sexta-feira, 3 de julho de 2020

Devaneio

Eu tô com o medo do futuro. Não sei como vai ser, ninguém sabe, mas o não saber está me fazendo sofrer.

quarta-feira, 24 de junho de 2020

Não tá fácil

Pra ninguém. Mais de meia noite, jornal com recordes de mortes em COVID19 na tela. Linkedin e Catho abertas e lágrimas no olho. Incapaz. Imagens aparecem, como aquele sorriso de canto de quem com maldade e certo alívio de não ter de enfrentar um crescimento verdadeiro, me deu a mão que me colocou pra fora de uma empresa que eu acreditava. Não é fácil dormir nos dias que essas memórias vêm. Os livros, os pensamentos, são as únicas coisas que conseguem drenar o que é lágrima, mas eles não pagam as contas. Me sinto perdido.

terça-feira, 23 de junho de 2020

3 momentos para uma História

Eu finalmente me formei em História. Nossa sociedade prega que sem um diploma de ensino superior você não é nada. E após terminá-lo, em muitas situações, parece que ainda assim esse papel não vale muito. 
O período de pior momento da quarentena eu já vivi - claro que pode haver pior momento num futuro - mas atenho-me aos exatos 3 meses em casa.
Primeiro, parece que já faz muito mais tempo que estou em casa, ainda que as semanas passem rápido. Eu diria que em 3 meses, já vivi 100 semanas. Essa é a impressão de tempo que eu vivi.
Claro que há fatores, o namoro, o estar com cachorro, o viver com minha mãe e  o visitar vizinhos amigos contribuem para essa sensação. No período inicial, me vi em crise profunda.
Tive crise de choro, sono mal dormido, e me vendo obrigado a não sair de onde estou num período maior que 2 meses nos últimos 4 ou 5 anos, me questionei. Como eu me questionei.
Perguntei-me sobre vida, profissão, dinheiro, amor, ambições, e ainda em certo grau sigo com os questionamentos, fato.
Num desses devaneios julguei o curso que escolhi no período superior de estudos e descretditei o pouco que lhe havia dado. agora, passo por uma reconstrução desse significado que é ser licenciado em História. Como posso, tendo um pé mental em exatas, querer encaixar-me nas ciências humanas? Por dias quis jogar tudo pro alto e recomeçar, porém lembrei que eu amo estudar o que estudei e que não é jogando pro alto o que investi que meu caminho teria necessariamente uma guinada na rua da felicidade.
Briguei com a História, e os momentos só, às vezes com ajuda de algum entorpecente, falaram mais alto e viajei para momentos que me construíram um curioso da História. Remotamente meus livros favoritos eram sem sombra de dúvidas as sagas de Sherlock Holmes e como ele conseguia reconstruir histórias por pistas. Na faculdade, Guinsburg o cita como exemplo da busca de um paradigma indiciário para o saber histórico e eu o coloco (a Holmes) como um influenciador na minha tomada de decisão do curso da faculdade.
Em um segundo momento me lembro de Alencar, meu professor de história no fund II e ensino Médio. O professor que esteve comigo por 7 anos, mais que qualquer outro até hoje e como o via liberto, talvez porque desiludido como professor, dentro da história como matéria escolar. Eu o olhava como exemplo de professor, ainda que por muitas vezes o tempo era quase disperdiçado em competições de arremessos de bolinha de papel dentro da sala de aula.
O terceiro motivo eu o manipulei, mas ainda creio ser um influenciador. As viagens que desde muito cedo fui obrigado e depois me obriguei a fazer para conhecer a realidade dos outros e os locais mais interessantes que eu poderia conhecer.
Hoje me vejo remediando relações com a História e olhando para a minha formação baseada em deformações e ápices de uma boa época de estudos. Respiro fundo e sigo buscando um conhecimento através da vivência e leituras que em breve espero poder compartilhar com outros e contribuir de certa maneira para a espécie humana como sociedade que eu (não) acredito.

Pergunta

Será que eu o amo?
Se a pergunta vem
Ele em minhas mãos me tem,
Sou eu que aos céus clamo
E com paixão o chamo.
Se o amo não sabia bem,
Já tive paixão por mais de cem
Já tive experiências insanas
Entre mamões e bananas
Eu já me diverti sem desdém

E a pergunta que no fim fica
É o que ele consegue e cativa
Sendo na forma ativa ou passiva
Que meu pensamento viaja e implica
E contente lhe dá a ultima dica
Que sou eu que no fim do dia o ama
Meu corpo por ele arde em chama
E o segundo que com ele estou
É o segundo que me encontro como sou
E eternamente me vejo com ele em uma cama

sábado, 6 de junho de 2020

Tentativa e erro

Junho começou e com ele, mais claridade de pensamentos.
O mundo está um caos. Ligar a TV ou mesmo entrar em redes sociais é deprimente. Um governo omisso em pedaços, crimes por todos os lados e uma epidemia mundial. Dentro de mim, fico reflexivo, mas sem buscar respostas.
O dia hoje representa bem esse momento. Eu olho pro céu e apenas nuvens e nuvens, um dia que poderia talvez ser visto em sépia e, apesar do movimento na praça ali fora, parece sem vida. Eu brigo comigo mesmo para mudar essa realidade e é difícil.

2020 na atual circunstância pessoal de não estar trabalhando, me deu tanto tempo como eu jamais tive antes. Beber, perdeu um pouco da graça, só passo mal quando bebo. Meu corpo não me satisfaz, minha intelectualidade parece medíocre, meu desejo é recomeçar. Mas aí, eu me lembro que não tenho 18 anos, nem milhares de reais na conta que me permitam repensar, ou talvez mesmo, não tenho 18 anos com a experiência dos 27 anos depois de tanta tentativa e erro. Desejo por um momento que a vida fosse tal qual a série Dark e eu mesmo pudesse me aconselhar quando era mais novo e abrir minha cabeça para entender.

Não é assim. O café me desperta e me lembra que não é assim que as coisas funcionam e tudo bem.  A primeira pergunta pode ser "O que é necessário para que você fique feliz e por que você não está faendo isso?" outra "por que você gasta tanto tempo refletindo e planejando, mas a execução é pobre e descontínua?". O momento de tristeza não deve e nem pode ser uma constante. Pelo contrário, deve ser algo específico e dar vazão às ações que mudem minha realidade.

"Qual seu desejo e o que você está disposto a abrir mão por enquanto para alcançar esse desejo?" e enfim "O que te faz feliz?"

quarta-feira, 27 de maio de 2020

Sei lá que dia da quarentena e da vida

Já perdi as contas. Minha cabeça tá fervendo e não é de dor de cabeça. Não dormi essa noite e não foi balada. Mil coisas na cabeça e quando olho no espelho só enxergo frustação. Eu grito por dentro que a culpa é da pandemia, da quarentena e que se minha cabeça está assim é por fatores exógenos.
Como nunca antes só os arrependimentos gritam dentro. O de não ter estudar e passadona USP, ou mesmo de não ter implorado para ir pra Pelotas estudar meteorologia. De não ter tomado a primeira bala antes. De não ter dado certo com quase 30. Será que eu dei certo?
Eu peço por dentro socorro, mas mesmo os que podem ouvir, não podem fazer muita coisa. Eu me frusto de não ser um ator, de não ter coragem de sair por aí, de não ter sido rebelde o suficiente nem corajoso o suficiente para poder ter arriscado mais. De não ter ido para a Argentina ao invés de Londrina em 2013. De ser sempre o certinho da escola ao invés de ser o visionário.
Sem emprego, agora em 2020, pois queria tanto ter o mínimo do tal ano sabático, corona me pegou de jeito e quebrou as minhas pernas. Eu grito e me vejo traumatizado pelo ambiente corporativo por injustiças depois de tanto acreditar e trabalhar por um objetivo de mudar o mundo. Eu me vejo acanhado no canto, querendo me excluir de redes sociais, de querer viajar o mundo e não postar fotos. De deletar meus perfis e estudar algo que não exija tão facilmente o contato com outros humanos, ou pelo menos não em empresas que se dizem diversas, mas contratam corjas no comando.
Eu me vejo triste por ser ais um dos milhares de atores que nem criativos mais se acham.

Eu paro na esquina de casa, me olho com responsabilidades que eu outrora nem queria, e olho pra mim dizendo que basta de sofrer, e o caminho para a felicidade eu já devo ter. Mas olho novamente e me vejo perdido. A única mão que me acolhe, tenho medo de a cansar, de a perder. Me vejo só novamente e perdido, apenas estudando e estudando e ficando com mais medo. Porra, cadê o Jeff? É isso depressão? É isso pandemia? O que é? Não,não, não. Nem quero saber. Quero acordar e me ver em 2009 com esse sonho longo sonho. E fazer minhas frustações mudarem. Paro, penso e quero 2020, por que porra menosprezo a experiência? Os amigos e amores desses 11 anos? Eu me entristeço, só queria um abraço.

quarta-feira, 29 de abril de 2020

1 mês de meditação ativa

Entre 23 de Março e 29 de Abril
Quando todas as inseguranças querem te destruir

Não estou falando literalmente de meditação. Mas sim seriamente. Num período em que me coloquei em casa de modo intensivo, convivendo com mãe, namorado, cachorros, pandemia mundial, governo em crise, instabilidade profissional e financeira, todas as dúvidas vieram a tona. Todos os desnivelamentos também.
Foi tempo de amar e ser amado. De me questionar sobre onde cheguei e as frustações que tenho e por que as tenho. Foi um tempo de filosofar de modo intensivo, questionar algumas amizades e ter saudades, nostalgia de outras. Foi tempo de dar um tempo e aprender como nunca o que é parar, e o que o "parar" trás de bom para minha vida. Foi tempo de se descobrir ocioso numa rede e até de ter crise de choro, desregular o sono, a alimentação, a rotina. Foi um tempo de dizer um "NÃO" bem grande para correntes familiares do controle, de entender melhor meus limites e calcanhares de aquiles. De entender meu sexo, minhas limitações, minhas lutas a serem escolhidas. De entender que o mundo é sim injusto e o que eu quero fazer vai determinar muito essas lutas a escolher.

Fiquei muito agoniado em entender o futuro e ainda estou, estou em processo. Não entendo muita coisa e ainda sem respostas para outras coisas. Me questiono sobre a produtividade em quarentena, ou pelo menos, sobre as curiosidades que a quarentena tem me feito ter. O que quero seguir, o que estou disposto a lutar.

Certamente há objetivos que não abro mão, mas de muitas coisas vou ter sim que abrir mão para conseguir o equilíbro que tanto venero nos meus pensamentos. Sem pressa, sem perfeccionismos.

Se eu fosse resumir esse 1 mês de quarentena eu diria que foi um intensivo de filosofia. É isso, um intensivo de Filosofia.

Meus três primeiros meses sabáticos

Entre 12 de dezembro de 2019 e 23 de Março de 2020
Depois da saída do Facebook e antes da quarentena oficial do Governo

Com tanto tempo dentro de casa, muitos pensamentos, medo e algumas crises existenciais, eu me peguei frustrado, me xingando por não ter passado na USP lá atrás e por ter uma vida presa àlgumas coisas que eu mesmo busquei. Ora, ora, ora...

Pois não foi que agora, ao me perceber vivido 1/3 do ano, eu me perguntei, e o que eu fiz? E o que, eu, que julgo tanto, me saboto muitas vezes, posso dizer ter feito nesse período pré-pandemia, que posso também dizer como um período de meu governo espiritual provisório? Que caralho eu fiz em 3 meses que me provaram dar um step ahead na minha vida? Será que posso comemorar? (Espero que sim, pois comprei vinhos pela internet e se, eu concluir que posso ser meu Narciso, eu vou brindar essa porra)

No outro dia após minha saída nada convencional do Facebook Brasil, sem ainda entender direito o que aconteceu e vivendo o trauma eu peguei a chave do meu apartamento, sim, meu fucking apartamento, que como bom brasileiro financiei em mil vezes. O estar desempregado não me fez comemorar, não me deixou com o momento de êxtase, apenas preocupações que infelizmente seguem, mas ainda assim é uma puta conquista. Morar na Praça Roosevelt, justamente onde eu sonhava em morar sendo um morador de São Paulo, num apartamento que posso dizer meu, é a realização capitalista da propriedade privada que alcancei. Fiz a mudança às pressas, com muita raiva, mas porra, eu tenho um teto, eu tenho esse tipo de problema para se preocupar e isso é lindo demais.

Entre Fevereiro e Março fiz duas viagens que me levaram a 5 estados do Brasil, conheci histórias lindas, pessoas incríveis, paisagens que nunca vão sair da minha cabeça, como atravessar o Rio Tapajós, ou ver Arte Rupestre pela primeira vez. Visitei meu irmão e meus sobrinhos, fiz novos colegas de teatro e fui muitas vezes ao cinema. Assisti ao Oscar do começo ao fim pela primeira vez, torcendo. Porra, olha que linda essa oportunidade, olha quantas experiências e memórias eu construí em algumas viagens que para muitos é impossível ou muito difícil até de cogitar.

Fiz um curso intensivo de atuação para TV e cinema na CAL no Rio de Janeiro e outro de História da Arte Brasileira no MASP. WOW! Sem palavras! E eu realmente quis fazê-los, eu realmente prestei atenção, eu realmente estava presente lá, eu realmente estava feliz em estar estudando esses cursos. Conheci gente legal nesses lugares, tive bons momentos e aprendi muito. Caraca, 2 cursos! Sem contar que iniciei uma pós em História da Arte na FPA, um lugar que sempre quis estudar.

Minha mãe veio morar comigo, estamos reconstruíndo uma relação que há tempos não existia, a do dia-a-dia. Meu cachorro é um fofo e a nega ainda está aqui ao meu lado depois de 17 anos quase. Meu amigos cada vez mais claro quem são e não me preocupo mais em provar nada para eles. E ah! O amor! Hehehehe Me apaixonei por um cara incrível, que me ama e me trata bem e é o melhor namorado do mundo. WOW! Eu vou fucking abrir esse vinho, vou fucking abrir a janela e gritar pro mundo que o período de transição entre o Jeff até 2019 e o Jeff no período da Covid.  O que será? Não sei, não tenho noção. Mas eu tenho que parar com esse sabotador que está dentro de mim, gritando a todo instante. Todos podemos dentro de nossas possibilidades crescer o máximo, por mais que seja em períodos complicados. Na realidade, até melhor, a mudança só vem pelo caos.

segunda-feira, 20 de abril de 2020

Na Varanda

Meu primeiro eu, cercando a luz amarela
a poucos passos de uma da manhã
Faz pouco, na velocidade da luz de uma vela
Que pedi pra na sua vida entrar numa por uma brecha
Que decidi passar contigo o meu amanhã

Sentados esperando o mundo acabar a cada momento
Sinto por dentro uma lágrima de amor,
Sim, você apenas está no meu pensamento
Cantando samba na varanda ao vento
Que faz de cada segundo um doce sabor.

Onde estiver não me esqueço de ti,
A diferença entre você e o passado
É que para lembrar de qualquer amado
Eu tinha que fechar os olhos, e se
De ti me afasto, eu sonho contigo acordado.

sexta-feira, 3 de abril de 2020

Minha São Paulo Querida

Olhando publicações muito antigas, eestou revendo experiências em São Paulo que ainda quero ter por aqui e ainda não tive.

Passear de helicóptero num tour panorâmico +-500
Ir ao festival de sopas do Ceagesp no inverno +-100
Entrar de fato na biblioteca Mario de Andrade 0
Assistir um concerto na Sala SP +-100
Ir ao Parque da Cantareira/Pedra Grande +-50
Aproveitar de verdade o MAC +-30
Ver uma exposição no MIS +-30
Fazer a trillha do Pico do Jaraguá +-50
Comer a Coxinha do Veloso +-30
Pedalar no Minhocão 0
Assistir algo no Teatro Municipal +-50
Subir o Jardim da Prefeitura 0
Assistir o Coral na igreja São Bento 0
Fazer uma visita guiada SanFran 0
Ver uma corrida no autódromo +-200 (Stock Car)
Ver uma corrida de cavalos no jóckei clube ???
Ir a Casa de Vidro +-50
Visitar o Catavento cultural +-50
Ir ao Instuto Butantã +-50
Assistir algo no Auditório do Ibirapuera +-50
Visitar no Ibira o Pavilhão Japonês +-30
Ir ao Museu Judaico 0
Ir ao Solo Sagrado +-50

Punheta Acadêmica

Nesses dias de quarentena, ou melhor, em dezembro antes do dilúvio chegar, pensava que seguiria num mundo corporativo tech. Muito bem equilibrado diria - ainda que com PLEVA, diz-se por estresse - estaria cômodo. Grande ilusão, em menos de uma semana me via sem emprego, com burocracias para resolver e uma conta de milhares de reais para pagar tal como aluguel e mudando completamente de estilo de vida.

Dezembro, chorei mágoas e certamente afetei meu psicológico de modo tal que não sei ainda o quão bem estou recuperado da injustiça sofrida no Facebook, sendo golpeado por uma política interna suja de uma corja de profissionais milionários. Ainda penso que eu não quero muito, e que merecia ter ficado um pouco mais, para catalisar alguns sonhos e deixar as coisas mais estáveis, mas a vida gosta de me desafiar. Sempre, sempre gostou. Certa vez, um amigo, me explicando de minha intensidade, me lembrou que todo momento que eu canto paz, um golpe surge de algum lugar e me puxa de volta para a ação.

Eis que dezembro tomei algumas decisões que afetariam minha vida por completo. Primeiro, inscrevi-me numa especialização na FPA em História da Arte, crente que, defasado numa formação inicial em Licenciatura em História na UNISA (em fevereiro de 2020 foi a colação de grau), poderia estudar e beber de material junto a já especilistas em arte e pensar em objetos de pesquisa para um possível mestrado na área. O que seria de todo um grande desafio. Estou amando! É díficil a leitura, mas é algo novo e o treino da teoria, e como ela se aplica no dia-a-dia, me faz feliz.

Ainda peso a utilitariedade da teoria, pois em um momento de crise como esse que vivemos não são de historiadores da arte que precisam e isso, ainda que pouco, me pesa a conciência e me coloca mais perguntas, como o de por que não fiz medicina ou que fosse veterinária ou ser bombeiro que estaria para ajudar as pessoas. Talvez meu ajudar seja político? Como político se vejo muitas vezes meu objetivo como individualista e elitista tanto quanto muita gente que conheci no ambiente corporativo?

São novas perguntas de angustias não tão novas assim. Tudo é construção e desconstruir dói. Ir a uma festa e tomar algum psicoativo pode ser uma viagem deslumbrante e "foda" para alguns, para minha é uma aula intensiva sobre meu próprio eu, é como ressucitar platão, sócrates e aristóteles e apanhar deles, ou vê-los como armas atirando uns aos outros sem me ver no meio da batalha. Ao mesmo tempo é libertador, pois toda a teoria que lida 10 vezes não faz sentido, em um passe de mágica se faz sentir na prática e não há linguagem no mundo que defina o entendimento daquilo que nós, teóricos, em punhetas acadêmicas, seguimos tentando produzir por séculos.

Eis-me aqui, refletindo na madrugada, na esperança que meu enough chegue logo, mesmo com o espírito inquieto que reconheço ter.



quarta-feira, 1 de abril de 2020

Legião

De tarde quero levantar
Quero olhar pra praça e ver
Que a chuva ainda está forte e vai
Ser foda sair na rua, sei
Que faço isso para viver
Eu vejo o vírus por aí matar
E o vento vai espalhando tudo agora.

Uma pandemia global

É a primeira vez que a minha geração no Brasil vive algo assim. O coronavírus é um vírus que tem uma média atual de letalidade de 1,38% e já infetou mais que milhares de centenas pessoas ao redor do mundo. Temos um presidente que pouco faz caso da situação e uma quarentena quase que obrigatória, devendo ficar em casa o máximo possível, tentando sair o mínimo possível para sobrevivência apenas.

Parece que o mundo fechou suas relações, seus voos, as ruas ficam vazias e com tudo fechado é quase um crime sair. Até que desrepeitei a quarentena indo visitar o amigo vizinho, ou levando o cachorro para passear.

Ora pois, 1 ano sem escrever por aqui e visualizado os dados que eu posso coletar visualmente - é dizer, maior atividade em 2013, o ano em que me obriguei a amadurecer determinador aspectos da vida adulta -, eu posso dizer que estou feliz e fazendo o que eu quero, só não da maneira que eu gostaria de estar fazendo.

Se bem visualizar os posts mais antigos e comparar com os resultados parciais de 2020, para um menino que pouco tinha de grana e apoio familiar, consegui alcançar algumas coisas. através de uma herança, dei entrada num apartamento de 2 quartos bem na praça Franklin Roosevelt, talvez meu sonho de consumo e lugar que mais gostaria de morar em SP. Entre tantas conversas e discussões, a melhor decisao foi que minha mãe voltasse a morar comigo.

Em maio de 2019 comprei adotei o Valentino, um Collie que hoje é uma dos meus grandes companheiros. Estabilizei melhor minha relação com minha irmã, neutralizando um pouco a convivênia e escutando opiniões sobre minhas decisões mais passivamente, já discordando em discordar. Apaixonei-me algumas vezes, sobretudo nas viagens, já sabendo o próprio fim que seria daquela paixão e me enamorei de um carioca em São Paulo, novinho, pouco a pouco, de uma maneira que estou amando estar com ele. Estou namorando, mas ainda sem poemas de amor. Concluí a licenciatura em História, fiz alguns cursos relacionados, estou estudando uma especialização em História da Arte. Falo 5 idiomas bem e outros 2 meia boca. Viajei por 24 estados do Brasil e 20 países no mundo. E uma pandemia global se alastrando nesse ano de 2020.

Sou de falar pouco do que fiz hoje em dia, cada dia mais aprendo que não é preciso andar com megafone falando de suas conquistas (diferente do que fiz acima), mas como considero algo pessoal esse blog público, fiz desse momento uma necessidade para me lembrar das conquistas e me animar no caminho. Tem gente que não consegue conviver com isso, eu talvez não conseguiria se estivesse do outro lado.

Ficar em casa te obriga a te conhecer melhor e as prioridades dos seus sonhos, ou mesmo reconhecer os sacrificios que você faz para viver a vida. Não se pode entender muito bem ainda o que vai ser do futuro, e essa escuridão á frente te obriga a enxegar ou sentir o que é de fato muito perto.

Seres humanos, nós, nunca estamos satisfeitos. Eu me mantenho as mesmas perguntas de 2009, mas dessa vez com muito mais conteúdo para explorar. Não somos nada sozinhos.

terça-feira, 16 de abril de 2019

A preparação do ator

No SENAC - SP, os alunos passam mais de 1 ano e meio estudando matérias pertinentes a àrea de interpretação. Sendo que o "método" abordado é do Russo Konstantin Stanislawsky. Ele escreveu alguns livros sobre seu sistema que é famoso em todo o mundo, e Inclui-se o livro "A preparação do ator". Abaixo há um resumo por capítulos do livro com algumas citações tiradas da obra ou paráfrases e conclusões sobre alguns temas tratados.
Não queremos colocar o sistema que estudamos como regra, o próprio Constantin dita isso, mas para refrescarmos a memória é sempre bom ter algo em mãos. Bom proveito.

A Preparação do Ator
Constantin Stanislavsky

“Ele [o sistema] só tem utilidade quando se transforma numa segunda natureza do ator, quando este deixa de se preocupar com ele e quando seus efeitos começam a aparecer naturalmente em seu trabalho”.


Diretor Tórtsov junto ao seu assistente, Rakhmanov, dá aulas de arte dramática para Gricha Govorkov, Sônia Valiminova, Vânia Viuntsov, Paulo Chustov, Leão Puchcin, Maria Maloletkova, Nicolau Umnovik, Dacha Damcova e o narrador da história Kóstia Nazvanov

Capítulo 1 – A primeira prova

“É difícil despertar a vontade criadora; matá-la é facílimo”.
“O ator deve ser como um soldado e submeter-se a uma disciplina férrea”.

Dicas:
Evitar ansiedade
Ter objetivo em palco quando atuar
Evitar a mecanização de ações
Evitar a o início da criação pelo que é externo e não interno
Evitar Estrelismo
Olhar e escutar o outro em cena

Capítulo 2 – Quando atuar é uma arte

“A melhor coisa que pode acontecer é o ator deixar-se levar pela peça inteiramente”.
“A nossa arte nos ensina, antes de qualquer coisa, a criar conscientemente e certo, pois esse é o melhor meio de abrir caminho para o florescimento do inconsciente, que é a inspiração”.
“Representar verdadeiramente significa estar certo, ser lógico, coerente, pensar, lutar, sentir e agir em uníssono com o papel!”
“Infelizmente, no mundo, o mau gosto é muito mais comum do que o bom gosto”.
“Nunca se permita representar exteriormente algo que você não tenha experimentado intimamente e que nem ao menos lhe interessa”

O capítulo trata do “atuar consciente”, de como é importante a preparação física do ator e como é perigoso a simples imitação ou fixação de movimentos pra definir sentimentos, os carimbos os clichês e estereótipos que se tornam base do trabalho de alguns atores. O capítulo também cita a importância de viver o papel a cada instante que o representamos e em todas as vezes. Tortsóv deixa bem claro como o estrelismo tem que ser banido da vida de um ator.

A ser considerado para estudo de Circunstâncias Dadas podemos citar:

o   Época
o   Tempo
o   País
o   Condições de vida
o   Antecedentes
o   Literatura
o   Psicologia
o   Alma
o   Sistema de vida
o   Posição social
o   Aspectos exteriores
o   Caráter
o   Costumes
o   Modos
o   Movimentos
o   Voz
o   Dicção
o   Entonação

Capítulo 3 – Ação

“A imobilidade exterior de uma pessoa sentada em cena não implica passividade”.
“Muitas vezes a imobilidade física é resultado direto da intensidade interior e são essas atividades íntimas que tem muito mais importância artisticamente”.
“Não atuem de um modo geral, pela ação simplesmente, atuem sempre um objetivo”.
“Todo aquele que deveras é um artista, deseja criar em seu íntimo outra vida, mais profunda, mais interessante do que aquela que realmente o cerca”.
“No início esqueçam seus sentimentos. Quando as condições interiores estiverem preparadas e certas, os sentimentos virão à tona espontaneamente”.
O “se” que cria a possibilidade do mágico, impulsiona a imaginação e estimula o subconsciente.
Nós como atores devemos aprender saber os momentos ideais para dar risada e do que. Termos foco no trabalho é essencial e saber separar o que é o profissional do pessoal é essencial.

Capítulo 4 – Imaginação

A imaginação é essencial para os atores
“[o ator] terá de desenvolver a imaginação, ou então desistir do teatro”.
A minha imaginação tem iniciativa? Será questionável? Desenvolver-se-á espontaneamente? A imaginação tem que ser ativa além de passiva.
O Subtexto: Entender e acreditar no histórico da personagem, imaginando-a.
É necessário fazer-se perguntas a todo instante, criando imagens com a criatividade.
“Até mesmo um tema passivo pode produzir um estímulo interior e incitar-nos à ação”.
“Nossa arte requer que a natureza inteira do ator esteja envolvida, que ele se entregue ao papel, tanto de corpo como de espírito”.
“Se pronunciarem alguma fala ou fizerem alguma coisa mecanicamente, sem compreender plenamente quem são, de onde vieram, por quê, o que querem, para onde vão e que farão quando chegarem lá, estarão representando sem a imaginação”.

Capítulo 5 – Concentração da atenção

“Para fugir do auditório você tem de ficar, interessados em alguma coisa no palco”.
“O ator deve ter um ponto de atenção e esse ponto não deve estar no auditório”.
“Nada de perguntas desnecessárias, o ator deve ser bom de cálculo”.
“Nunca, por um segundo sequer, fiquem sem fazer nada”.
“O talento sem o trabalho nada mais é do que matéria-prima sem acabamento, no estado bruto”.
“O ator deve ser observador não só em cena, mas também na vida real”.
“Sou um artista, preciso de material capaz de tocas minhas emoções”.
Temas como “Solidão em público”, “Círculos de atenção”, “Atenção exterior e interior” e o “Recordar” (que é um trabalho prolongado e sistemático) são levados em conta nesse capítulo.

Capítulo 6 – Descontração dos Músculos

A rigidez muscular interfere com a experiência emocional interior. Nas pessoas nervosas de nossa geração essa tensão muscular é inevitável.
“Nos trechos de grande tensão é ‘particularmente necessário conseguir um libertação muscular total’”.
Esse hábito de relaxamento e descontração muscular deve ser feito dia-a-dia. Estudar ossos e partes do corpo seria interessante para a preparação do ator.
“O ator como a criancinha, tem de aprender tudo desde o começo, a olhar, a andar, a falar, etc. Nós todos sabemos fazer essas coisas na vida comum. Mas infelizmente em nossa grande maioria, fazemo-las mal. Um motivo é que qualquer defeito surge muito mais perceptível sob a plana luz da ribalta e outro é que o palco exerce uma influência no estado geral do ator”.

Capítulo 7 -  Unidades e Objetivos

“É tão impossível reduzir a uma só bocada um peru inteiro, quanto uma peça de cinco atos”.
“Quanto mais seco ficar o papel, mais ‘molho’ será necessário”.
“Lembrem-se que a divisão é provisória, nem o papel e nem peça podem ficar em pedaços”.
“Não decomponham uma peça mais do que o necessário, não usem detalhes como guia. Criem um canal delineado com divisões amplas, que tenham sido minuciosamente elaboradas e preenchidas até o último detalhe.”
Só na preparação do papel que usamos essas tais divisões de unidades.
Sempre repassar os pontos principais e se perguntar o que é essencial na peça?
 “O erro cometido pela maioria dos atores é o fato de pensar nos resultados, em vez de apenas na ação que deve preparar”.


Objetivos devem ser:

o   Dirigidos aos atores e não espectadores

o   Pessoais e Análogos aos da personagem

o   Artístico, verdadeiro, real, vivo e Humano.

o   Ser atraente, comovente e claro.

Às unidades é importante darmos nomes, esses com emprego de verbo de ação (querer, por exemplo)

Capítulo 8 – Fé e Sentimento de Verdade

“Há a verdade cênica, que é verdadeira, mas que tem a origem no plano de ficção imaginativa e artística”.
O sentimento é importante. Verdade no teatro é verdade cênica: “A verdade em cena é tudo aquilo em que podemos crer com sinceridade, tanto em nós mesmos como em nossos colegas”.
O processo de buscar começar pelo interior é chamado: “justificativa do papel”.
"Precisamos de verdade no teatro, até o ponto que podemos acreditar nela”.
“Procurem a falsidade ‘apenas até o ponto em que isto os ajude a encontrar a verdade’”.
“Os jovens, tão impacientes, procuram agarrar de uma vez toda a verdade interior de uma peça ou de um papel e acreditar nela”.
“A linha lógica de ações físicas não deve ser interrompida nem em cena, nem nos bastidores.”
“Cheguem à parte trágica do papel sem estremeções dos nervos, sem sufocações, nem violências e, sobretudo, não o façam de repente. Encaminhem-se para o que é gradual e lógico”,

Capítulo 9 – Memória das emoções

“Embora os nossos sentidos do olfato, paladar e tato, sejam úteis, e até mesmo importantes algumas vezes, o seu papel em nossa arte é simplesmente auxiliar, e tem por objetivos influenciar nossa memória das emoções”.
“O tempo é um esplêndido filtro para os nossos sentimentos evocados Além disso, é um grande artista. Ele não só purifica, mas também tresmuda em poesia até mesmo as lembranças dolorosamente realistas.”
“Dirija seus esforços no sentido de criar uma inspiração nova e fresca para o dia de hoje.”
Temos a semente de todos os sentimentos em nós.
O ambiente exerce grande influencia em nossos sentimentos.
O cenário tem a função de atrair a atenção do ator para o palco, fazê-lo mais concentrado e evocar e facilitar o despertar dos sentimentos do ator em cena.

Importante para que o ator construa uma personagem:

o   Criar condições para uso correto dos sentimentos

o   Unidades

o   Círculos de Atenção

o   Crença na ação física

o   Subtexto

o   Condições impostas (teatro, iluminação, etc.)


Capítulo 10 – Comunhão

“se os atores deveram querem prender a atenção de uma plateia, devem fazer todo o esforço possível, para manter, uns com os outros, uma incessante troca de sentimentos, pensamentos e ações”.
“O ator não deve ser mutilado, deve ter todos os seus órgãos”.
A energia do ator se expande e é compartilhada em forma de raios e irradiação.

Capítulo 11 – Adaptação

“Vocês devem aprender a se adaptarem às circunstâncias”
O fator da imprevisibilidade: “O elemento surpresa é tão curioso e eficaz que a gente se persuade de que essa nova forma é única interpretação possível para aquele trecho”

Capítulo 12 – Forças Motivas interiores

O ator deve sempre estar apto a fazer novas suposições quando fatigado de alguma cena ou peça.
As três forças motivas interiores: A mente, Os sentimentos e a Vontade.

Capítulo 13 – A linha contínua

O papel deve ter uma linha contínua
Quando dado o papel o ator deve sondar a alma do papel
“A atenção do ator está constantemente passando de um objetivo para outro. È essa constante mudança de focos que constitui a linha contínua, se um ator se apegasse a um objeto só, durante todo um ator ou uma peça, ele seria espiritualmente desequilibrado, vitima de uma ideia fixa”.

Capítulo 14 – O Estado interior de criação

O trabalho teatro em público sugere a verdade artística (desejável), mas geralmente vem da evitável artificialidade teatral.
A maioria dos atores lembra-se apenas da caracterização externa da personagem antes de subir aos palcos, por que não podem também preparar o interior antes das apresentações tal como fazem com o corpo?
Antes de subir em cena vale a pena perguntar-se sobre a segurança em determinados trechos, se sente ou não sentimento em determinadas ações, se é necessária alguma adaptação de algum detalhe imaginativo.

Salvini disse: “O ator vive, chora e ri em cena e, o tempo todo, está vigiando suas próprias lágrimas e sorrisos. É esta dupla função, este equilíbrio entre a vida  e a atuação que faz sua arte”

Capítulo 15 – O Superobjetivo

O tema principal deve estar firmemente plantado no cérebro do ator durante toda a representação. “Logo, os pequenos objetivos, as unidades, e a trama em si, deve-se encaminhar para esse superobjetivo”.

Capítulo 16 – No Limiar do Subconsciente

O capítulo trás muito sobre quando a atuação inconsciente, a inspiração, aparece no palco, e quando ela passa a ser de grande valia para o ator.
"O Objetivo principal da nossa psicotécnica é colocar-nos em um estado criador no qual o nosso subconsciente funcione naturalmente”
Em palco o ator vê-se alternando momentos de verossimilhança com de sinceridade, probabilidades com fé.
Os medos e dúvidas em relação à peça e ao autor atrapalham o trabalho do ator.
“O ator deve achar por si próprio o tema principal da peça [...], deve se colocar numa vida análoga à da personagem, caso precise, que faça suposições”.
“O que precisamos é de um superobjetivo que se harmonize com as intenções do autor e ao mesmo tempo desperte repercussão na alma dos atores. Isso significa que temos que procurá-lo não só na peça, mas, também, nos próprios atores”.
Algumas pessoas tem um Objetivo Supremo na Vida. Mas ninguém pode infringir as leis da Natureza.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Viagens 2019

Plano de Viagens 2019

Jan: RIO
Fev: FLORIPA
Mar: DOURADOS
Abr: MIAMI - SFO
Mai: PORTO VELHO
Jun: MS, MT, GO E BELEM
Jul: MARANHAO
Ago: VIX
Set: SFO-MONTREAL-NOVA YORK
Out: ASUNCIÓN
Nov: LISBOA, BUDAPESTE, VIENA, BRATISLAVA, BERLIM, MUNIQUE
Dez: JOAO PESSOA, FORTALEZA

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Lobos

E o que importa se o tempo parou se eu o mato?
Faz tanto tempo que não te encontro,
Cada monstro, cada lobo que eu afronto,
Lembrando que o seu o beijo foi o fato
E quando te vejo, é minha alma que maltrato?
Não sei em qual rua foi que eu caí,
Uma paixão de graça pra outra  não sorri,
Não me deixe sozinho e perdido,
Eu quero poder dizer que poderia ter acontecido
Quando tudo o que tivemos é apenas o aqui.

Me beija sem olhar os metrôs que passam
Fecha os olhos e entrega suas mãos ao meu corpo
Faz de cada detalhe, o seu trabalho e meu escopo,
E não há pessoas crueis que parar nos façam
Se os lobos que nos afrontam e nos caçam
São os mesmos que me fazem acreditar
Que correr é sentir vida, criar asas e voar
E voltar no tempo por opção própria
Vivendo idealismo de uma vida imprórpia
De uma paixão que nunca poderá vingar.




domingo, 23 de dezembro de 2018

Jaggerbomb


Ai minha cabeça, meus direitos autorais,
Onde você me colocou na sua estante?
Será que valeu a pena ser amante?
Olimpo de seres imaginários e reais,
Criei as expectativas desses mundos virtuais
Onde o beijo por melhor que seja
Não é o mesmo quando você me beija
Não é amargo, nem melhor que Aperol,
Mas me transporta para além do Tirol,
E querendo esquecer, fica muito Difícil,
Se quando toca na minha cabeça Dvicio
Você fica mais presente que o sol.

Ai minha cabeça, a bateria do meu celular
Acabou. E sem ver a hora perdida
Vem outro sem querer nessa minha vida
Que já nem minha é para amar,
Pois o primeiro me afogou num mar
De mentiras envolto com meras ações-placebo,
Que nocautearam a razão que recebo
De divindades que incendeiam paixões
tomando Jaggerbomb que bombardeia corações
E ateiam fogo às paixões que me dão medo.

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

2019 - Planos

Viagens

Rio de Janeiro
Santa Catarina
Maranhão
Pará
Europa
América Latina
Estados Unidos

Idiomas
Italiano
Alemão

Saúde
Dança
Kung Fu

Arte
Satyros
Violão




2018 - Resumão


Que ano foi esse de 2018? Seguramente parece que foram dois anos em apenas um. Não lembro meu horóscopo anual que dizia se era bom o começo  e médio o final ou o contrário. A realidade é começamos muito bem, porém o término teve seus dramas.

Mais um ano que vivi intensamente, namorei pela primeira vez a distância em um relacionamento que pelo egoísmo estava destinado a não dar certo, mas que faria com que eu me visse como a melhor pessoa do mundo em uma relação que há muito eu não enxergava. Por mais que depois disso, creio eu, que sou minha melhor companhia e me enxergo como um cara incrível; Por um lado, triste que não rolou, por outro, um mega aprendizado que eu fico feliz em lembrar.

Bom vamos por partes. No amor, além de aprender mais sobre o que foi com o Muraro, eu me permiti e sinto que fiz um bom trabalho com o coração e com a alma, que  já não se entrega de maneira vil.
Nos estudos finalmente terminei as matérias da faculdade, TCC e horas complementares. Agora em 2019 reta final para pegar o diploma, por um minuto pensei em uma pós-graduação, porém não a farei. Usarei meu tempo para ler o que gosto e logo, em 2020, pensar numa pós e me organizar para isso.

Digamos que consolidei o inglês, espanhol, catalão e francês e agora em 2019 sim ou sim estudarei alemão e italiano em escolas e espero ter um nível bem melhor no final do ano, consolidando-os de fato em 2020.

Novamente enrolei na dança, no teatro e na música e em 2019 vou fazer os três, assim como o kung fu. Parece que  2019  vai ser bem agitado, mas sem as aulas da faculdade, um pouco mais de tempo sobra;

Creio que fui um bom irmão e filho como planejava ser e também um ótimo amigo. Creio que nem todos souberam sê-lo comigo quando eu precisei, e mesmo em momentos de comemoração tomaram como trivial aquilo que não é comum, mas por garra eu naturalizei, como é o caso de viajar.

Viagens, isso não posso reclamar, pois fiz várias viagens  e ainda em 2019 vou viajar muito, ainda que não tanto como esse 2018. Escutei muita música e fui em todos os shows que queria, fui para todas as regiões do Brasil e 5 países fora daqui...

Acho que apesar de fazer muito, fiz muito as coisas soltas, sem tanta preocupação de ter tudo documentado, que é algo que quero mudar um pouco em 2019. Minha saúde no segundo semestre foi uma desgraça e descobri que tenho  Pitiríase Liquenoide Varioloforme Aguda. Uma doença rara e dificil de curar, muito chata pois coça muito. As noites e dias não têm sido faceis, mas vou sobreviver, 2019 está me animando, estou criando muita expectatvia com o ano, a ver o que sucede.
Minha conexão com o divino não sei se etá ,muito perdida, mas me sinto um pouco abandonado e não sei, mas espero que isso melhore.

As finanças vão bem, obrigado, tenho 0 reais, mas também devo 0 reais, o que é lindo.
Enfim, acho que 2018 fio um ano incrível e decisivo, agora é respirar e ver o que será de 2019 😊

domingo, 16 de setembro de 2018

Problemas de Amanhã

Alma limpa mergulhada num furor crescente.
Vontade de arrancar o lábio, o beijo, o toque.
Não acho que a imagem logo se desfoque. 
O díficil é acordar cada dia para ser paciente
De tão longe, a pele encontra a pela na mente.
Novamente a gente, com medo, se encontra,
Sabe que o mundo e as variáveis vão em contra
E não nos importamos, e com olhos fechados
Atravessamos maré, montanhas e cerrados
Mesmo com a distância que nos afronta.

A maturidade do passado nos dá algo em troca
do tempo que temos que esperar para cumprir
promessas que não fizemos, mas se fizeram existir,
A viagem é do espírito enquanto eu durmo em minha toca
Enquanto meu amor, seu amor invoca
E de novo não temos medo do que nos restou
Pulei de um penhasco crendo você ser a corda que me amarrou
Amanhã teremos os problemas de amanhã
Equações não lógicas de uma paixão sã
Vivendo de verdade um amor o que o passado nos roubou.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Vou seguir em aeroportos

Escrever em aeroporto parece que virou rotina, mas é apenas a segunda vez que me encontro diante desse blog para refletir; Aqui, Aeroporto de Brasília após o cancelamento de um voo e adiamento para mais de uma hora para voltar para Congonhas, depois de passar o carnaval em Porto Velho.
Duas pessoas dormindo a minha direita e mais um tentando dormir a esquerda; 6h49 e o que faço além de escrever é ver o magnifico nascer do sol e os aviões para lá e para cá, escutando um sertanejo romantico... Sim, por algumas razões a principal é ter comprado entrada e voo para o Villa Mix de Manaus para ir com meu sobrinho.
Não tô com grana, to apertado, mas ainda assim estou sendo a pessoa mais rica do mundo com tantas experiências e cada dia que passar me sinto mais e mais seguro da minha vida prática e cada vez mais instável na minha vida amorosa: libriano me digo.

Minha temporada passada terminou comigo refletindo a vida no interior de Minas Gerais; ao som de "Me rehuso" eu terminaria aquela temporada que se disse ser minha;
Tomei algumas decisões para 2018 e procurei assumir uma atitude prática na minha vida; Acabei conhecendo um rapaz que não sei quais caminhos vão dar, mas a partir dali eu notei minha fragilidade com sentimento.

Mais exatamente, já em janeiro, após assistir a um filme "Call me by your name", então me dei conta como eu tenho medo de deixar o sentimento acontecer; E depois de tanto tentar, parece que eu estou jogado à sorte de ser resgatado por alguém perfeito, por alguém que parece existir apenas em filmes. Parece que o pouco (ou muito) que sofri por gostar de alguém é uma avalanche quando na realidade era um temporal forte que eu interpretei mal.

A realidade é que estou tão fechado que minah expectativa é que me surpreendam na maturidade e no carinho dosados com tem de ser; Criei uma imagem de amor na minha cabeça que parece misturar um olhar sereno e cenas ardentes a cada três por quatro; Não vai ser uma noite de sexo ou dias de promessas que de fato vão me fazer apaixonar; Sexo é fácil e melodrama me dá enjoo, eu gosto de atitude forte, de opinião forte e embasada. 

Nesse meio tempo vou seguir escrevendo pelos aeroportos, refletindo mais e mais onde eu quero chegar e quando eu quero chegar e ter na cabeça a importância de ser sincero comigo cada vez mais, cada dia mais.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Quero Amor

Eu estou sentado no aeroporto de campinas ao lado do portão B27, algumas pessoas ao meu redor, bem quietas. Escuto por fone de ouvidos gigantes o que considero músicas do ano. Cada mês uma música se escolheu e se fez importante de alguma forma, tomou forma de lembrança.

É impressionando como esse ano foi um ano de Edge. Dá medo para mim falar Edge em âmbitos profissionais, as pessoas colocaram tanto medo em mim no trabalho com essa entidade, sendo que não é assim e nem tem que ser assim. Mas quando tomo o ano de 2017 como um ano de riscos, um ano de cumes, então estou tratando da minha atual realidade.

2015 foi um ano de liberdade, 2016 um ano de solidão e 2017 um ano de riscos. De meter a cara sabe? Vou dar um breve resumo aqui para que minha memória não apague e se apagar, eu tenha algo que me ajude a lembrar

JANEIRO - Eu sei de cor (Marília Mendoça)
Aquele mês mais focado na renovação, eu estava focado no Kung Fu, feliz com o último ano de faculdade, disposta a juntar grana para dar um jeito na minha vida depois da facul com uma pós ou sair do país. Conheci um cara que também lutava kung fu, o que era de fofo era de não compatível, fail 1

FEVEREIRO - Reggeaton Lento (CNCO)
Aquele mês pré-férias, animado com a vida, triste com a relação que deu ruim, o mês do carnaval e de cair em si que não se pode fazer tudo ao mesmo tempo, porém insistir.

MARÇO - Despacito (Luis Fonsi)
Férias, Europa, Brasil, Família, Amigos, Não preocupação com grana ou trabalho. Explorar culturas baladas e aquele clima sensacional em uma balada em barcelona, ademais de provar pra si que é capaz. Chorar na última sala do museu de história da catalunha só me fez provar o quanto eu era forte. Ver o amigo de Brasília e frustar-se que ele mora lá. Encerrar o mês com a promoção a efetivo do Facebook, a melhor empresa do mundo para trabalhar. Edge.

ABRIL - Formation (Beyoncé)
Primera vez nos Estados Unidos, muito trabalho e muito estresse, pouca faculdade e kung fu 0 a partir daí. Perda de qualidade? talvez, você ainda não sabe o porquê, apenas está vivendo o dia a dia. Conhece um cara mineiro que parece incrível e logo em seguida leva o famoso pé ma bunda porque ele não esqueceu o ex... usual


MAIO -Пьяное солнце (Alekseev)
Vida social intensa, você se acha maduro o suficiente mas não, não é. Você acha que não é capaz que fazer aquilo que te pagam para fazer, você começa a se descuidar, descobre que tá com a gripe mais forte que poderia ter e tem que levar besetacil para melhorar. Você se fecha, se tranca no quarto, quer sumir, mas sorri pros outros e continua postando foto bonita no instagram.

JUNHO - Paradinha (Anitta)
Você foge? Foge pro interior de Minas e crê que é ainda a pior versão de você. Faculdade já está na sorte, mas pelo menos respira. Aceita a maldade que tem em você. Pelo menos tem que te ame mesmo assim, e mesmo você não dá o valor ideal. Viaja pra Londrina, passa o semestre da faculdade e começa a pensar que vai respirar com as férias. Sim você respira. Você conhece um francês e tipo, o que é de tranquilo, também é totalmente incompatível. Vida que segue, você parece nem ligar mais

JULHO - Tempo Perdido (Legião Urbana)
Você libera endorfina nadando muito e tendo uma mega vida social. Cartão de crédito começa a ir lá em cima. Você trabalha e tenta fazer o melhor. Você admira platonicamente um youtuber russo hahah e a vida que segue. Reta final do ano.

AGOSTO - Sorte que você beija bem (Maiara e Maraísa)
Você conhece um tipo sem querer querendo e curte ele mais pela aparencia do que pelo perfil. Tem a primeira noite incrível e todo o resto é um lixo, te trata mal e você se sujeita, afinal já está cansado de tentar, finge que tá feliz. Recebe visita de um amigo incrível do paraná, vão para Minas Gerais, volta a falar com seu melhor amigo que te deixou na mão quando você precisava, e começa a loucura, seu cartão começa a subir, sua paciencia e saude a baixar e o tempo a esgotar-se, o ultimo semestre da faculdade começa a ser uma bosta.

SETEMBRO - Mi Gente (J Balvin)
Estados Unidos, LAX e MPK. Você tem talvez sua melhor viagem do ano (LAX) mesmo o local não sendo o mais legal, você está no EDGE do seu trabalho. Consegue metade do seu espaço. Está feliz aí, mas sem tempo pra nada, exatamente nada. Não se cuida, não se quer. não dorme bem, não come bem, não faz exercício, e ah, sabe o menino do mês passado? Some, te trata como um lixo e você é mais lixo ainda. Você vai pro Rio comemorar o aniversário e dos amigos se aproxima muito mais de um e se afasta de outros que estavam perto de mais, perfil não bate.

OUTUBRO - New Rules (Dua Lipa)
Sem tempo pra pensar, nem para viver, parece que você agora está longe de mais das coisas e das pessoas. Está muito bem, muito feliz no geral, mas a sensação do vazio é tão grande que fica estampada na sua cara, a saudades de um passado de amor glorioso bate toda noite na sua cabeça e fica te martelando, você agora brinca com você mesmo e parece aceitar o fato que é um objeto. Você dá seu melhor no trabalho e parece não estar andando muito, grande feitos e passos curtos, você fica triste. E lá quando a luz parece apagar-se você conhece o ex do seu ex e ele te mostra paz. Você se apaixona e não reconhece, já cansou de se fuder.

NOVEMBRO - Que Va (Ozuna)
Dias de Glória em Natal, que fazem seu cartão estourar quase, mas que trazem momentos de desconexão com tudo e encontra paz uma vez mais, ainda que quisesse estar um pouco mais com sua paquera. E aí ele decide que o momento dele é de explorar a sexualidade e sair com quem quiser, sua vibe é outra. O discurso dele só lembra o discurso do Argentino para quem você escreveu poemas um ano atrás e que nunca rolou nada pq não dava, não pq vocês não queriam.
Você vai de última hora pra Argentina, ao passo que faz a primeira cagada comportamental ferrada no trabalho e se sente um lixo com isso, você se re-aproxima do argentino e lê nos olhos dele que vocês se amam, mas não podem estar juntos e nem vão poder, no outro dia de volta ao brasil seu caso atual diz que não vai querer ficar só com você pq não tá na vibe. sem contar o menino louco ex dele e seu que é louco e stalker...
E olha que esse mês só está na metade.

E aí você está no aeroporto, indo visitar a família, uma parte que é homofóbica e bolsomita ao passo que você trancou a faculdade, está com o coração em pedaços, desapontado com o trabalho apesar de ter muito orgulho dele, seu cartao vai consumir toda sua grana e você não está cuidando de você.

Pois é amigos... Meus amigos decidiram que nossas histórias é uma série chamada "Vinhados", estamos na 4 temporada e ela é focada em mim... Acima dá pra ter uma noção de como a curva de emoções e acontecimentos dessa personagem se deu. E se eu to certo, é um drama cômico por vezes, é bem real como um "Please like me", mas o mais engraçado nesse drama é que é vida mesmo :/
Eu creio que existem pessoas que tem tendencia de ser mais dramáticas, mais intensas que outras, mas que a vida é como Aperol, é amarga, mas bonita mesmo assim.

Mas e aí você me pergunta, o que você quer?
Minha resposta é certeira, eu quero voltar no tempo lá pra outubro do ano passado para o parque na frente do cemitério da recoleta naquele por do sol, eu quero voltar ao final do show da florence and the machine, ou quero voltar para aquele momento na chapada dos veadeiros que eu pulei de uma cachoeira de cinco metros, ou mesmo para Cadaqués com minha Ana e aquela lua, queor voltar pra aquela balada em barcelona ou mais ainda e talvez o looping que eu quero de morte por hoje é voltar pro Alamo de buenos aires dessa terça feira e aquele banheiro. Eu quero encerrar nesses dramas, nessas cenas que para mim constituem os melhores momentos desses últimos tempos.

Que vida! Que vida! Linda e bela!

O que eu quero? Eu quero, pelo menos nos próximos minutos, quero "amor" de Alvares de Azevedo

Amemos! Quero de amor
Viver no teu coração!
Sofrer e amar essa dor
Que desmaia de paixão!
Na tu'alma, em teus encantos
E na tua palidez
E nos teus ardentes prantos
Suspirar de languidez!
Quero em teus lábio beber
Os teus amores do céu,
Quero em teu seio morrer
No enlevo do seio teu!
Quero viver d'esperança,
Quero tremer e sentir!
Na tua cheirosa trança
Quero sonhar e dormir!
Vem, anjo, minha donzela,
Minha'alma, meu coração!
Que noite, que noite bela!
Como é doce a viração!
E entre os suspiros do vento
Da noite ao mole frescor,
Quero viver um momento,
Morrer contigo de amor!