barbudo lia um jornal, que o nosso personagem viu como sendo de duas semanas atrás. No balcão três rapazes aparentando seus trinta e poucos anos bebiam cerveja de marca cara e riam falando talvez de mulheres ou futebol. Uma mesa era ocupada por duas mulheres e dois homens, que comiam algo que o jovem não pode distinguir. Ele preferiu sentar no balcão duas cadeiras antes dos três jovens.
Quem o atendeu foi uma jovem bem bonita do outro lado do balcão. Possivelmente mais velha que nosso menino, e possivelmente bem mais mulher do que qualquer mocinha de sua idade. Era loirinha a guria. Olhos escuros e não vestia avental, a roupa era comum.
– Eu quero uma cerveja – Em tal ambiente, o menino, que apesar de nem talvez fosse maior de idade, preferia mil vezes um álcool ao refrigerante. O bar era convidativo a tal, sem contar que com a grana que sobrou do espetáculo podia pagar por isso.
– Qual marca, temos todas que quiser.
– A mais forte. – E assim se sucedeu, pediu cerveja que veio em Longneck. Pros leigos, aquelas garrafas pequenas em que se pode tomar diretamente (não que em uma de um litro não se possa).
Não passou vinte minutos e ele pediu a segunda, que já tinha feito algum efeito sobre seu nível de consciência. Os três rapazes pararam e olharam o menino e aproveitaram (isto é, não posso dizer aproveitaram, mas talvez a expressão “Se enturmou” caiba melhor aqui, pois também já estavam alcançando a ebriedade). Um dos jovens quando percebeu a solidão do menininho virou para os amigos e disse algo. O mesmo virou e disse:
– Ô mocinha, é... Você – Chamando o rapaz -. “Mal” de chamar você assim, mas sair para beber sozinho é fossa. Aproxima-se aí rapaz. O que faz você beber só, hein?
Nosso menino, que tinha esquecido que seria melhor ter comprado uma vodka, já que tinha inventado a história de ser russo, se tocou que era com ele e deu uma risada sem som e se aproximou.
– Hoje não foi o melhor dia da minha vida, mas não estou tão na fossa quanto parece. Só perdi o musical aqui do lado, lotou.
– Lotou? Eu fui assistir ontem e nem curti tanto quanto pensei que ia curtir – Quem falava então era o ruivo cheio de anéis no outro canto. – Estou cheio desses musicais.
– Preconceito seu, seu dramático, eu “pago um pau” para todo mundo lá, o povo deve ter tido um trabalho imenso para cantar, dançar e atuar ao mesmo tempo – O que fez o convite replicou e uma pequena discussão começou enquanto o jovem se admirava, o povo falava de teatro como se falasse de futebol ou mulher e ainda davam risadas das conclusões que o outro dava.
– Podem dizer o que quiser, mas ator melhor do que o Zacarias aqui não tem não.
– Lá vai você de novo fazer o velho passar o mico. Mas pior que o velho é bom demais. Até eu queria ver essa. – O ruivo que disse isso já tinha cinco garrafas à sua frente e não falava embolado ainda, ao passo que o menino que tinha ido assistir ao musical e acabou num bar bebia a quarta Longneck.
– Seu Zaca, Seu Zaca, tem como o senhor fazer aquele discurso pro nosso novo amiguinho aqui. Ele ainda não viu.
– Porra Paulo, você gosta de empacar, não é verdade? – Era a loira do balcão. – Deixa o velho do Zaca em paz, depois eu sou obrigada a dar bebida para ele para acalmar o discurso. – A menina parecia repreender o ruivo, mas foi até ludibriante a mudança de aspecto da garota. – Mas o pior é que ele bom mesmo. Até eu já estou com saudades dos discursos.
– Posso falar? – O que agora era conhecido como “o novo amiguinho” tomou a palavra. – Eu preciso falar algo sério. Eu acabei dentro de um bar e não estou entendo nada. – E sorriu.
Zacarias, ou melhor, Zaca, era o velho que olhava estaticamente para dois copos de vodka. Sorriu e mostrou os dentes ainda inteiros. O que era incoerente com todo o resto do conjunto.
– Não estou a fim de discurso hoje, e vocês seus panacas não sabem diferenciar a beleza de um monólogo de um discurso. Eu lá sou político de dar discurso?
– Poxa seu Zaca, deixa de ser egoísta e divide conosco seu talento – O ruivo insistiu
– Vou ver se devo. Deixa-me tomar coragem. – E tomou a primeira dose de Vodka. A essa altura o amiguinho já estava a todo ouvido ao velho Zaca que parecia se preparar para entrar em cena. Perdeu um espetáculo para mil e quinhentos talvez, mas ganhou com exclusividade uma apresentação intimista à moda da casa.
A bebida pode ser infernal e ao mesmo tempo divina. Homens bêbados não mentem e quando o fazem o fazem mal. A bebida deixa os homens sinceros, que nem mulheres puras. Os sentimentos do nosso “amiguinho” era puros e com a bebida eram muito sinceros e com o êxtase da embriaguez era capaz de ouvir histórias e conversar ao mesmo tempo no qual também criava mil realidades em sua mente e com os olhos enxergava a realidade externa que achava melhor. Assim o fez quando o velho levantou e subiu na cadeira. Zaca suspirou como depois de um grito surdo e não era mais Zaca, era um velho qualquer que estava em cima de um palco e o palco era sua cadeira.
O velho Zaca pareceu morrer ao passo que outro homem, talvez não tão velho quanto ele parecesse nos olhos do homem que de trapos pareceu usar roupas de homem robusto e educado em colégios e universidades.

“Nunca repito um feito, não sou sobrenatural, mas considere-me como raio que nunca cai no mesmo lugar ou como um floco de neve que nunca é o mesmo onde quer que caia. Posso até ser uma folha qualquer de qualquer árvore por aí na Amazônia Brasileira ou Florestas Russas, que é única e se perder no meio de milhões, bilhões doutras. – Esse foi o início – Será que devo ser fiel de onde vim ou mentir a vocês as origens de minhas palavras? Seja como for vou conter-lhes somente minha versão da história, que é o que me vem em mente. Fazer jus ao local que me dispus a contar meu caminho seria interessante.  É em Macário que se diz que é no lodo do oceano que se encontram as pérolas e é aqui num bar que eu lhes entrego o tesouro que possuo, o único tesouro que possuo: minha história. Para a dor um copo de vinho e para a comédia da vida, uma cerveja bem barata. Que eu me lembre foi Confúcio que mencionou como  é importante não viver reclamando do que lhe é imposto em vida. Eu o desminto, pois vou fazer aqui uma reclamação: Não tenho mais um puto. Nem um puto para pagar uma puta tenho e devo isso a minha bestialidade infantil.
“Veja só. Percorri a Rússia toda – ‘Zaca mencionou a Rússia’ murmurou para si nosso jovem – A percorri no inverno em trens e fingi ser entre todos, o mais rico. Só para poder vingar-me do infeliz burguês que me matou em vida. Era um russo dos mais cultos de Moscou, casou-se e teve filhos e nem isso era o suficiente para querer tomar dos homens suas mulheres. Talvez eu minta aqui, ele não tomava ninguém, as vadias eram que se entregavam e abriam as pernas para o burguês. A minha amada era pura, eu era puro, e ela caiu em sua lábia e tornou-se uma vadia também. Diferente das outras que também eram atrizes perante os maridos, a bela não soube mentir e eu... Sabem que o amor tem como filho a dor? Ela sofreu um pouco na hora que a primeira facada entrou e depois foi só amor. As últimas palavras foram de arrependimento e amor, morreu perdoada e eu me matei em vida, sumi da cidade, não queria vergonha e aí me enfiei nos bares do interior, parei em Kiev, mas não demorou muito para eu perceber que seria um idiota se morresse ali, cresci e por meus meios consegui o que queria.  Hoje estou como antes, mais acabado, mais sem alma, o outro: de patrão foi a empregado, não aguentou e me poupou do trabalho que mais me instigava, e se matou. Covarde. Hoje eu vim parar aqui, e dessa vez nada mais quero. Só quero um pouco poder viver meu inferno e se alguém que nem você meu jovem amiguinho – apontou o nosso jovem personagem que perdeu o musical e ganhou um monólogo Russo – quiser saber o que vivo ou vivi, pode perguntar. Não sou mas idiota de negar experiências, cabe você acreditar ou não”. O silêncio no bar foi quebrado por aplausos dos poucos presentes e quando pensaram que a conversa voltaria ao habitual o ambiente continuou com magia do “se fosse real” O jovenzinho, agora movido a base cerveja “forte”, se levantou e começou a falar:

“Não vim aqui para saber o inferno de ninguém, mas talvez para poder também viver o meu. Matei-me sim, e também me considerei idiota. Amei sim, mas chame amor ao calor de contato corporal e lábios em chamas. Era burguês, mas qual o problema? não pedi para nascer endinheirado, nem tive culpa que meu pai enriquecesse. Não tive culpa de ser bem afeiçoado e dominar a literatura, de decorar poemas e discursos inteiros que conquistavam além dos meus trabalhadores, também as suas mulheres. Casei com a mais bela das solteiras e filha de aristocrata. Em festas era tido como atração e nunca destratei um amigo, mas sou homem e se uma puta se oferece para mim talvez eu não resistisse. A carne é fraca, mesmo com minha força e sua mulher – Ele apontou com força para o velho Russo no corpo de Zaca...” foi interrompido
“Não mencione minha mulher” – Não se sabia quem falou era Zaca ou o Russo.
“Eu a conquistei e dei a ela o que você não deu – A palavra voltou ao jovem – eu a dei sentimento, que nem à minha família tive, não dava mais nem valor ao meu dinheiro e você mente seu ignorante. Ela não te contou nada, você, obstinado a seguiu e a matou logo em seguida. Covarde sumiu e eu, sozinho de novo me fiz duro e frio, Viajei também, mas os seis meses no litoral me fez levantar e depois de anos veio a crise e compraram a minha fábrica.”
“Eu comprei a sua fábrica” – Zaca e o jovem estavam em pleno jogo dramático nesse ínterim.
“Sim, e eu de patrão virei empregado e você apareceu, mas sabe o que me dá mais prazer? Saber que eu tive ganas de me jogar no Volga e sumir para onde você nunca me faria um submisso. E agora eu estou aqui para te humilhar como você nunca imaginou. E que tenhas uma boa morte nesse ou em outro bar, esse sim é seu inferno. Eu já vivo o meu também, bem mais vingado que você.” – O jovenzinho pegou o outro copo de vodka que sobrara na mesa de Zaca e num gole só o tomou. Dessa vez não houve palmas, mas todos estavam atônitos, até o homem do jornal de duas semanas atrás parou para olhar. O silêncio constrangedor foi logo censurado com uma risada profunda de Zaca que disse rindo:
– Eu quero um brinde e aplausos pro jovem ator aqui. E vocês seus três mosqueteiros falidos, façam o favor de pagar a conta do moleque. É o mínimo que podem fazer pelo show que lhes foi dado. – E voltando-se para o “amiguinho do bar” disse – E como eu posso chamar o ator a minha frente?
E com um sorriso sarcástico, profundo e olhar ébrio o menino respondeu:
– Dê o nome que quiser, sou um cara qualquer que se embebeda por aí, às vezes sem motivos, para fazer histórias efêmeras, que talvez nem vão ser lembradas depois, quem dirá então que lembrarão meu nome?  Louco talvez seja o suficiente. Dê o nome que quiser. – E com mais um sorriso sarcástico saiu na rua para sentir o vento no rosto e ir encontrar os amigos para mais uma bebedeira por aí.